Revista "MUNDO e MISSÃO"
Espiritualidade e Missão
|
Pe. Costanzo Donegana 4.º Domingo da Páscoa – 07/05/2006 Diante desta clara e forte afirmação de Pedro, têm que se confrontar todos os que se interrogam: - “É o Cristo o único salvador?”. As palavras do apóstolo não são a conclusão de um raciocínio intelectual, mas o fruto de sua experiência com Jesus, sobretudo da morte e ressurreição dele. Pedro e a Igreja primitiva são testemunhas de algo único e irrepetível: - a irrupção de Deus-amor na história da humanidade. A experiência feita não é uma iluminação interior nem a conclusão de um processo de ascese, e sim o encontro sensível com a “carne” de Deus. Jesus é mais do que o Messias esperado há séculos, é alguém totalmente imprevisto, “dom” puramente gratuito. Nele se realiza, de forma única e irrepetível, o plano de salvação de Deus. É o único nome, a única pessoa que salva, porque não existem vários planos de salvação: - todos os caminhos das outras religiões podem ser legítimos e aceitos por Deus, porém, na medida em que não corram paralelos, mas confluam para o Caminho, que é Cristo. Ele disse: - “Eu sou o Caminho” (Jo 14, 6), e não um caminho. A originalidade do plano de Deus consiste em ter concentrado a salvação em uma pessoa e não em uma doutrina ou em práticas religiosas. Nas outras religiões, as pessoas sagradas são instrumentos, mediadoras da salvação, mas não salvadoras. Jesus, desde o nascimento, é proclamado como salvador (Lc 2, 11). Uma conseqüência importante é o tipo de religião que é o cristianismo, que decorre desta realidade: - o homem não se salva, mas é salvo, a salvação é dom e não conquista. Isso ajuda a discernir, no emaranhado de crenças que vão proliferando e que prometem tudo e mais do que tudo, muitas vezes se colorindo de tintas cristãs, mas deixando a cada um decidir como se relacionar com Deus na máxima subjetividade. O Evangelho deste domingo é claro: - o pastor dá a vida pelas ovelhas, nos dois sentidos, porque salva a vida delas, oferecendo a dele. Ele é o salvador que não salva a sua vida, mas a perde (a doa). Não é simplesmente um mestre que mostra o caminho, mas quem dá a vida por seus amigos (“ninguém tem maior amor...”, cf Jo 16, 13), porque o que salva é o Amor. 5.º Domingo da Páscoa – 14/05/06 Sem espiritualidade não há missão; esta seria “um bronze que soa ou um címbalo que tine” (cf 1Cor 13, 1). Jesus é radical: - “sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15, 7). Apesar disso, a impressão que se tem, olhando a vida dos cristãos (com este termo não queremos falar só dos leigos...) é que muito tempo é dado à organização, às reuniões, às atividades (ao ativismo) e pouco à oração, à caridade fraterna, à comunhão. “O verdadeiro missionário é o santo”, afirmou João Paulo II na Redemptoris Missio (90). E a santidade é definida por Jesus no evangelho deste domingo: - permanecer nele. Este verbo é repetido sete vezes neste trecho, para frisar a necessidade vital da inserção do discípulo em Jesus. Pegando ao pé da letra as suas palavras, trata-se de vida ou de morte e não simplesmente de maior ou menor eficácia da missão. Quem está unido a ele, produz muito fruto; quem não permanece nele, seca e é queimado no fogo. Seria, porém, errado interpretar estas palavras de Jesus em sentido intimista, de fuga do mundo para ficar “fechados num quarto” com ele. Jesus não dá nenhuma possibilidade para ser entendido assim. Ele fala em frutos a serem produzidos, portanto, de ações concretas. A alternativa não é contemplação ou ação, mas permanecer ou não permanecer nele. A espiritualidade cristã não é “espiritualista”, mas encarnada. Cristo é Deus num corpo. O cristão é animado pelo Espírito, qualquer coisa que ele faça. O importante é saber viver em unidade, contemplando na ação e transferindo a ação para a contemplação. 6.º Domingo da Páscoa – 21/05/06 Não é fácil sair do nosso mundo com seus problemas, mas também com sua segurança, para nos aventurarmos em terrenos longínquos e desconhecidos. Para Pedro e a Igreja primitiva de Jerusalém era natural considerar que a promessa de Deus, realizada em Cristo, era destinada ao povo da aliança e que os outros (os pagãos) só poderiam participar dela tornando-se membros do mesmo povo. Isso não criava problemas novos, nem teológicos, nem práticos: - bastava continuar como sempre, introduzindo apenas alguma pequena mudança. O Espírito pensava de outra maneira: subverteu as antigas tradições, derrubou barreiras, abriu a Igreja à humanidade e lançou os apóstolos pelos caminhos do mundo, pregando a todos, “sem acepção de pessoas”. Quantas dificuldades eles podiam levantar: os lugares e os povos desconhecidos, a necessidade de pregar ao povo judeu, o número reduzido de pregadores...! Mas a força do Espírito era maior e assim iniciou a missão da Igreja. É sempre útil repetir a famosa pergunta: - e se eles tivessem ficado só na Palestina? Costuma-se dizer que, muitas vezes, a Providência não pode agir, porque nós lhe amarramos as mãos com nossa pouca fé. A Providência não age só relativamente ao dinheiro ou aos bens materiais; ela se estende também às vocações, ao crescimento da vida cristã nas paróquias e nas dioceses. Quem guarda sua vida (também a vida de fé, as vocações), fechando-se em si mesmo, não “produz fruto” (evangelho). Mas Jesus nos escolheu para que possamos produzir fruto, não só no quintal de nossas paróquias e dioceses, mas também no campo do mundo, onde “a colheita é grande, mas poucos os trabalhadores” (Mt 9, 37). Ascensão do Senhor – 28/05/06 Jesus sobe ao céu: cumpriu a missão pela qual foi enviado pelo Pai, mas vai continuá-la através da Igreja, seu Corpo: - “O Senhor agia com eles, confirmando a Palavra
por meio dos milagres que a acompanhavam” A ascensão contém a essência da dimensão missionária: - o anjo acorda os apóstolos, que olhavam para o céu, a fim de irem ao encontro de Jesus, pelos caminhos da história, até o fim dos tempos (1.ª leitura). A missão pode ser representada como um grande arco que une a história com a eternidade: - os evangelizadores caminham através dos tempos, pé no chão, inseridos no meio dos homens e mulheres, seus irmão/ãs, anunciando a Boa Nova, que dá o sentido à vida. Mas sem esquecer a meta. No meio da humanidade, muitas vezes sem rumo, eles indicam a vida eterna, que não significa só as realidades finais, mas a presença de Deus, que faz novas todas as coisas, desde já (cf Ap 21, 5). A Igreja existe em função da missão: - com um trocadilho, poderíamos dizer que a missão da Igreja é a missão. Ela não pode ficar parada, olhando para si mesma, mas deve se esquecer para servir o mundo. Como seu Fundador, que “não se apegou a sua igualdade com Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de servo” (Fil 2, 6s.). Muitos afirmam que a Igreja não tem mais nada a dizer, tornou-se inútil. Mas uma Igreja missionária (não confundir com proselitista!) ainda tem sentido. |
Visite
as outras páginas
[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO]
[MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E.
- Missio] [Noticias] [Seminários]
[Animação] [Biblioteca]
[Links]