Revista "MUNDO e MISSÃO"

Espiritualidade e Missão

ohn Henry Newman nasceu em Londres, em 1801. Filho de um banqueiro e o mais velho de seis irmãos. Da mãe, Jemina, recebeu formação calvinista renovada; mas despertou-se para a religião apenas com 15 anos de idade, tornando-se discípulo da mística de Thomas Scott, “a quem quase devo a minha alma”, escreveu. Ordenado pastor em 1824, assumiu o vicariato anglicano de St. Mary em 1828, em Oxford. Foi o guia e o filósofo do renascimento religioso na Inglaterra, chamado de Movimento de Oxford, em uma época de franco agnosticismo que se ancorava em teorias emergentes da evolução, principalmente a de Darwin. Tornaram-se famosos os seus discursos apologéticos em defesa da mística religiosa.

Desenvolveu intensa correspondência, impulsiva e aberta, com seus amigos. Antes de completar 30 anos, já proferia enérgicos sermões. A voz era ouvida em Oxford e chegava aos mais afastados recantos da Inglaterra. Muito escreveu e muito meditou sobre questões doutrinárias no interior do cristianismo. Pesquisando as origens do cristianismo, chegou à conclusão de que a verdadeira sucessão dos apóstolos passava pela Igreja de Roma. Sua conversão ao catolicismo foi um escândalo, numa Inglaterra em que católico era sinônimo de “papista” e traidor do Reino. Sem medo, escreveu: “crescer é mudar, e ser perfeito é ter mudado constantemente”. Foi ordenado sacerdote em 1846.

Escreveu: “ Desde que me tornei católico, tenho estado em perfeita paz. É como chegar ao porto após um imenso oceano; e minha alegria permanece até este dia, sem interrupção”. Em 1879, tornou-se cardeal pelas mãos de Leão XIII. Viveu em Edgbaston, na Inglaterra, onde morreu em agosto de 1890. O cardeal Newman lutou muito para a renovação do catolicismo no seu país e para que a Igreja se abrisse mais às necessidades e desafios do mundo moderno. Para ele, era necessário à Igreja, como um todo, manter um equilíbrio entre o desejo de santidade, a busca da verdade e a necessidade de uma estrutura organizativa. Se qualquer um desses grandes eixos ganhasse supremacia sobre os outros, o todo sofreria. Ele era um entusiasta do diálogo ecumênico.

Seu pensamento é de uma riqueza impressionante. Em sua vasta obra, tratou dos mais diversos temas teológicos e uma contribuição muito relevante de seu pensamento foi a chamada doutrina do desenvolvimento do dogma. A defesa da infalibilidade pontifícia trouxe-lhe críticas mordazes dos anglicanos e um enorme prestígio entre católicos ingleses, embora, durante o Concílio Vaticano I, tivesse sustentado a opinião de que uma definição daquela doutrina não estava ainda amadurecida. Revelou-se também um grande mestre da oração. Suas meditações e orações nos mostram um homem que viveu em profunda amizade com Deus e que obteve, da oração, a forma para seu ministério.

Sua linguagem simples e concreta tocava o coração humano, recordando sempre as verdades essenciais da fé. Sobre tais verdades, assim se expressa o padre Hermann Geissler, do Centro Internacional “Amigos de Newman”: “Ele tinha uma sensibilidade especial pela santidade de Deus, e, por isso, também pela miséria do pecado. Continuamente, convidava todos a meditarem e a adorarem a cruz, sinal infinito do amor de Deus. Ressaltava a necessidade de conversão radical do nosso coração e da imitação do Crucificado a exemplo de Maria e de todos os santos”. Declarava-se, sincera e humildemente, “servo inútil”, mas os longos anos de estudo e de produção intelectual deram-lhe vastíssimo e profundo material, que publicou em Londres entre 1870 e 1879, pelo qual conquistou o direito de ocupar um lugar relevante na espiritualidade e na cultura cristã.

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