Revista "MUNDO e MISSÃO"
Evangelização - Diálogo interreligioso
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Obrigado! Só o senhor podia convocar um encontro como este. Mas não se teria realizado sem nós, iniciou espontaneamente sua intervenção o rabino Israel Singer, dirigindo-se diretamente ao papa. É um dos vários testemunhos que, no histórico encontro inter-religioso de oração pela paz no dia 24 de janeiro de 2002 em Assis, reconheceu a coragem e o carisma de João Paulo II como líder moral das religiões no mundo.
1986 Tudo começou na mesma cidade, no dia 27 de outubro de 1986, quando, pela primeira vez, representantes das religiões se reuniram para rezar pela paz, sem confusões sincretistas, mas, ao mesmo tempo, sem a contraposição e a frieza que caracterizaram muitas vezes no passado as relações entre as religiões. Naquele dia começou a soprar o espírito de Assis, que, sem aparecer nas crônicas da mídia ou nas reuniões dos diplomatas, penetrou os movimentos da história, produzindo frutos às vezes inexplicáveis. Da guerra fria e dos ateísmos de estado passou-se à procura da interdependência dos povos e das nações. Em 1988 Gorbatchov, festejando no Kremlin o milênio cristão da Rússia, convocou representantes das diferentes religiões. À queda do muro de Berlim em 1989 e do comunismo na Rússia em 1991, que pareciam inabaláveis, sem dúvida não é estranho o espírito de Assis. Em 1996, João Paulo II assim comentou: Conforta-me profundamente constatar que a semente lançada há dez anos em Assis continua germinando. Não rezamos em vão naquele ano na cidade de Assis. Assis 2002 não é uma repetição do evento de 1986. Agora cada vez mais gente diferente vive junta documenta Andrea Riccardi, fundador de Sant Egidio . O problema da convivência entre povos e religiões diferentes interessa o mundo todo: da África das lutas étnicas e religiosas, à Índia complexa, à Terra Santa martirizada por uma guerra há mais de meio século, ou em outras partes.
O nacionalismo acreditou poder construir países homogêneos nacionalmente e religiosamente. Às vezes se realizou isso com a limpeza étnica. A
globalização une e divide os continentes, os povos e os
grupos humanos e sociais. Andrea Riccardi também revela em que consiste o espírito de Assis: Podemos viver juntos na paz a partir das energias espirituais. Não é tanto no acordo com o outro que se encontra a força de viver em paz, quanto indo em profundidade na própria fé ou tradição religiosa. É a descoberta (ou redescoberta) da dimensão política da religião, não para engaiolá-la nos jogos, à vezes mentirosos ou estéreis, da diplomacia, mas para deixar que ela expresse todas suas potenciali-dades e atinja âmbitos que muitas vezes lhe são vetados por preconceitos ou desconfiança. 2002 Às 8:40 horas do dia 24 de janeiro um trem muito especial sai da estação vaticana: carrega mais de trezentos passageiros do mundo todo e, sobretudo, de todas as religiões. Entre eles o promotor do evento, o Papa. Nas duas horas de viagem os hóspedes se encontram, conversam, se conhecem: Acho alentador que pessoas de diversas religiões façam juntas esta viagem rumo a Assis, comenta o cardeal Ratzinger. Atravessar a terra: já gosto desta dimensão da peregrinação, estamos em caminho juntos e juntos procuramos a meta da paz. É um sinal forte e me parece importante que as religiões mostrem de poder fazer a paz entre elas.
O primeiro momento em Assis é uma troca de testemunhos dos representantes das religiões, concluída pelo discurso de João Paulo II. São vozes diferentes, que se encontram no desejo da paz e no reconhecimento da função da religião na construção de um mundo de fraternidade. Interessante que, em nome da Igreja católica, falam dois leigos e fundadores de movimentos, Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares e Andrea Riccardi (ver quadro Testemunhos). O papa reforça o que veio afirmando depois de 11 de setembro: A ofensa do homem é ofensa de Deus. Não existe finalidade religiosa que possa justificar a prática da violência (ver quadro O Líder). Depois deste momento comum, os vários grupos religiosos rezam separados, cada um conforme sua tradição espiritual, para evidenciar que, apesar dos passos rumo à unidade, persistem fortes diferenças, que devem ser respeitadas. O almoço em comum reúne todos juntos de novo numa grande confraternização. E o encontro final recolhe os primeiros frutos da oração e da unidade. Os líderes religiosos declaram diante do todo o mundo seu compromisso concreto para construir a paz. É um passo para frente em relação a Assis 1986, onde só se rezou. Em 2002, pela primeira vez na história, representantes cristãos, muçulmanos, judeus, budistas, das religiões tradicionais africanas e outras tomam solenemente um empenho comum pela paz (ver quadro Compromissos). Três nunca mais!, pronunciados com voz firme pelo velho Papa recolhem as afirmações dos outros líderes: Nunca mais violência! Nunca mais guerra! Nunca mais terrorismo! Em nome de Deus, toda religião leve à terra justiça, paz, perdão e vida, amor!. Um gesto simbólico encerra a jornada: cada líder leva ao centro do palco uma lâmpada acesa, significando a chama da paz que deve aquecer os corações dos homens. |
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