Revista "MUNDO e MISSÃO"

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As emergências do futuro

Do relatório do WWI
World Watch Institute

A existência do homem implica o consumo de uma certa quantia do ambiente que os pesquisadores chamam de "marca ecológica". Em outras palavras, essa "marca" seria a soma dos produtos necessários para o consumo de uma pessoa em relação à área ambiental requerida para produzi-los. Por exemplo, um estadunidense para continuar a viver sua vida de consumista, em termos comparativos, precisa de 12 hectares de terra, enquanto para um etíope basta-lhe somente meio hectare. Essa diferença é devida à industrialização e à exigência do consumismo, que cada vez mais pretende bens sofisticados, sem se preocupar com o deterioramento do meio ambiente causado por esse progresso.

Porém, a natureza começa a se revoltar, demonstrando que não suporta mais esta devastação. O relatório de 2001 do WWI (World Watch Institute), que analisa a situação ambiental do planeta Terra, alerta sobre catástrofes possíveis nos próximos cinqüenta anos, que podem destruir parte da humanidade.

As principais emergências são:

CLIMA

A emissão de poluentes gasosos provocados pela combustão de carvão, petróleo e metano, passou de 6,3 bilhões de toneladas/ano, o que prejudica cada vez mais o fator estufa, elevando a temperatura média do planeta. Seria necessária uma drástica redução de 60/80% dessas emissões, em particular do dióxido de carbono, mas, na Conferência de Kyoto, discutiu-se sobre a possibilidade de reduzir apenas 5,2%, insuficiente demais para evitar catástrofes.

Biodiversidade

Nunca, na história da Terra, aconteceu que uma só espécie vivente, o homem, pudesse destruir, em pouco tempo, milhares de outras espécies. Os cientistas pensam que a taxa de extinção causada pelo homem seja de 100 a 1.000 vezes superior à natural.

Desertificação

Até a presente data, mais de um quarto das terras do planeta estão submetidas ao fenômeno da desertificação: secam os rios e avançam cada vez mais as zonas áridas. Com a possibilidade real de que a temperatura média aumente de até 5,8 graus centígrados, a situação irá se agravando, provocando secas nas baixas latitudes e aluviões nas altas latitudes.

O aumento de calor provocará ainda o derretimento das geleiras das calotas polares, aumentando o nível do mar em alguns metros, o que levaria à destruição de muitas cidades costeiras, como Rio de Janeiro, Buenos Aires, Nova Iorque, Londres, Tókio, Xangai.

Escassez de água potável

A previsão é que, até a metade deste século, a reserva de água potável disponível per capita se reduza a 25%, conforme estima a FAO. Um bilhão e 300 milhões de pessoas já estão sem reserva de água potável.

Desflorestamento

A cada ano a Terra perde 140.000 quilômetros quadrados de florestas. Em 1995, tínhamos a disposição 0,59 hectares de floresta per capita; em 2050 teremos só 0,37%.

Alimentação

O modelo de alimentação ocidental exige cada vez mais consumos. Uma previsão aponta que, se não se mudar o rumo, 2 bilhões de ocidentais irão consumir o mesmo que 10 bilhões de indianos, vindo a agravar a fome no mundo.

Urbanização

Em 1950, dos 3 bilhões de habitantes do planeta, 759 milhões viviam nas zonas urbanas; isto correspondia a um quarto da população mundial.

A previsão aponta que, em 2050, nos 8,9 bilhões da população mundial, 6 bilhões estarão aglomerados nas novas zonas urbanas, com altos riscos de degradação e poluição ambiental.

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