Revista "MUNDO e MISSÃO"
Espiritualidade e Missão
Antonio
de Pádua ou de Lisboa por Ernesto Arosio E quem já não o invocou para que o ajudasse a encontrar objetos perdidos? Tanta era a fé que Antônio suscitava no povo com sua vida e milagres, que alguns, transmitidos pela tradição popular, beiram até a lenda, como o discurso aos peixes, aos pássaros e o caso da mula que se ajoelhou diante do Santíssimo. Essa devoção fortíssima e inabalável continua motivando milhares de peregrinos a visitarem sua basílica em Pádua, Itália, onde podem ser veneradas suas relíquias.
Lá, logo na chegada, adoeceu e foi forçado a voltar para Portugal, mas uma tempestade levou o navio às praias da Sicília, na Itália. Dali foi para Assis, onde se encontrou com São Francisco, o qual, prevendo a sabedoria e o carisma de pregador no jovem Antônio o enviou ao norte da Itália, para pregar ao povo. Os tempos eram difíceis e de muita confusão; havia pregadores de erros e de heresias. A autoridade religiosa era mais uma autoridade civil, que governava feudo, dada ao luxo que provinha do comando e das riquezas de cidades opulentas, esquecendo a mensagem evangélica. Parte do povo se afastava dessa Igreja que se realizava no poder civil, no luxo e noutros vícios. Surgiram, então, muitos pregadores que queriam sinceramente a reforma da Igreja, mas alguns exageravam, como o caso de algumas seitas heréticas que exigiam que a Igreja renunciasse a toda riqueza e poder, sendo que eles, para dar o exemplo, viviam na nudez, o que gerou a intervenção das autoridades para coibir esses abusos. A pregação de Antônio, após um breve período na França, onde havia as mesmas heresias e deslizes morais, foi centrada na conversão a Cristo, na pobreza, na caridade e na justiça. Em 1231, pregou durante a Quaresma em Pádua, o que foi considerado como o momento de refundação cristã da cidade que, hoje, hospeda seus restos mortais. Faleceu em 13 de junho 1931, dia em que o mundo celebra sua festa, com muita devoção e folclore, especialmente em países de cultura portuguesa. Foi canonizado em 1232 e declarado “doutor evangélico”, em 1946. Pregava a espiritualidade franciscana da simplicidade e das pequenas coisas e, por isso, conseguia falar às pessoas humildes, às autoridades, aos animais, conforme a tradição. Como ele dizia: “Deus é Pai de todas as coisas, suas criaturas são irmãos e irmãs e a Palavra é viva quando são as obras que falam. Quem não pode fazer grandes coisas faça, ao menos, o que estiver na medida de suas forças. Certamente não ficará sem recompensa”. |
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