Revista "MUNDO e MISSÃO"
Evangelização - Diálogo interreligioso
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O AMOR UNE Costanzo Donegana Uma viagem de Chiara Lubich à Índia promove notáveis avanços no diálogo inter-religioso Na Índia, ferida atualmente por uma onda de violência por parte de extremistas hindus contra cristãos e muçulmanos e, ao mesmo tempo, marcada por uma profunda espiritualidade, que se percebe no ar, aconteceu, no mês de janeiro, uma série de momentos muito significativos no âmbito do diálogo inter-religioso. Foi o encontro de Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, com personalidades representativas do hinduísmo. O compromisso de Chiara Lubich e do Movimento dos Focolares no diálogo inter-religioso iniciou nos anos Setenta e desenvolveu-se com as grandes religiões, sobretudo o judaísmo, o islã e o budismo; com essa viagem, abriu-se agora mais para o mundo hindu. O objetivo é trabalhar para que o pluralismo religioso possa perder sempre mais seu caráter negativo como causa de divisões e de guerras, para adquirir o aspecto positivo: contribuir para recompor a unidade da família humana, conforme o plano de Deus sobre a humanidade. Encontro de corações O estilo deste diálogo é sobretudo em nível da vida. "É um encontro de corações. Estamos unindo as mãos para construir um mundo de paz": com estas palavras, Vinu Aram, em nome da Shanti Ashram e do Movimento Sarvodaya, de inspiração gandhiana, acolheu Chiara em Coimbatore, no sul da Índia. Vinu Aram é um dos membros que preside a Conferência Mundial das religiões pela Paz (W.C.R.P.) e filha do falecido dr.Aram, senador vitalício e seguidor de Gandhi.. Em Coimbatore, diante de mais de 500 pessoas, entre as quais alguns antigos companheiros de Gandhi, Chiara recebeu o prêmio "Defensor da paz", com a motivação: "Chiara Lubich, utilizando a mais potente força humana do amor e uma fé forte na unidade de todo o gênero humano mostrada pelos ensinamentos de Jesus Cristo, foi escolhida pela sua missão incansável de lançar as sementes de paz e o amor entre todos os povos". Chiara, em um discurso enriquecido de citações da tradição hindu, apresentou a experiência da sua vida, marcada pela procura constante da unidade. E concluiu: "Estávamos convencidos de que onde havia uma sinagoga, uma mesquita, um templo, ali era nosso lugar. Estávamos e estamos convencidos de ser chamados a contribuir na construção da fraternidade universal com todos eles". As reações foram de total adesão. Entre muitos, um professor de cultura hindu na universidade de Bombaim, afirmou: "Estou realmente contente, cheio de alegria. Reforcei minha fé. Enquanto pessoas como Chiara e seus amigos trabalharem pela paz, a terra será um lugar pleno de paz. Todas as religiões devem avançar juntas, porque todas procuram a verdade. E a verdade não é senão amor e paz, aquilo que nos diz Chiara". Em Coimbatore estava presente a professora Kala Acharya, diretora do instituto universitário de cultura e pesquisa na universidade Somaiya, em Bombaim. Ela convidou Chiara para sua universidade, porque "é muito importante o sentido que você dá ao amor", lhe dizia. A fundadora do Movimento dos Focolares encontrou-se com cerca de 600 alunos e professores, representantes de várias religiões, falando de "uma espiritualidade pela fraternidade universal". Surendra Nathan, advogado e professor universitário, expressou a impressão dos presentes: "Ela resumiu o pensamento global deste país, elaborado em muitos séculos. Nós acreditamos na unidade e na diversidade das religiões e das culturas, mas o conceito, que será a base de tudo, é a unidade e a fraternidade universal. Chiara Lubich colocou, muito claramente, em evidência as idéias que já temos nesta nação. Isso será muito apreciado pelas massas desse país". Antes disso, Chiara tinha se encontrado com a Conferência episcopal da Índia, em Calcutá, falando sobre os leigos e evidenciando a experiência de diálogo inter-religioso do Movimento dos Focolares. "Não são palavras, mas teologia vivida", comentou dom Patrick Nair de Meerut. "Isso explica o impacto especialmente sobre os não-cristãos, porque o amor é a coisa mais importante, sobretudo num país como o nosso em que há muitas diversidades". Em todos esses contatos, nasceu o desejo de continuar o diálogo entre cristãos e hindus: foram programados encontros de espiritualidade, colaboração acadêmica e ações de solidariedade em comum. Por ocasião de sua viagem à Índia, Chiara Lubich deu uma entrevista à Rádio Vaticana. Reproduzimos alguns trechos. Rádio.: O que significa dialogar? Chiara.: Dialogar significa, antes de mais nada, colocar-se no mesmo nível: não se considerar melhor que os outros. Podemos dialogar com qualquer pessoa, também com o menor, com o mais miserável... E significa também escutar o que o outro tem no coração: abrir-se totalmente. Significa deixar de lado todos os nossos pensamentos, os afetos do coração, os apegos... Deixar de lado tudo para poder entrar no outro. Depois, naturalmente, pedir também ao outro que nos escute. Percebem-se assim aqueles elementos comuns que temos e, no caso do diálogo que levamos para frente, colocar-se de acordo para vivê-los juntos. Esse diálogo realiza a fraternidade universal, para a qual queremos agir. É possível juntar-se também com as pessoas mais distantes, mais diferentes. Rádio.: O que o diálogo acrescenta à Igreja católica? Chiara.: O diálogo com as outras religiões abre cada vez mais a Igreja - escute! - àquela outra parte de si mesma que está fora dela! Porque são Tomás disse que a Igreja não deve ser medida somente considerando o número dos católicos, mas, sendo que Jesus Cristo morreu por todos os homens, deve ser medida olhando o número de todos aqueles pelos quais ele morreu, isto é, a humanidade inteira. Portanto, de certa maneira, a Igreja está também "fora dela mesma" Com o diálogo, abre-se àquilo de "si mesma que está fora dela" e que está presente nas sementes do Verbo. E Jesus Cristo, Verbo encarnado, é "nosso". Devemos, portanto, considerar essas sementes como "nossas". |
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