Revista "MUNDO e MISSÃO"

Drogas

MENINOS RECUPERAM MENINOS

Renato Chiera

A vida nasce onde menos se espera. E com mais força. Meninos de rua, considerados perigosos e irrecuperáveis, tornam-se instrumento de recuperação para outros como eles, abandonados pela família e condenados pela sociedade. A experiência de pe.Renato e de seus "filhos" mostra que muitos problemas não se resolvem, não só porque não há vontade política, mas sobretudo porque não há vontade "humana": confiança, abertura, solidariedade, esperança, coragem.

Não programamos abrir novas casas fora do Estado do Rio de Janeiro: na Baixada Fluminense temos já muito trabalho e problemas suficientes para nossas pequenas forças. Por que Fortaleza? A Casa do Menor nasceu não por um programa humano, mas para acolher os sinais de Deus que nos guiava através de fatos e situações da vida. É ainda por nos deixarmos guiar por Deus, que sentimos Pai bom e Providência, que nos abrimos a esta nova aventura.

Rumo a Fortaleza

No dia 12 de janeiro, 18 jovens e meninos da Casa do Menor partiram de ônibus (um velho ônibus comprado pela Casa do Menor para a missão no Nordeste) rumo a Fortaleza, sem saber o que encontrariam e o que Deus pediria, mas dispostos a tudo. Depois de quatro dias de viagem, chegamos à terra prometida: uma grande fazenda de 110 hectares no coração de Fortaleza, doada à Fazenda da Esperança pela família Macedo (uma família muito rica de Fortaleza, tocada pelo Evangelho). É uma área verde no centro da cidade, que tem dois milhões e meio de habitantes e um crescimento anual de 40 mil pessoas. Logo entendemos que este oásis possui uma vocação especial de irradiação de vida para toda a cidade, marcada por uma degradação social e moral espantosa por sua grande e problemática periferia e por todo o Ceará castigado pela seca, a pobreza e a injustiça que condena ainda seus filhos a migrarem em busca de um futuro melhor.

Frei Hans, que recebeu em dom toda essa terra para o trabalho com meninas tóxico-dependentes, sente logo que aqui devem vir outros grupos e associações para trabalhar juntos, "corpo a corpo", para o resgate e a defesa da vida. Por isso, nós chegamos à terra de Fortaleza, terra de luz, com jovens missionários da Casa do Menor, prontos a tudo, sem programas ou projetos preestabelecidos, atentos aos sinais que Deus nos dará.

Divina aventura

E começa a aventura, que logo descobrimos ser uma aventura divina. Deixamo-nos levar por uma mão invisível. Hospedamo-nos numa casa sem janelas, dormimos no chão, entram bichinhos e muitos pernilongos, que fazem festa com o sangue carioca.

Estabelecemos os primeiros contatos com os bairros, as favelas que rodeiam a Fazenda, chamada Uirapuru (nome de um passarinho pequeno, que canta poucas vezes, mas tão bem que os outros pássaros se calam para escutá-lo). Descobrimos muita pobreza material e moral e degradação familiar e logo percebemos que a droga, a cola, é espalhada em todos os cantos e os meninos e meninas a usam e roubam e se prostituem para ajudar mães sem marido ou para manter o vício. Presenciamos a assaltos, a cenas de violência.

Turismo sexual

Na famosa Praia de Iracema, meta de turistas italianos, alemães e argentinos em busca de aventuras sexuais, encontramos meninos e meninas na prostituição. Uma menina de 14 anos ensina às amigas menores como abordar os clientes e somos vistos como eventuais clientes. Acompanha-nos uma irmã médica italiana, um padre camiliano italiano médico e uma jovem psicóloga brasileira, que trabalham com mães solteiras na prostituição. "Esta criança tem 10 anos e está grávida de gêmeos", nos dizem, indicando-a. Esta tem um filho, fruto do estupro do padrasto. Aquela outra tem 13 anos e um filho nascido na prostituição ( filho de um italiano, alemão, argentino?). Esta tem só 9 anos: a mãe, que é prostituta, a vende aos homens por pouco dinheiro. Encontramos um grupo de 10-12 meninos, que se drogam e continuam a se drogar na nossa frente. "Não sabemos o que fazer o dia todo, por isso nos drogamos. Não temos perspectivas". A praia, as luzes, os hotéis, os turistas bem vestidos são um cenário maravilhoso para esses meninos e meninas, com famílias pobres em pedaços: a rua atrai e é linda. Entendo os meninos que trocam barracos sujos com ratos e pernilongos pela linda estrada à beira-mar, toda reluzente. Esta escolha é sinal de saúde psíquica.

