Revista "MUNDO e MISSÃO"
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Testemunho de Sangue É comum pensar que a era dos mártires, dos que testemunharam sua fé em Cristo com o próprio sangue, fosse a dos primeiros séculos do cristianismo. A tradição transmite-nos uma inumerável lista de pessoas de ambos os sexos, jovens e velhos, que foram mortos por não renegar Cristo. Mas essa tradição, sabemos, misturou realidade e muitas lendas. A era dos mártires continua e, certamente, esse século foi o que mais produziu testemunhas que deram seu sangue pela fé. Basta lembrar os gulags russos, onde milhões, entre católicos, ortodoxos, evangélicos e protestantes, foram mortos porque eram cristãos; os mártires da Espanha, do México, do Vietnã, da China, onde, ainda hoje, existem milhares de pessoas nas cadeias só porque professam uma fé. Onde houve e há privação da liberdade religiosa, encontramos pessoas que deram e dão seu testemunho de fidelidade. Martírio é o sinal de que essas pessoas ou a fé na qual elas acreditam, incomoda quem tem poder e, certamente, não quer a paz e a fraternidade, porque estariam em jogos seus interesses particulares, desonestos e corruptos. Numa análise superficial desses testemunhos modernos, engajados na luta por um mundo melhor, vemos não são somente mártires da Igreja antiga ou ocidental, mas de Igrejas jovens, principalmente de países não ocidentais. De fato, 80% dos cristãos (católicos, ortodoxos, protestantes e evangélicos) já moram em países não ocidentais. Se lembramos que essas pessoas que deram a vida e fizeram notícias na mídia internacional, não podemos, porém, esquecer os milhões de mártires silenciosos, os cristãos que sofrem por falta da liberdade religiosa no próprio país. Em 1997, em todo o mundo, havia mais de 200 milhões de cristãos perseguidos por falta de liberdade religiosa e mais de 400 milhões discriminados por causa da fé. Existem 70 governos declaradamente ateus e um crescente fundamentalismo intolerante de outras confissões, como no Sudão, Paquistão, Egito, Índia, Indonésia, Arábia Saudita e outros. Em 1998, até 18 de dezembro, foram mortos 37 pessoas entre missionários ou outros que trabalhavam em regiões de riscos, mas que não estavam comprometidas com os conflitos locais: eram padres, religiosas e leigos que tentavam ajudar os mais pobres, quase sempre, as vítimas desses conflitos, pessoas comuns que viviam a fidelidade de todo dia. O mapa dos mártires de 1998 revela também os pontos mais violentos do planeta (África e Índia), a origem étnica desse confrontos e que a maioria das vítimas são mulheres.
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