Revista "MUNDO e MISSÃO"
Espiritualidade e Missão
|
Costanzo Donegana São Pedro e São Paulo Apóstolos – 02/07/06 A Igreja ainda existe porque os apóstolos levaram a sério o convite de Jesus: - “Recebereis força para serdes as minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os extremos da terra” (At 1,8). Pedro e Paulo são muito diferentes entre si, seja pela personalidade humana como pela maneira de conduzir a missão. Porém, eles têm em comum sobretudo uma qualidade que os torna irmãos e que é um dos motivos para uni-los na festa litúrgica: - a paixão por Cristo. Alguém dirá que todos os apóstolos, todos os santos se caracterizam por esta paixão. É verdade, mas, no caso dos dois, há algo especial que nasce de uma experiência negativa: - a negação de Pedro e a perseguição dos cristãos por parte de Paulo. Eles passaram pela misericórdia de Cristo, que os perdoou e lhes confiou a missão: “Simão, filho de João, tu me amas?... Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21,16); “(Cristo) apareceu também a mim como a um abortivo, pois sou o menor dos apóstolos, nem sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a Igreja de Deus. Mas pela graça de Deus sou o que sou” (1Cor 15, 8-10). Pedro e Paulo experimentaram na sua carne o que significa ser salvo e, mais pessoalmente, conheceram quem era o Salvador: - “O Filho de Deus... me amou e se entregou a si mesmo por mim” (Gal 2,20). Para eles, a missão não era tarefa a ser executada, mas urgência irreprimível e razão de vida: - “Ai de mim se eu não anunciar o evangelho!” (1Cor 9, 16). A Igreja (e nós) será fiel à sua apostolicidade só deixando-se envolver nesta mesma paixão. 15.º Domingo do tempo comum – 16/07/06 Marcos, ao apresentar a missão dos Doze, usa as mesmas palavras com as quais, ao longo do Evangelho, descreve a missão de Jesus:
- pregar a conversão, curar os enfermos, expulsar os demônios. A missão dos discípulos está intimamente ligada à missão de Jesus. Nela encontra a motivação e o modelo. Isso supõe, da parte do discípulos, uma tríplice convicção: 1.º A missão vem de Deus (“os enviou”): - trata-se de um projeto no qual somos envolvidos, mas do qual não somos os inventores nem os dirigentes. 2.º Temos que continuamente sair de nós para irmos a outros lugares: - é uma viagem permanente. 3.º Temos uma mensagem nova e alegre a oferecer. A pobreza é condição indispensável para a missão: - nem pão, nem sacola, nem dinheiro, só um bastão, um par de sandálias, uma túnica. Uma pobreza que é fé, liberdade e leveza; se não, o discípulo-missionário torna-se sedentário, conservador, incapaz de perceber a novidade de Deus e muito hábil em encontrar mil razões para justificar seu comodismo. 17.º Domingo do tempo comum – 30/07/06 Como em todo seu evangelho, João evidencia duas “linguagens” ou duas “culturas”: - a de Jesus e a das multidões, dos judeus, que caminham paralelas sem se encontrarem. A multidão segue a Jesus, “porque tinha visto os sinais que ele realizava nos doentes”. Ele sacia a fome deles, mas foge quando percebe que estão à sua procura para fazê-lo rei. Jesus parte da situação concreta das pessoas, mas não se deixa aprisionar por ela, porque quer libertar também o povo da escravidão da concentração sobre si mesmo: - eles, na realidade, não procuram Jesus, mas a si mesmos (o pão para satisfazer as necessidades primárias, um rei que resolva todos os problemas). Eles “estão interessados no pão, mas não no Messias que dá o pão” (Van Den Bussche). “As necessidades dos irmãos não são o critério último da missão. O critério é a partilha do amor do Pai e de Cristo. Este amor vai em busca das necessidades humanas, deixa-se agarrar pela sua urgência. Utiliza os instrumentos da análise social, que as coloca claramente em evidência. Mas descobre também aspectos novos e insuspeitos. Revela o homem a si mesmo, segundo as dimensões do seu ser. Desmarcara os desejos errados e pecaminosos. Aprofunda as tensões puramente epidérmicas, suscitando desejos mais amplos. Abre o coração do homem à presença de Deus na história. Anuncia um perdão capaz de destruir o egoísmo e de regenerar as energias mais belas” (Card. C. M. Martini). Jesus nos conhece e tem grande apreço por nós: - sabe que somos maiores do que os nossos desejos e sonhos, porque o Criador colocou em nós uma centelha de divino e o Redentor nos restaurou, tornando-nos filhos de Deus. A missão seria uma trágica traição se se limitasse a falar só a linguagem de seus destinatários e não lhes abrisse as janelas da novidade cristã, esquecendo a Boa Nova de Jesus, que rompeu esquemas sociais, políticos e religiosos. Você não acha que, muitas vezes, somos acomodados demais e incapazes de voar e de fazer voar? Assunção de Maria – 20/08/06 É a festa da beleza! Os grandes artistas souberam reproduzi-la melhor que os teólogos (cf quadro de Tiziano). Maria sobe aos céus cheia de beleza, porque é a criatura que realiza plenamente o plano de Deus sobre ela. Deus é artista e, como todo artista, sonha. Maria foi seu sonho mais sublime. Ela é “repleta de graça”, como a chama o anjo na anunciação, indicando a ação generosa de Deus, que a tornou objeto da gratuidade de todos seus dons. A beleza de Maria não deve ser entendida como algo estático, parado. Toda a sua vida foi um dinamismo entre Deus, que a preenchia com seus dons, e ela, que correspondia sem parar, numa “concorrência” entre o criador e a criatura, o artista e a obra. Nisto está sua beleza: - um projeto não só sonhado, mas também realizado. Pela sua assunção, ela entra no céu, a galeria das obras-primas, exposta à admiração de Deus, dos anjos e dos santos. E também nos é apresentada como sujeito de contemplação e modelo, que nos estimula a deixarmos o artista divino realizar seu sonho igualmente em nós. É de Dostoievski, no romance “O Idiota”, a expressão: - “A beleza salvará o mundo”. Não se trata de algo estético, acadêmico, como comumente costumamos empobrecer ou até deturpar esta palavra, mas da harmonia, do sentido da vida, do ser realizado, do amor. Maria é esta beleza, que não desvaneceu nem sequer na hora da paixão; ao contrário, naquele momento extremo, adquiriu ao máximo sua verdade na identificação com o projeto de Deus e com a humanidade sofredora. Sua figura, de pé, junto à cruz do filho, é a escultura do amor de Deus que salva. Nada daquele sentimentalismo piegas que acompanha muitas expressões da devoção a Maria, como certas reproduções sem graça, na tentativa de serem “bonitinhas”. A afirmação de Dostoievski é desafiada por uma pergunta, que ele coloca logo depois: - “Qual beleza salvará o mundo?”. Maria é uma resposta. |
Visite
as outras páginas
[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO]
[MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E.
- Missio] [Noticias] [Seminários]
[Animação] [Biblioteca]
[Links]