Os meninos de rua

Visitamos as praças, onde se amontoam os meninos de rua, com rostos macilentos, olhos profundos e raiva no coração.

A polícia nos diz que chegou o crack, que vicia em poucas semanas; a cola é vendida aos meninos por adultos sem escrúpulos em um torpe comércio. Contam-nos que estes meninos, quando estão dopados de cola, chegam a se matar com pedras, lâminas de barbear ou navalhas. "Vê este menino magro? É doente de Aids e está drogado. Espera só a morte...".

Dizem-me que há centenas de favelas onde há centenas de meninos deixados sozinhos em casa pela mãe ou pelo pai, que vão para o trabalho; eles entram na droga, na vida sexual ativa e precoce e crescem sem limites e regras. Fortaleza é a capital do porno-turismo e italianos, alemães e argentinos são clientes assíduos e conhecidos. Compreendemos logo que não nos faltará trabalho.

Por onde começar?

Deus é Pai mesmo e recebemos uma casa emprestada que parece construída de propósito para nós: tem sete pequenos quartos, refeitório, cozinha, lavanderia, capelinha e uma linda área central, com capacidade para acolher até vinte meninos. Vibramos de alegria e a ocupamos. É do mesmo estilo das casas-família que construímos no Rio. Logo chega o telefone e, no segundo dia, já somos assediados por telefonemas de pessoas que querem nos enviar os meninos. Damo-nos conta de que talvez a situação seja pior do que no Rio de Janeiro.

Porém, quem agora ficará para tocar para frente a casa? Nossos pequenos missionários, ex-meninos de rua, vindos a Fortaleza para conhecer a nova situação, declaram que estão dispostos a ficar, se esta é a vontade de Deus. Temos só dificuldade de escolher: Ubiratan, Luiz Fernando, Wallace e Leonardo são escolhidos para esta missão. Cultivavam outros sonhos e projetos, mas se colocam à disposição de Deus nos pobres. "Queremos ajudar meninos como nós a sair da rua, porque nós fomos ajudados". Sinto-me emocionado e sei que isso só pode ser obra de Deus: ex-meninos de rua que recuperam meninos de rua.

Dormimos no chão, não temos camas, pouco para comer, mas a Providência não se faz esperar. Este povo do Ceará, sofrido pela seca, provado pela dor, é muito solidário e generoso e, através de várias paróquias que entram em contato conosco, recebemos doações e ajudas. Deus existe, é Pai e Providência. Ficamos com vergonha por ter acreditado pouco.

Inauguração da Fazenda da Unidade

Domingo, 28 de janeiro, é o dia da inauguração da fazenda: estão presentes 26 bispos, muitos sacerdotes e cerca de 30 mil pessoas. É uma grande festa! Esta fazenda será teatro de uma experiência nova e inédita no mundo da globalização da solidariedade. Movimentos, grupos, carismas diferentes, conservando cada um sua característica, viverão em comunhão e unidade, para dar vida e resgatar os excluídos. Queremos ser um sinal, aqui na terra, da vida trinitária: Deus é três pessoas, cada uma diferente das outras, mas unidas pelo amor fraterno, formando um só Deus que ama e gera vida. A fazenda é constituída por realidades diferentes, mas unidas no amor para gerar vida.

