Revista "MUNDO e MISSÃO"
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Morrer de fome da redação
O quadro traçado pelo congresso pode levar ao pessimismo porque, embora as reservas aqüíferas sejam abundantes, a distribuição é insatisfatória; há países com superabundância de água, esbanjando de maneira irracional e outros que nem o mínimo têm para a sobrevivência. O desperdício, além da inconsciência das pessoas que abusam da água potável onde ela poderia ser poupada, como na limpeza de ruas, calçadas, etc, é causado também pela produção irracional de alimentos que hoje requerem enormes quantidades de água. A agricultura gasta 70% da água potável. Em 2030, conforme estimativa da ONU, a população mundial chegará a 8,3 bilhões de pessoas, com imprevisíveis conseqüências sobre a produção agrícola, sendo que, nos países em desenvolvimento, a demanda da produção alimentar será 60% a mais da atual. Haverá água suficiente para acompanhar esse aumento colossal? Embora haja uma enorme reserva de água potável subterrânea, teme-se que um elevado bombeamento possa causar, como já causou, uma diminuição dos veios aqüíferos, gerando um ressecamento das terras que se tornariam mais improdutivas, especialmente para quem não puder recorrer à irrigação barata. Um perverso círculo vicioso. A solução que se espera é um esforço global para produzir colheitas com menor uso de água, uma irrigação mais racional, como o gotejamento já usado no nordeste brasileiro, a construção de poços impermeáveis para água potável que impeçam a evaporação, a redução do uso de fertilizantes e pesticidas. Isto é racionalizar o uso da água, investindo direta e indiretamente na diminuição da pobreza. OS DADOS
ÁGUA NO MUNDO
NECESSIDADE E CONSUMO
“ÁGUA É DIREITO E NÃO MERCADORIA” É costume, em todos os países, conceder a empresas o direito de propriedade sobre fontes de águas, especialmente as minerais. As empresas comercializam essas águas, ao preço que bem entendem, obtendo grandes lucros e levando o benefício apenas a quem pode pagar. Para citar um exemplo, na Europa, um litro de água potável tratada e entregue pelas prefeituras custa 0,08 euro, enquanto um litro de água mineral custa 0,40/euro, sem contar o prejuízo da poluição causada pelas garrafas de vidro e de plástico. Começa a ser formada a consciência de que a água é um direito de todos, pobres e ricos, e, portanto, não pode ser concedida em propriedade a sociedades privadas, mas deve ser administrada pelos órgãos públicos em benefício de todos |
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