Revista "MUNDO e MISSÃO"

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O lento progresso científico
e humano arábe

unto com a pouca liberdade e a ausência de direitos das mulheres, também o saber está longe do mundo árabe: não apenas não chega às camadas populares, como atrasa todo seu processo geral de modernização. Isto foi reconhecido até por um relatório publicado no ano passado, levantando várias críticas e autocríticas. O Arab Human Development Report 2003, no capítulo intitulado “Construir uma sociedade do saber”, examina a situação do conhecimento árabe em termos de demanda, produção e difusão e conclui que os três pontos são ineficientes, apesar da tradicional sabedoria árabe. Os números publicados são significativos. Alguns analistas consideram os investimentos científicos entre os mais baixos do mundo, numa situação quase de falência total.

Números

Em cada milhão de habitantes dos países árabes, apenas cerca de 371 cientistas e engenheiros dedicam-se à pesquisa. É um número inferior à metade da média mundial que é de 970 cientistas. Na América do Norte, são 4000 e, na União Européia, 2500. A publicação de livros árabes, no total, é 1,1%, número absolutamente inferior ao incremento populacional. Os árabes constituem 5% dos habitantes do mundo: em seus países, os livros religiosos somam 17% do total da produção editorial, enquanto no resto do mundo, a produção total de livros religiosos chega somente a 5%.

Nos anos oitenta, foram traduzidos, no mundo árabe, 4,4 livros para cada milhão de moradores, enquanto, no mesmo período, na Hungria, recém-saída do domínio totalitário comunista, foram traduzidos 519 livros para a mesma porcentagem. Na Espanha, se chegou a 920 livros. Além disso, o número médio de computadores a cada 1000 habitantes, nos países árabes, é 18, enquanto a média mundial é 78,3. Somente 1,6% da população tem acesso à Internet.

Quanto à difusão de jornais, os números não são melhores: 53 para cada mil habitantes, enquanto a média mundial é 285, ou seja, cinco vezes mais. As restrições à liberdade de imprensa e ao uso da Internet, assim como o analfabetismo, ainda presente entre a população adulta, ajudam a manter baixos os indicadores de leitura. Numa classificação do capital de conhecimento, oito países árabes (Kuait, Arábia Saudita, Egito, Jordânia, Síria, Tunísia, Marrocos e Argélia) ocupam o 69.º lugar.

Essa classificação é obtida através de um indicador, aplicado a 100 países, que analisa valores, como currículo anual escolar cumprido, número de jornais, livros, computadores e despesas com pesquisas científicas. Em primeiro lugar encontra-se a Finlândia e, em último, Burundi. O país árabe que tem a melhor classificação é o Kuait, no 38.º lugar, e a pior, a Argélia, colocada no 83.º.

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