No palco apresentam-se os primeiros grupos que já vieram fazer parte da fazenda: a Fazenda Esperança, que trabalha com jovens e meninas tóxico-dependentes, a Casa do Menor, que acolhe meninos de rua, a comunidade Canção Nova, que vai instalar um centro televisivo de evangelização, o grupo Shalom, que trabalha para a evangelização e a recuperação de jovens, as irmãs dorotéias, empenhadas na educação e na escola, a comunidade Don Orione, que acolherá meninos deficientes físicos e psíquicos, as irmãs beneditinas e carmelitas de clausura, que serão a fonte escondida que dará vida a todos, os escoteiros e a pastoral da criança e a última (por enquanto), a comunidade Novos Horizontes, que vem da Itália, onde trabalha com o povo de rua na estação Termini de trens em Roma. Há uma longa lista de pedidos de grupos que querem fazer parte dessa experiência nova. Será um sinal profético de unidade concreta entre grupos diferentes, todos engajados em defender e resgatar a vida. O povo de Fortaleza compreende que é uma coisa grande e inédita e aplaude e sonha com uma cidade de gente, onde as crianças poderão viver felizes.

Alguém chama esta fazenda de "condomínio espiritual", onde a única lei será o amor entre os vários grupos e a paixão pela vida. É a concretização da globalização da solidariedade. Um laboratório que talvez servirá como modelo para o Brasil e para o mundo. Penso no encontro dos grandes em Davos, que globalizam os egoísmos, gerando sempre mais morte e exclusão; penso no Fórum social mundial de Porto Alegre, que indicou o caminho da solidariedade como resposta às chagas da humanidade. É necessário injetar na economia mundial uma alma de comunhão e de solidariedade ou não haverá futuro para ninguém.

Os primeiros meninos de rua

A Casa do Menor é chamada a ser, com outros, construtora de uma nova história de vida e salvação no terceiro milênio. Temos acesso a várias televisões, rádios e jornais locais e, passando pelas ruas, somos logos reconhecidos e acolhidos como os amigos dos meninos de rua.

Nossos pequenos missionários devem voltar para o Rio, onde nos espera a Casa do Menor com cerca de mil crianças e meninos. Quatro jovens missionários ficam com pe.Renato, para pôr os alicerces do novo trabalho.

Chega logo Taciano, 12 anos, inteligente e violento, que conhece todos os segredos das ruas e que foi encontrado na rua, no Maranhão, a 900 km de Fortaleza. Não conhece pai, mãe nem seu sobrenome e não tem certidão de nascimento. É um verdadeiro líder.

Chovem os telefonemas: mães sozinhas e desesperadas, cujos filhos, crianças e adolescentes, vivem na rua o dia todo e aprendem o que não presta. Chega David com seu irmão Alexandre, que no dia seguinte volta para a rua. Celson, 14 anos, já se embriaga, à noite não volta para a casa e a mãe, sem marido, o espera em vão. Chegam quatro irmãozinhos, de oito a quinze anos, os pais desempregados e doentes por desnutrição, que enviam os filhos na rua para mendigar.

Praça Alencar

Visito a praça mais mal-afamada de Fortaleza, praça José de Alencar, e vejo cenas apocalípticas. Estou acostumado ao Rio, à Baixada, à violência, à pobreza, ao abandono, ma o que vejo me sacode profundamente. Sinto pena, raiva, revolta. Um bando de meninos, de olhos arregalados, cheiram cola e seus rostos são perturbados e alucinados. Vêm ao meu encontro e penso que querem me assaltar: controlo o dinheiro e o relógio, mas os cumprimento e abraço. As pessoas me olham com curiosidade e se admiram em ver um europeu no meio daquele lixo humano. Para mim, são Jesus. Sento na calçada suja, abraçado a eles. Pedem-me comida. Ofereço leite para eliminar o efeito da cola, mas ele querem comer um prato de arroz, feijão e frango, que devoram num momento. Contam coisas absurdas e sofrimentos indizíveis. Sinto-me em adoração diante de Jesus escondido atrás do rosto destes meninos feios e fedorentos. Chega uma menina mais adulta. Quer ser abraçada. Fede terrivelmente. "Verdade que você quer bem também a mim?" e me abraça e chora. Comigo, na visita, há um grupo de jovens de Fortaleza, que gostariam de começar conosco um trabalho na rua. Estão desorientados: não sabem como mexer. Têm muito medo. Eu os ajudo e oriento.

