Revista "MUNDO e MISSÃO"

Espiritualidade e Missão

Maria Clara


"No céu, minha missão consistirá em atrair as almas para o Snhor"

lisabete Catez nasce em 18 de julho de 1880, de pais profundamente cristãos. Seu nascimento, no acampamento militar de Avon, França, é precedido por sérias complicações para a mãe e para ela. O capitão Catez, movido pela fé, pede ao capelão do acampamento que se celebre uma Missa, a fim de que o parto transcorra bem. E a alegria volta a reinar, quando, ao final da celebração, nasce a menina saudável e cheia de vida. Filha e neta de militares, é dona de forte personalidade. Mas Elisabete vai, aos poucos, aprendendo a vencer-se pelo amor. Perde o pai aos sete anos de idade. Parece mais controlada e reflexiva.

Com o amor e a paciência da mãe, vai tomando consciência das próprias atitudes e, por ocasião da primeira Eucaristia, bem preparada, opera-se nela verdadeira transformação, a qual chamará, mais tarde, de: - “a minha conversão”.

A jovem é bela, alegre, brincalhona, de notável talento musical, que lhe vale alguns prêmios no Conservatório de Dijon. Nada faz prever a profundidade de sua vida interior e a que grau de santidade Deus a chama. Entra no Carmelo com 21 anos de idade.

O ambiente é apropriado para aprofundar seu programa de vida: - “Viver e morrer de amor”.

Possui inteligência penetrante, agudo instinto de observação, visão original carregada de vida. Sabe fazer-se entender. Seus méritos como escritora devem-se mais à espantosa capacidade de assimilação, que propriamente à força criadora. Tudo quanto entra em seu mundo interior torna-se vida, e transborda na medida certa, com palavras apropriadas no que deixa escrito. A maioria de suas cartas é destinada a leigos, aos quais convida à santidade. Conhece o sofrimento físico e moral, mas o aceita, como sacramento que a une mais a Deus.

Escreve à mãe: - “Existe um Ser chamado Amor, que nos convida a viver em união com Ele.

Ele está ali, fazendo-me companhia, ajudando-me a sofrer, e ensinando-me a superar a dor e a descansar Nele”. O mal de Addison, então incurável, fará Elisabete sofrer dores terríveis. Ela não esquece, porém, a dimensão apostólica de sua vida. Sabe que seus sofrimentos, unidos aos de Cristo, ganham valor infinito.

Depois de uma forte crise, exclama:

- “Esgota toda a minha substância, que ela se destile gota a gota pela Tua Igreja!”.

Em 9 de novembro de 1906, aos 26 anos, Elisabete vai “à Luz, ao Amor, à Vida”. É beatificada por João Paulo II, em 25 de novembro de 1984.

Em sua homilia, o papa fala do ponto fundamental de sua espiritualidade:

- “Ela celebra o esplendor de Deus, porque sabe que é habitada, no mais íntimo de si mesma, pela presença do Pai, do Filho e do Espírito”.

Este ano comemora-se o Centenário de sua morte, no dia 8 de novembro. Uma das maiores místicas do século 19, fonte de estudo para grandes teólogos do nosso tempo. Patrimônio, não só do Carmelo, mas de toda a Igreja, por sua riquíssima doutrina. O cume da sua espiritualidade é a presença da Trindade em sua alma, “sinto-me habitada”, dizia.

Seu itinerário passa pela ascese da renúncia à própria vontade:

- “Ó Deus, ajudai-me a esquecer-me inteiramente de mim mesma, para fixar-me em Vós”.

Este esvaziamento dá espaço a que o Espírito Santo possa agir livremente em sua vida.

Conformar-se a Jesus crucificado é seu ideal:

- “Desejo, não só morrer pura como um anjo, mas transformada em Jesus Crucificado”.

Deixa um testemunho: - “No céu, minha missão consistirá em atrair as almas, ajudando-as a sair de si mesmas para unirem-se ao Senhor, mediante um movimento espontâneo e cheio de amor, e em mantê-las naquele silêncio interior que permite que Deus se imprima nelas, que as transforme em Si mesmo”.

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