Revista "MUNDO e MISSÃO"

Evangelização - Diálogo interreligioso

Filipinas: ódio e diálogo entre cristãos e muçulmanos

Catedral católica em Zamboanga - Filipinas

Ficamos chocados pela trágica notícia da morte de pe. Rufus Halley, um dos nossos missionários em Mindanao. Era meu amigo pessoal. Tendo trabalhado naquela região, compreendo bem as dificuldades que ele encontrou para tentar resolver o conflito islâmico-cristão. Rufus dedicou-se totalmente à reconciliação entre cristãos e muçulmanos e era amado por todos. Era um homem de profunda espiritualidade e amava muito o povo filipino.” São palavras do padre Brendan O´Sullivan, superior geral da Sociedade de São Columba para as Missões Exteriores, comentando o assassinato do pe. Rufus, missionário do mesmo instituto. O padre tinha chegado às Filipinas em 1969, com mais dez missionários de São Columba. Desde 1979, trabalhava na ilha de Mindanao, para onde, espontaneamente, pediu para ser destinado a fim de poder trabalhar no campo do diálogo inter-religioso e da paz entre cristãos e muçulmanos.

Pe. Rufus foi morto na tarde de 29 de agosto, perto de sua paróquia, na cidade de Malabang. Segundo fontes locais, porque resistiu a um bando de criminosos que queriam seqüestrá-lo; mas os outros missionários não aceitam essa hipótese. Ele foi morto enquanto estava viajando, em sua motocicleta, por um grupo de sete pessoas pertencentes à Frente Islâmica de Libertação Moro. Uma dessas sete pessoas foi presa pela polícia e teria confessado que os seqüestradores queriam entregá-lo ao grupo extremista Abu Sayyaf que, nestes últimos tempos, já seqüestrou leigos, padres e até turistas estrangeiros.

Mas, nas Filipinas, não reina só o terror dos muçulmanos contra os católicos. Há também uma grande vontade de diálogo e colaboração. Acaba de nascer também o Concílio Inter-religioso de Líderes, inaugurado dia 19 de agosto, durante o encontro do movimento para o diálogo Silsilah, em Zamboanga, na ilha de Mindanao. Nessa ocasião, o missionário do Pime e presidente do Silsilah, padre Sebastiano D’Ambra, disse: “Hoje, precisamos de líderes que ponham Deus no centro de seus interesses e trabalhem juntos para o bem comum”. Na ocasião, foi celebrado o nono aniversário da morte do pe. Salvatore Carzedda, mártir do diálogo e da paz e o décimo sétimo da fundação do movimento Silsilah.

Durante o encontro, cristãos e muçulmanos discutiram sobre pobreza, compreensão e confiança entre povos de diferentes culturas e religiões, luta pelo direito e a autodeterminação dos povos, uso da violência e solução dos problemas locais.

Os participantes concluíram, afirmando que muçulmanos e cristãos não podem voltar a situações de conflito. É preciso realizar ações concretas para manter a paz. Parece, portanto, que a maioria dos cristãos e muçulmanos, nas Filipinas, quer a paz e o diálogo, enquanto uma minoria continua com a violência. Infelizmente, muitas vezes, as minorias gritam mais alto que as maiorias silenciosas.

Fides

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