São vinte, trinta os meninos que dormem nesta praça. Ao nosso lado, enxergo uma menina que dorme abraçada a um cachorro. Ela acorda e também pede algo para comer. Divide parte da comida com seu cachorro: ele não a abandonou como o pai e a mãe. Porque os homens não são humanos como os animais? Enxergo jovens, com feridas no corpo envelhecido, que se drogam, cheiram cola. Aproximam-se, porque querem comer. Passam meninas com o batom nos lábios, roupas curtas e aderentes, seios quase descobertos: piscam para me convidar a fazer um "programa". Sou italiano e aqui os italianos vêm por causa das mulheres. Sinto vergonha de ser europeu.

Há no ar um cheiro forte de sujeira que enche o nariz e os pulmões: lixo em todo canto com pessoas que dormem no meio e não se consegue distinguir o lixo dos seres humanos. Contam-me que, duas semanas atrás, os lixeiros levantaram uma caixa um pouco mais pesada e já estavam para jogá-la no caminhão que tritura o lixo: dentro havia uma menina que dormia. Muitos meninos querem ir comigo; não os pego, embora o coração sangre por aquilo que vejo.

Eduardo

Visito a praça da estação. Impressiona-me logo um menino sozinho que come um pãozinho com um rosto triste de morrer. Aproximo-me e o abraço. Apresento-me. Seus olhos são profundos e cheios de angústia. É pequeno, mas já tem 14 anos. Nas mãos tem uma caixa que usa em seu trabalho de engraxate. Conta-me que fugiu de casa, porque a mãe o amarra com a corrente do cachorro e me mostra as feridas e as marcas da tortura. Não sabe o que é escola. Escuto-o profundamente e não tenho palavras. "O que fizeram ao menor é a mim que o fizeram". Algo me diz de levá-lo comigo. Aceita logo o convite e me segue carregando a caixa que já lhe feriu os ombros. Tem a pele toda manchada de micose. Volto para casa com ele de ônibus. Já passou da meia-noite. Advertem-me que, perto da pracinha por onde passamos, há pouco foi morto um menino de 18 anos. Descubro que, ao lado de nossa casa provisória, há uma boca de droga que funciona a noite inteira. Passo rápido e cumprimento. Deus nos protege. E Eduardo, 14 anos, entra para fazer parte de nossa família. Estou contente, mas assustado. Na casa já tem nove meninos e quatro educadores: há também um voluntário italiano, enviado do céu.

Casa São Francisco

Nossa casa poderá conter até vinte meninos, mas a comida é escassa e não temos colchões para todos. Mas Deus Pai cuida e chegam logo doações de frutas, verduras, arroz, frangos e também uma cama de casal. Chegam também voluntários, jovens, mães, pais, donas de casa, assistentes sociais, advogados e educadores, que querem nos ajudar. Uma jovem me diz que quer se consagrar a este tipo de trabalho. Fico impressionado. Temos uma lista de mais de trinta voluntários. Um grupo de nove jovens me procuram para me dizer que há anos sonham se consagrar aos mais abandonados. Têm uma casa no centro de Fortaleza, bem perto da praça José de Alencar. É a resposta de Deus. Poderá nascer uma casa de primeiro acolhimento para os meninos de rua. Depois deste primeiro momento de contato, os meninos que queiram sair da rua serão acolhidos na nossa casa-família que já batizamos de "Casa São Francisco".

Sonhos

Já sonho alto. Sonhar não custa nada. Vamos receber um grande terreno; construiremos um centro profissionalizante para mais de mil meninos, dez casas-família, pequenas fábricas de produção, casas de passagem para os meninos de mais de 18 anos e uma quadra de esporte com uma grande piscina para ajudar esses meninos violentos, porque violentados, a descarregar todo o negativo e a raiva.

Vejo de novo o rosto de Eduardo, feio, sujo, triste. Sonho com um Eduardo bonito, cheio de saúde e de vida como os meninos que têm uma família sadia, um verdadeiro filho de Deus. "Lázaro, vem para fora!". "Mas já está cheirando mal". "Lázaro, vem para fora!". E Lázaro ressurge. Tenho vontade de chorar de alegria.

