Revista "MUNDO e MISSÃO"
Direitos Humanos
Este grupo, que desceu das montanhas de Bukidnon, foi usado freqüentemente para “operações especiais”, nas quais o exército não queria aparecer diretamente porque essas comprometeriam sua imagem. Lito e seu grupo recrutavam muita gente entre os tribais para operações anti-revolta e contra os rebeldes comunistas do New People’s Army (Npa) que, recentemente, estão se reorganizando em várias regiões e se opondo ao governo de Glória Arroyo. Isidoro Indao é o responsável da Ong Tikulpa que coordena a ação pela unidade dos tribais e se ocupa do programa de formação e desenvolvimento dos mesmos. Seu grupo recebeu do governo a tarefa de controlar plantações de coco situadas ao redor da aldeia de Sagundanon, lugar onde foram feitas as ameaças de morte em outubro do ano passado. A população avisou pe. Tentorio e Indao que um grupo do Alamara estava procurando os dois para matá-los e só deixariam a região após ter-lhes cortado a garganta e as orelhas. Várias vezes e em vão, Gawilan tentou convencer pe. Tentorio e Isidro Indao a cederem as terras que pertenciam às populações tribais e de onde elas tiram seu sustento.
Na realidade, havia outros interesses. Um homem de negócio queria as terras para produzir óleo de coco e teria prometido aos habitantes um miserável salário de 124 pesos mensais, correspondente a 7,29 reais, além de cuidados médicos, escolas gratuitas e uma casa própria. Em troca, eles deveriam se deslocar, abandonando suas terras e assinando um ato de cessão de suas propriedades. Lito Gawilan, certamente, teria muitos benefícios com toda a operação e parece que até uma boa participação nos lucros da produção do óleo de coco. Após a firme recusa do padre e de Indao, Gawilan e seu grupo passaram para meios menos ortodoxos de coerção e de ameaça de morte, acusando o padre de ter participado da guerrilha comunista do Npa e continuado a ajudá-la. A população local defendeu pe. Tentorio e o escondeu com Indao num armário de bambu por uma noite inteira. Desse frágil esconderijo, pe. Tentorio via e ouvia tudo. A notícia foi levada ao bispo, dom Rômulo Valles, que escreveu uma carta à presidenta Arroyo, através do ex-embaixador da Santa Sé que, muita vezes, tinha coordenado projetos humanitários da Igreja na Ilha de Mindanao, pedindo que se investigasse urgentemente o que estava acontecendo e se desarmasse o grupo Alamara. Atualmente, o grupo foi obrigado a deixar o lugar, após uma operação militar do exército filipino, permitindo a pe. Tentorio voltar a sua missão. O bispo exaltou a obra missionária do sacerdote que se encontra há 18 anos naquela comunidade, ajudando os cristãos e a população tribal na missão de Arakan Valley, onde ele promoveu um processo de desenvolvimento, através da educação e da formação dos lavradores da terra. Em particular, pe. Tentorio e Indao alertavam os cultivadores para que não assinassem contratos de venda de terra, sem que tivessem uma visão clara do conteúdo do que lhes era apresentado por homens sem escrúpulos, dispostos a tudo para ocupar suas terras. A situação nas Filipinas Nas Filipinas, o problema fundiário é grave e os missionários são atacados por guerrilheiros, chefões locais ou estrangeiros, por estarem ao lado dos mais humildes. A Igreja filipina precisa, muitas vezes, ser a defensora dos direitos das pessoas que, sistematicamente, perdem a posse dos terrenos, embora o governo já os tenha declarado como legítima propriedade das populações tribais. Os documentos existem, mas o método é sempre o mesmo: continuam sem efeito diante da ganância, do poder de barganha e do medo dos mais fortes. Ultimamente, o governo das Filipinas está fazendo tudo que está a seu alcance para tornar efetiva a reforma agrária. E para se tornar mais eficaz, pede ajuda aos movimentos sociais da Igreja católica, a fim de poder ter um controle para que as populações tribais não sejam lesadas por espertalhões gananciosos. |
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