Revista "MUNDO e MISSÃO"

Espiritualidade e Missão

Paulo Manna:
“alma de fogo”

aulo Manna, terceiro filho de Lorenza e Vicente Manna, nasce em janeiro de 1872, em Avellino, sul da Itália. Com menos de 3 anos, fica órfão da mãe, morta no parto do quinto filho. Com 15 anos, vai estudar na Sociedade de Instrução Católica (depois chamada de Sociedade do Divino Salvador), em Roma. É quando se enraízam em sua alma fortes convicções de ascese cristã, paixão pelo Cristo e um estilo austero de vida.

Quatro anos depois, levado pelo desejo das missões, ingressa no Instituto Missionário de Milão. Durante a teologia, Manna colabora com a revista Le Missioni Cattoliche, traduzindo quinze edições da revista francesa Les Missions Catholiques, estuda línguas, cartografia, pintura e música, por considerá-las úteis à missão. É ordenado padre em maio de 1894. Em agosto de 1895, é destinado à Birmânia Oriental.

O Missionário


"Sacerdotes medíocres não servem. Precisamos de homens superiores, repletos do Espírito Divino, capazes de fundar e organizar novas cristandades, mas também de muito padecer; não de mercenários ou amadores, mas de verdadeiros pastores de almas"

Ao entrar em contato com a tribo ghekhu, Manna pergunta ao bispo qual o melhor método para convertê-la. “Estudar Jesus Cristo” é a resposta do prelado. A partir daí, Cristo e seu Evangelho, as cartas de São Paulo e os Atos dos Apóstolos tornam-se para ele o melhor método de evangelização: “Ide, pregai, batizai, curai” (Mt 28, 19-20; Mc 16, 15-18). Durante todo o tempo em que esteve nas missões, padre Manna segue fielmente estas ordens do Senhor.

Manna trabalha intensamente na Birmânia por doze anos: pregação, visita aos povoados, construção de igrejas, assistência a todo tipo de doentes. O excesso de desgastes físicos e enfermidades, provocadas pelos ataques de malária e pelas condições ambientais, privação de alimentos, escassez de remédios, levam-no de volta à Itália, neste período, pelo menos três vezes. Depois do último retorno da Birmânia, em 1906, Manna, doente, se considera um “missionário falido”.

Vida apostólica

A animação missionária passa a ser sua missão. Em 1908, dirige a revista Le Missioni Cattoliche. Em 1914, inicia a publicação do jornal Propaganda Missionaria; em 1919, funda a revista juvenil Italia Missionária, e em 1945, o periódico Venga il tuo Regno. Escreve dezenas de obras, cheias de fogo para a missão da Igreja e animados por uma robusta espiritualidade bíblica. Seus escritos espirituais são duros, incisivos, como este: “Sacerdotes medíocres não servem. Precisamos de homens superiores, repletos do Espírito Divino, capazes de fundar e organizar novas cristandades, mas também de muito padecer; não de mercenários ou amadores, mas de verdadeiros pastores de almas”.

Funda, em 1917, a União Missionária do Clero, que se torna, depois, Pontifícia União Missionária. Em 1926, favorece a união do Seminário Lombardo para as Missões Estrangeiras, do qual é superior, com o Pontifício Seminário dos Apóstolos Pedro e Paulo, de Roma, dando origem ao Pontifício Instituto das Missões (PIME), e dele se torna superior. Em 1934, ajuda a fundar as Missionárias da Imaculada, congregação agregada ao PIME. São três os pontos centrais do seu manifesto missionário: a santidade do apostolado, a unidade dos cristãos e as vocações missionárias.

Suas idéias sobre a inculturação e o diálogo, como atitudes essenciais para a evangelização, precedem, por várias décadas, as conclusões do Vaticano II sobre missão. Afirma com coragem que “os povos não serão evangelizados se toda a Igreja não se mobilizar numa missão universal”. O “apaixonadamente enamorado por Cristo e seu Evangelho” morre em setembro de 1952. Em 4 de novembro de 2001, é solenemente beatificado por João Paulo II.

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