Tenho certeza de que este não é um projeto humano, mas de Deus. Nós somos pobres, mas Deus é rico e é capaz de tocar o coração de muitas pequenas e grandes pessoas em muitas partes do mundo e o sonho vai se tornar realidade. Somos já muitos e juntos formamos um corpo sadio, que quer dar vida e globalizar a solidariedade.

Infelizmente, devo voltar para o Rio. Meus filhos de Fortaleza me abraçam e estendem sobre mim as mãos para me abençoar: "Volta logo, pe. Renato. Você é nosso pai". Sinto que é verdade e me emociono e as lágrimas correm rápidas. Eduardo, que hoje de manhã queria voltar para a rua, me chama de lado e me confidencia que quer ficar.

Enquanto escrevo, estou voando de Fortaleza para o Rio. Devo encontrar uma senhora suíça, que vem nos visitar, trazendo boas notícias.

Sou louco? Julguem vocês. Estou apaixonado pelo ser humano. Estou apaixonado pela vida. Estou apaixonado pelos meninos que querem viver. Penso ainda em Eduardo: "Não volto para a rua, porque aqui me sinto amado".

E você?

E você? Não fique aí olhando. A vida é bonita quando a doamos para os outros. Não há outra felicidade. Por que você não experimenta também? Esses meninos são uma grande graça: me dão o privilégio de amá-los, de me sentir útil e de ser feliz. Há uma só tristeza: a de não amar e de não fazer nada para ninguém.

A CASA DO MENOR

Em 1983, um menino chamado Pirata procurou pe. Renato Chiera em sua casa, em Miguel Couto, Nova Iguaçu, RJ. A polícia tinha o ferido no pescoço e ele estava ensangüentado, mas conseguiu escapar. Pirata vivia na rua, se drogava e estava envolvido com o narcotráfico. Pe.Renato deixou que ele passasse a dormir na frente da sua casa até que, numa noite quente de domingo, o menino teve um pesadelo enquanto dormia sobre a laje. Sonhou que estava sendo assassinado.

No dia seguinte, ao chegar da paróquia, pe.Renato encontrou o muro de sua casa manchado de sangue. Correu ao hospital, mas já era tarde. Pirata estava morto. Emocionado, pe.Renato decidiu fazer algo para mudar aquela situação.

O início da Casa do Menor aconteceria três anos depois, quando pe.Renato foi morar na paróquia São Miguel Arcanjo. Nessa ocasião, outra criança foi procurá-lo com uma lista de 40 nomes de adolescentes marcados para morrer. Naquela noite, ele não conseguiu dormir e resolveu então pedir ajuda aos amigos na Itália, que lhe enviaram 6 mil reais. Com este dinheiro ele construiu um cômodo para abrigar 30 crianças, que dormiam na porta de sua casa. Foi o início. O nome - Casa do Menor - foi dado por aquele mesmo grupo inicial, que tinha acabado de encontrar lar e família.

Atualmente, cerca de 900 adolescentes e crianças em estado de risco são acolhidos pela entidade e preparados para a convivência familiar. É a primeira fase do atendimento, quando eles são retirados das ruas, da dependência química e do narcotráfico, e lhes são dadas proteção e vida digna. Para os dependentes químicos, é oferecida assistência especial no Sítio Liberdade, em Teresópolis, RJ. O sítio está ligado ao projeto da Fazenda da Esperança, um conjunto de 17 fazendas, localizadas no Brasil e no exterior, que formam comunidades terapêuticas, cujo tratamento é centrado nos valores do Evangelho.

Oito casas-lares, com a presença de pais sociais, propiciam a cerca de 120 crianças e adolescentes um ambiente verdadeiramente familiar, através de educação, atividades culturais, religiosas, esportivas e de lazer. Ao mesmo tempo, as famílias biológicas ou substitutas são preparadas para o retorno das crianças e dos adolescentes ao convívio familiar. É oferecida ajuda também aos jovens que, após passarem pelas Casas de Passagem, decidem formar a própria família, gerando seu próprio sustento. A Casa do Menor oferece a mais de 500 adolescentes a oportunidade de aprender uma profissão através de 12 cursos profissionalizantes.

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