Revista "MUNDO e MISSÃO"
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Os novos leigos católicos
Yudin, porém, preferiu ser batizado na Ucrânia, numa igreja católica. Tinha sido perturbado por um breve encontro com Madre Tereza de Calcutá. "Não conseguia desviar os olhos dela; era um ícone vivo do qual transparecia uma beleza interior que me fascinou." Hoje, Yudin, com barba de intelectual russo, olhos vivazes, é professor na Universidade Humanística de Moscou, onde leciona história das religiões. Comprometido na comunidade católica local, membro do Conselho Vaticano para os Leigos, é um protagonista do congresso que se realizou no mês de outubro em Kiev, para os países da ex-Rússia. Prof. Yudin, sendo leigo católico, como está vivendo a passagem da ditadura comunista para a liberdade? - Na era comunista, um leigo crente nada ou quase nada podia fazer em âmbito público. Podia fazer muitas coisas para si e no círculo, muito restrito, de amigos com os quais nós nos encontrávamos em longas discussões noturnas. Tínhamos a fé, mas não as estruturas eclesiais, nem um bispo nem uma paróquia. E as estruturas políticas, sociais e culturais eram todas contra a possibilidade de um laicato ativo e responsável. Era, então, uma situação frustrante? - Sim e não. Limitados no plano da ação, tínhamos tantos sonhos e projetos. Ao mesmo tempo, a sociedade russa começava a se abrir. Nos anos oitenta, na época da Perestroika de Gorbachov, havia uma grande vivacidade cultural e política; nasciam, todo dia, novos grupos e novos movimentos, havia um entusiasmo que animava as nossas reuniões semiclandestinas: como crentes, devíamos levar a nossa contribuição à democracia profanada. Queríamos enxertar princípios cristãos na vida pública dominada pela ideologia e propaganda falsa. Muitos amigos deram início à "Democracia Cristã da Rússia", um partido que não teve muito sucesso. Eu tive sempre uma atitude bastante crítica: entrar na política com a grande confusão de siglas e de programas de então, queria dizer começar com o pé errado. Achava que os âmbitos decisivos onde testemunhar a fé, deviam ser outros. Pensava na cultura e na formação. Por isso escolheu e ensino na universidade? - Como cristão engajado no ensino, o primeiro pensamento foi criar uma sala de livros religiosos dentro da biblioteca da universidade. Os estudantes de então não conheciam nada do cristianismo, pois os textos religiosos tinham sido proibidos. Esse foi meu primeiro serviço como leigo. Sozinho, naturalmente, não teria conseguido nada. Recebi muita ajuda de amigos italianos, através da "Rússia cristiana". Em seguida, colaborei para a criação de uma paróquia em Vladimir, com pe. Estêvão Caprio. Uma experiência trabalhosa? - Para mim, foi a realização da frase bíblica: "Eis que faço novas todas as coisas". Referia-me a nossa relação com as pessoas e com os fiéis que são as pedras vivas da Igreja. Ainda havia muitos problemas jurídicos, tantas dificuldades burocráticas como em outros países.
Para um leigo católico é difícil testemunhar a sua fé na Rússia, hoje? - Bom, no tempo da perestroika, eu e os amigos ortodoxos éramos profundamente unidos. Juntos fazíamos tantos projetos de como anunciar o Evangelho. Depois, com a chegada da liberdade, tudo mudou. As estruturas hierárquicas ortodoxas se revelaram um obstáculo ao desejo de unidade que tínhamos iniciado. E nas estruturas católicas, os leigos têm reconhecimento? - Somente quando existe um bispo, existe plenamente a comunidade eclesial. A criação da Administração Apostólica na Rússia foi uma virada importante. Hoje, temos várias iniciativas como a Caritas, temos um semanário católico Sviet Evangela - Luz do Evangelho - em que estão engajados os leigos. A Igreja tenta se abrir ao mundo, mas, de fato, ainda deve se defender de ataques e de acusações dos ortodoxos. Neste contexto, o papel dos leigos precisa encontrar uma formulação adequada. É um caminho longo e difícil. Mas que, de toda maneira, deve ser percorrido.
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