Revista "MUNDO e MISSÃO"
Espiritualidade e Missão
Os Monges Trapistas: Testemunhas do Absoluto de Deus por José Pereira da Silva
A vida trapista caracteriza-se pela procura constante do rosto de Deus, na oração, no trabalho e na fraternidade. A vida monástica é um serviço ao Senhor, no amor e na gratuidade. “O mosteiro é uma escola – escola onde se aprende de Deus a ser feliz”, dizia o monge trapista Thomas Merton (1915-1968). É uma escola de caridade, de escuta e vivência do Evangelho. O que motiva a vocação trapista é o desejo de viver na intimidade com Deus, cujo sentido e fim último é estar sempre em busca Dele. Essa procura de Deus é caracterizada por um determinado número de meios: - a oração silenciosa e contínua, a oração litúrgica, a lectio divina e as diversas renúncias que conduzem à conversão e à purificação do coração, tudo em clima de solidão e de silêncio. O dia-a-dia do mosteiro é marcado pela espiritualidade litúrgica, ou seja, pela celebração da Liturgia das Horas e da Eucaristia. Os principais elementos da espiritualidade cisterciense são: - a Regra de São Bento; a solidão, que permite a observância da Regra; o amor a Cristo para ser “pobre com Cristo pobre”. A espiritualidade cisterciense do trapista constitui uma riqueza para todo o povo cristão. Ele quer ser uma presença singela, silenciosa e simples no coração da Igreja, da humanidade e da história para testemunhar o absoluto de Deus, que é plenitude, sentido e alegria de viver no serviço do Senhor, no amor e na gratuidade. A Trapa no Brasil Em 1977, quatro monges da Abadia trapista de Nossa Senhora de Genesee (Nova York – Estados Unidos), chegaram à cidade de Lapa – PR e, posteriormente, transferiram-se para Campo do Tenente, no mesmo estado. O Mosteiro que fundaram na cidade, dedicado a Nossa Senhora do Novo Mundo, é hoje Priorado Maior. Em 13 de setembro de 2004 aconteceram preces e festejos no centenário da chegada dos primeiros trapistas a Tremembé. Em novembro, 25 monges do Mosteiro Nossa Senhora do Novo Mundo receberam a bênção da Padroeira, em Aparecida do Norte, e peregrinaram até o antigo mosteiro de Maristela, na hospitaleira Tremembé, onde foram recebidos com extraordinário carinho. As Monjas Cistercienses de Campo Grande (MS) por irmã Maria Emanuela História
As primeiras cinco monjas de nossa congregação chegaram ao Brasil em 1951. Vieram do mosteiro de Oberschonenfeld, na Alemanha, e fundaram uma casa, hoje um lindo mosteiro, na cidade de Itararé, em São Paulo. Abençoadas com muitas vocações, um grupo delas partiu para Monte Castelo, no Paraná, em 1973, para abrir outra casa. Em fevereiro de 1976, outras cinco monjas desembarcam em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Elas tinham a missão de instalar um mosteiro e assumir a educação e a administração de uma creche com crianças de zero a seis anos, chamado de Lar Nossa Senhora Aparecida. A creche foi a primeira moradia das irmãs, até ser construído o mosteiro em terreno anexo. A creche, inaugurada em 1976, atende anualmente a 500 crianças, além de 300 famílias. Depois de três anos de dificuldades de toda espécie, foi inaugurado o Mosteiro de Nossa Senhora Aparecida, graças à generosidade alemã, que tornou possível levantar o edifício. O mosteiro é um instituto religioso de vida contemplativa. Foi fundado pela abadia de Nossa Senhora de Fátima, em 1979, como priorado simples, tornou-se priorado conventual em 1985, independente da casa-mãe, mas agregado à Congregação Brasileira dos Cistercienses. Em novembro de 1989 tornou-se Abadia. Ação Nossas monjas têm, como característica, a vida em busca de Deus, conforme o carisma do patriarca São Bento (480-547), numa rotina de oração e trabalho, “sentindo-se parte da Igreja”. O ponto alto do dia é a santa Missa e o opus Dei, isto é, o ofício divino, a meditação (lectio divina) e o trabalho, que permite a sobrevivência do mosteiro. A Regra é clara:
- o monge deve viver de seu suor, do trabalho de suas mãos. Ora et labora (Reze e trabalhe!), eis a máxima de São Bento. Intercalando harmoniosamente oração e trabalho, a comunidade se transforma, de fato, em uma escola de caridade. Note-se que a oração e o trabalho se desenvolvem com tal concordância, que nenhuma dessas atividades excede o amor a Cristo, pois tudo é feito para a maior glória de Deus. A família cisterciense mantém uma especial devoção à Maria Santíssima, nossa mãe e rainha, a exemplo de São Bernardo. Assim, a comunidade reza habitualmente o rosário e encerra suas atividades diárias, após as Completas, com o belo canto da Salve Regina. Nossa vida monástica, ditada pela Regra Beneditina, exige seguir a Cristo, através da observância evangélica nos votos de pobreza, obediência e castidade, conversão dos costumes, vida comunitária e clausura. O desejo por este estado de vida leva a monja a evitar, ao máximo, o contato com o mundo, para melhor viver sua entrega total a Deus, permanecer disponível ao serviço da Igreja, através do profundo silêncio da oração. Concretamente, nossa ação consiste no seguinte: administramos a creche em período integral, fabricamos as hóstias que são distribuídas em todo o estado do Mato Grosso do Sul, confeccionamos paramentos e todo tipo de alfaia litúrgica, fazemos tricô e crochê, além de peças em artesanato, pinturas, etc.
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