Revista "MUNDO e MISSÃO"

Ecologia

Paolo M. Alfieri

esde jovem, Hector Marcelli tem-se envolvido em organizações atuantes na proteção ambiental e no desenvolvimento eco-sustentável das comunidades rurais mexicanas.

Em 1983, fundou, com um grupo de amigos, a Ecosolar:

- organização que se propunha a equilibrar o progresso econômico, de um lado, com a conservação do ambiente natural em que vivem as populações indígenas, de outro.

Essa primeira experiência convenceu Hector a criar mecanismos que garantissem lucro justo a todos os atores envolvidos no processo de produção.

Ele decidiu envolver em seus projetos apenas os empreendedores que estivessem empenhados na conservação ambiental e no comércio justo. Foi assim que nasceu o seu portal Bioplaneta. “OK, o dinheiro é importante, muito importante. Se não há dinheiro suficiente, um projeto, por melhor que seja, está destinado ao fracasso. Mas, além dele há outros valores, como a vontade de ajudar os outros.

É o que a gente está-se propondo:

- defender a dignidade da pessoa, compartilhando, além dos lucros, os conhecimentos”, afirma.

A filosofia de Hector é simples e, ao mesmo tempo, revolucionária:

- educar e sustentar as comunidades rurais mexicanas para desenvolver uma rede de venda honesta e sustentável, tanto do ponto de vista ambiental como do comercial.


As cooperativas e fazendas vinculadas
a Bioplaneta são de diversos tipos:
- as que produzem bens agrícolas
e alimentícios, e as que se
ocupam de turismo "Ecológico

“Pessoalmente, sou fã entusiasta da globalização – esclarece Hector –.

Ela representa o sonho que eu tinha desde criança:

- um mundo sem fronteiras, com comunicação global.

O problema, porém, é a maneira como se processa a globalização”. Bioplaneta, fruto da organização Ecosolar, funda-se no princípio segundo o qual o esquema tradicional das transações comerciais, baseado no lucro, deve ser compensado por outros elementos, entre os quais, antes de tudo, o respeito, e portanto uma compensação justa para a comunidade envolvida no processo de produção.

Cada atividade produtiva deve ter em conta o próprio impacto sobre o ambiente, e prever formas de proteção para o habitat no qual se insere. “Os valores que podem unir e harmonizar as relações entre povos diversos são a sustentabilidade ambiental, a tolerância, a solidariedade, o bem comum – explica Hector –. Todos esses elementos devem ser considerados, inclusive no momento de se estabelecer o preço de um produto, por exemplo”.

As cooperativas e fazendas vinculadas a Bioplaneta (58, no total) são de diversos tipos:

- além das que produzem bens agrícolas e alimentícios, estão no portal também as que se ocupam de turismo “ecológico”.

O suporte oferecido pelo veículo de Hector vai da implantação do projeto até a comercialização dos produtos. Mas não esquece a conexão das várias fazendas com organizações estrangeiras, como ONGs e Fundações. O ativismo do portal Bioplaneta fez com que até o próprio governo mexicano se comprometesse a dar um apoio logístico e financeiro, de maneira a simplificar o auxílio às fazendas para exportar seus produtos.

“Pela primeira vez na história deste país, o governo decidiu sustentar o comércio justo – declarou satisfeito Hector –. O governo entendeu a importância de nosso projeto”. São inúmeros os reconhecimentos obtidos nos últimos anos, seja de simples fazendas que abraçaram o projeto Bioplaneta, seja do próprio portal.

Desde o prêmio:

“Conservação da Natureza”, conferido à fazenda Las Cañadas, em 2004, que administra uma reserva natural de mais de 300 hectares, ao Prêmio Latino-Americano e Caribenho da Água, conquistado pela Alternativas, uma organização ativa na proteção à biodiversidade.

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