Revista "MUNDO e MISSÃO"
Espiritualidade e Missão
| O missionário é estrangeiro
Giorgio Paleari "Era estrangeiro e me receberam". (Mt 25, 35) O hóspede pode ser também um estrangeiro, de outro povo e de outra cultura ou de outro país. O missionário é sempre estrangeiro. Não consegue falar a língua com o mesmo sotaque ou usando as mesmas expressões. Nunca se sentirá completamente em sua própria casa. Além disso, é quase impossível situar-se completamente numa outra cultura. Depois de um tempo, a realidade de ser estrangeiro é de tal maneira permanente que ele se torna estrangeiro também em sua própria cultura. Quando volta para a terra de origem, o missionário sente-se estrangeiro também em sua própria casa. Mudou ele e mudou também sua cultura de origem. Vive como estranho permanentemente. Torna-se um itinerante e um caminheiro. Desloca-se como peregrino de um lugar para outro, testemunhando a provisoriedade e a contínua busca de uma morada definitiva. Insegurança e provisoriedade fundamentam-se na promessa de Deus que nunca vai abandonar o missionário. Esta situação pode significar também que não existem mais muros e barreiras que dividem. Não há uma única cultura como não há uma cultura que melhor expresse as potencialidades do Evangelho. O estrangeiro, justamente por não ser parte integrante de um grupo, pode contribuir para que o outro se compreenda em sua real dimensão, como um espelho que reflete o rosto do outro e lhe permite contemplar-se na sua real dimensão. Jesus é o típico estrangeiro. Mesmo sendo Deus, não reivindicou sua semelhança com o Pai como algo que devia ser retido, mas esvaziou-se a si mesmo, tornando-se servidor, assumindo a condição de escravo e fazendo-se em tudo como nós (Fil.2,6-7). A condição de escravo é muito parecida com a condição do estrangeiro, porque este confia na iniciativa e indulgência de quem hospeda, esperando que lhe sejam definidas a identidade e as funções. Jesus nunca teve uma casa própria, apesar de ter tido uma pequena definição de status: era filho de um carpinteiro, profissão que ele mesmo exercia. . Quando um escriba quis segui-lo, ele deixou claro o ritmo de seu estilo de vida: "As raposas têm suas tocas e os pássaros seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde pousar a cabeça (Mt 8,20). |
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