Revista "MUNDO e MISSÃO"
Cultura e Culturas
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A Autodestruição de antigas civilizações Hélio Pedroso Um cristianismo inculturado Nos tempos pré-cristãos, conforme as tradições
da Abissínia (do antigo nome que incorporava a Etiópia e
a Eritréia), uma parte da população seguia a lei
mosaica, enquanto outra tinha uma religião animista, adorando um
sem número de espíritos bons e maus associados à
natureza. A história de rainha de Sabá que teria tido um
filho, Menelik, de rei Salomão e teria introduzido o judaísmo
na Abissínia, não tem muito fundamento histórico.
O judaísmo com seus ritos como a circuncisão, os tabus alimentares,
a pureza ritual, a divisão entre animais puros e impuros e a observância
do sábado, penetrou por causa dos contatos comerciais entre os
dois povos. Monaquismo: característica da Igreja eritréia A Igreja da Abissínia - e agora Eritréia - como todas as Igrejas orientais, teve sempre uma tradição monástica com grande número de adeptos. Ainda hoje, apesar de trinta anos de ditadura comunista, existem mais de vinte mosteiros masculinos somente na Eritréia que, com os da Etiópia, são mais que todos das outras Igrejas copto-ortodoxas. Por meio de seus pregadores, teólogos e santos, o monaquismo abissínio exerceu e exerce grande influência sobre todos os aspectos da vida do povo, não somente no campo religioso, mas cultural, social e político. O clero secular, geralmente casado, com pouca formação teológica, mas bem integrado na vida social e econômica do povo rural, é numeroso tendo em vista o número de fiéis: mais de 35 mil. A Igreja católica, atualmente, conta com 126 mil fiéis (3,5% da população), 65 padres diocesanos, 208 religiosos e 328 irmãs. História e lenda na Igreja da Etiópia Lalibelá é a cidade sagrada da Etiópia, comparável
a Jerusalém, da qual traz até os nomes: um monte chama-se
Tabor, um rio é o Jordão e as igrejas têm nomes como
Santo Sepulcro e Ressurreição. Dizem ainda que existe também
o túmulo de Adão. Terra da rainha de Sabá Era por volta do ano 1200. Homens e anjos constróem Lalibelá A construção da cidade sagrada era um loucura para qualquer
pessoa, especialmente porque estava a 2660 metros de altura, numa paisagem
de altiplanos e vales de encostas íngremes. Mas Lalibelá
não desistiu e começou a cavar, porque os monumentos, naquele
lugar, não se construíam de baixo para cima sobrepondo pedras
e tijolos, mas cavando a pedra de cima para baixo, criando muros, janelas,
portas, pátios, canais de escoamentos das águas dos enormes
poços e escadarias para os devotos descerem e fazer suas devoções.
As 12 igrejas estão divididas em dois grupos e separadas por uma
distância de cerca de 250 metros. O trabalho - dizem os estudiosos
desse tesouro - consistia, primeiramente, em construir uma trincheira
profunda da mesma altura da igreja (há igrejas de 15 metros) e
depois os entalhadores de pedra iniciariam novamente do alto, moldando
teto, paredes, janelas, arcos, molduras, colunas e enfeites, até
chegarem ao piso térreo. Deslocaram-se mais de 150 mil metros cúbicos
de pedra e uma média de 200 operários teria trabalhado por
cerca de vinte anos. Outros estudiosos, porém, sustentam que a
obra teria sido construída no espaço de duzentos anos, tendo
em vista as pequenas mudanças do estilos nas várias construções. A guerra O fim da guerra entre a Eritréia e a Etiópia, que é
a prolongação de outra adormecida desde janeiro de 1998,
continua sem previsão. |
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