Revista "MUNDO e MISSÃO"

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Relatório Mundial a respeito da violência e da saúde, publicado dia 3 de outubro pp. pela Organização Mundial da Saúde (OMS), volumoso e cheio de dados, é a primeira pesquisa realizada com rigor científico, focalizando a violência no mundo em todos os seus aspectos: físicos, sexuais, psicológicos, abusos e descasos. Dessa análise, aparece uma situação trágica que foi definida como "uma emergência prioritária a nível mundial" que necessita de soluções e métodos preventivos.

OS DADOS

Todo ano, no mundo, mais de 1,6 milhão de pessoas morrem de forma violenta: 50% dos casos são suicídios; 30%, homicídios; 18% em guerras e conflitos. O resto falece por causa de acidentes vários. Em outras palavras, a cada dia, no planeta Terra, registram-se 1.424 mortes violentas, o que corresponde a um homicídio por minuto; a cada 40 segundos, uma pessoa se tira a vida, enquanto as guerras matam cerca de 800 por dia.

Homens e mulheres: os homens são responsáveis por 77% dos homicídios, sendo que a faixa etária de maior concentração está entre 15 e 19 anos. Quanto ao suicídio, 60% é praticado pelos homens e o maior número deles tem entre 15 e 44 anos.

Jovens: embora com diferenças entre as diversas culturas, os dados são alarmantes: em 2000, 199 mil foram assassinados e 55 mil eram crianças (não se incluíram os abortos nesse número).

Países ricos e pobres: a taxa de mortes violentas é duas vezes maior nos países de renda média e baixa do que nos mais ricos. Os homicídios são mais freqüentes na América do Sul e na África e são três vezes mais numerosos que os suicídios. Na Europa e Ásia meridional, os suicídios são o dobro dos homicídios nas outras regiões. Particularmente grave é a situação nas ilhas do Pacífico, onde os suicídios são seis vezes mais numerosos que os homicídios.

Abusos e violências: no último século, por causas das guerras, morreram 121 milhões de pessoas. Cerca de 300 mil somente no ano 2000. No século passado, 69% das mulheres foram vítimas de abusos sexuais. Nos EUA, os abusos sexuais atingem a 14,8% das mulheres acima de 17 anos; em outros países, entre 40 e 70% das mulheres assassinadas foram vítimas dos maridos ou companheiros em suas próprias casas. A probabilidade de um homem ser morto pela esposa ou companheira está entre 4 e 8,5%.

EMERGÊNCIA: SUICÍDIOS

No relatório da OMS, aparece que os suicídios estão em preocupante aumento. Em 2000, 815 mil pessoas tiraram a própria vida, isto é, 14,5 em cada 100 mil pessoas, o que significa um suicídio a cada 40 segundos no mundo inteiro. A faixa etária dos suicidas está entre 15 e 44 anos. O suicídio é a décima terceira causa de morte no mundo, enquanto os atos de autolesão chegam a ser a quarta causa de morte ou a sexta causa de inatividade, em caso de sobrevivência.

O maior número de suicídios acontece nos países do Leste europeu, como na Rússia: 43,1 em cada 100 mil habitantes; Lituânia: 51,6 em 100 mil; Bielorussia: 41,5; Estônia: 37,9. No Sri Lanka também há uma alta taxa de suicídios: 37 em cada 100 mil.

Taxas baixas encontram-se na América Latina e em alguns países da Ásia, como Filipinas: 2,1 em 100 mil; Tailândia: 5,6. Em outros países europeus, asiáticos e da América do Norte, a média é de 20 em cada 100 mil pessoas, como na Itália: 8,4; França: 20; Alemanha: 14,3; Espanha: 8,7; Inglaterra: 9,2.

As causas são variadas, mas o relatório elenca uma série de fatores que determinam um comportamento suicida, como alguns aspectos psiquiátricos, sociais, pessoais e biológicos. A depressão é a causa predominante ou está presente em 65-90% dos suicidas. A esquizofrenia causa até 12% das mortes.

Entre outros fatores mais determinantes, embora imprevisíveis, estão os acontecimentos dramáticos pessoais que desestabilizam a personalidade, como a morte ou a perda de um ente querido ou do trabalho.

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