Revista "MUNDO e MISSÃO"

Espiritualidade e Missão

São Patrício: o patriarca da Irlanda

“Eu era como uma pedra imersa no atoleiro, e Aquele que é poderoso veio em sua misericórdia e levantou-me; e, mais que isso, verdadeiramente elevou-me e colocou-me no topo da muralha” (São Patrício)

por Grígory Mendes

A data de nascimento (387?) e a nacionalidade de Patrício não são precisos. Sabe-se que era de família religiosa, apesar de “abandonar a Deus” na juventude, conforme relatou no seu livro Confissão.
Era rapazote quando foi raptado por piratas irlandeses e vendido a um tal Milchu, chefe druida (sacerdote pagão) de Dalríada, hoje, no condado de Antrim, na Irlanda. Após seis anos de cativeiro, fugiu. Na Grã-Bretanha, ao ler uma carta irlandesa, deu-se conta que deveria ordenar-se padre para semear a fé entre os ilhéus. Sob a influência da espiritualidade monástica da abadia de São Martinho de Tours, na França, onde viveu vários anos, foi ordenado sacerdote por dom Germano de Auxerre, após longa preparação. Mais tarde, acompanhou-o à Inglaterra para combater a heresia pelagiana. O papa Celestino I, a quem dom Germano indicara Patrício, incumbiu-o para a missão de reunir os irlandeses junto a Cristo. Em Turim, foi sagrado bispo e voltou à Irlanda por volta de 433.
Por seu intermédio, Deus operou inúmeros milagres, ao final dos quais multiplicavam-se as conversões. Após um deles, Patrício ganhou um estábulo em Slemish, transformado em santuário. Junto dele, fundou um mosteiro que se tornaria seu lugar de recolhimento. Em Tara, onde se reuniam os druidas – eles predominavam no país – Patrício foi por eles duramente perseguido e ameaçado. As manifestações divinas, que se operavam por meio dele, levaram ao batismo chefes druidas e suas famílias. Na ocasião, também o rei de Dublin, o de Minster e os sete filhos do rei de Connaught se converteram.
Em Killala, converteu a família real e 12 mil vassalos. Passou sete anos organizando paróquias e instruindo o povo. Em 440, evangelizou a região de Ulster. Quatro anos depois, construiu a catedral de Armagh, que, a seu pedido, o papa Leão Magno elevou à metropolitana.
Ao explicar a Santíssima Trindade, diz a tradição, Patrício utilizou um simples trevo. Pela tríplice folha numa única haste, ele teria explicado a doutrina trinitária: um Deus (a haste) em três pessoas realmente distintas (as três folhas). Em lembrança, os irlandeses do mundo todo ainda hoje prendem à roupa, no dia 17 de março, festa do santo, um feixe de trevos. Muitos católicos irlandeses também rezam diariamente uma prece atribuída a ele, durante uma emboscada. A oração é chamada de “couraça” de São Patrício, porque livrou-o, e a seus oito companheiros, da morte certa, planejada pelo rei Leogário, em Tara.
Os bardos (cantores épicos), tão comuns na Irlanda, foram seus mais fiéis discípulos, de maneira que muitos mosteiros fundados pelo santo tornaram-se o lar da poesia céltica, onde “até os anjos do céu vinham ouvi-los”. Por isso, a harpa céltica tornou-se o símbolo e o brasão da Irlanda católica.
Como todo grande santo, Patrício era também um místico. “Quando não estava preso pelo apostolado, entregava-se todo à oração. Vestia um rude cilício e dormia na rocha nua. Sentia tanta necessidade do recolhimento, para entregar-se à oração e penitência, que de tempos em tempos afastava-se do ministério apostólico e isolava-se, para entregar-se só a Deus” (“São Patrício, uma Vida Missionária”, de pe. Jack Rodgers SPS, Artpress, São Paulo, 2006, pág. 64).
Patrício faleceu na paz, em 17 de março de 461, após 30 anos de apostolado na “Ilha dos Santos” (Irlanda), deixando atrás de si inúmeros santos formados em sua escola. É o incontestável padroeiro da Irlanda e seu maior missionário.


BOX – Leitura
Conheça o livro: “São Patrício: uma Vida Missionária”
e a Sociedade Missionária de São Patrício
Tel.: (11) 6231.3485 / Fax: (11) 6232.6947
E-mail: spsbrazil@uol.com.br
Site: www.spms.org.br

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