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Drogas, diamantes e poder: as verdadeiras causas dos
conflitos
Líderes eclesiais da África e da América, reunidos
em Moçambique, denunciam os interesses econômicos que estão
por trás de muitos conflitos bélicos da atualidade
Nem a religião nem as ideologias estão por trás
das guerras que, atualmente, acontecem no mundo, mas a procura que há,
na Europa e nos Estados Unidos, de produtos como diamantes da Serra Leoa
ou de droga da Colômbia. A afirmação foi feita numa
reunião de mais de 70 líderes eclesiais da África
e da América, realizada em Maputo (Moçambique), de 22 a
28 de agosto.
Esse encontro de representantes das Igrejas dos continentes africano e
americano tinha como tema de reflexão: "Reconciliação,
solução dos conflitos e pacificação civil".
Homens e mulheres, procedentes de situações de conflito,
puderam compartilhar as experiências de sofrimento de seus respectivos
povos, concluindo que a violência que sofre a população
civil é uma das características dos conflitos atuais. Outra
característica é que muitos estão se tornando ricos
através desses conflitos: tantos os comerciantes de armas como
os soldados que as usam contra seu próprio povo e tiram proveito
da situação.
Os participantes da reunião concordaram na afirmação
de que a natureza atual dos conflitos armados mudou, no sentido de que,
apesar das declarações ideológicas de alguns grupos
armados, é a cobiça o principal motor da violência
que afeta várias populações dos dois continentes.
Por exemplo, muitas das atrocidades cometidas contra o povo de Serra Leoa
são o resultado dos esforços dos rebeldes para controlar
o acesso às minas de diamantes. Por isso, disseram em Maputo, para
que as tentativas de reconciliação sejam eficazes, é
necessário analisar quem se beneficia com a guerra.
Os processos de paz exigem também que se estabeleçam boas
administrações e sistemas judiciários eficientes.
A Igreja pode desempenhar um papel importante, trabalhando para construir
pontes, curar feridas e favorecer uma sociedade que seja tolerante.
"Promover a paz e a reconciliação - declarou Duncan
Mc Laren, secretário geral da Caritas Internacional - é
parte integrante da missão de evangelização da Igreja.
Mas, quando a Igreja fala de paz, não se refere à paz fácil
de muitos políticos. Se a paz não resolve os problemas de
justiça, fracassará inevitavelmente." Pediu-se também
ao papa que convoque um sínodo especial sobre paz e reconciliação
num mundo atormentado por conflitos.
A reunião de Maputo inscreve-se numa linha de encontros sobre reconciliação
e paz que, desde algum tempo, entidades da Igreja católica vêm
promovendo.
(Traduzido e adaptado de Sinfronteras - outubro de 2000)
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