Revista "MUNDO e MISSÃO"

Evangelização - Diálogo Interreligioso

ou Janete, missionária Comboniana, do Rio de Janeiro, Baixada Fluminense, de onde o Senhor me chamou para partilhar o dom da fé, recebida nas Comunidades Eclesiais de Base, com os irmãos e irmãs além fronteiras. Trabalho no Oriente Médio há dez anos. Atualmente me encontro na Jordânia, mas meus quatro primeiros anos de missão foram vividos em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. O meu contexto de missão tem sido sempre a Educação. Em Dubai, trabalhei na área da Religião. Na Jordânia, eu ensino Literatura Inglesa a cerca de 450 estudantes, na maioria muçulmanos. Trabalhar com uma matéria “neutra” facilita o encontro cotidiano com cristãos e muçulmanos.

Através da literatura tenho a possibilidade de comunicar valores cristãos, tais como:

- o perdão, a misericórdia e o amor. É impressionante ver o interesse e a sede de conhecimento que nossos jovens daqui manifestam. Além de partilhar valores da nossa fé, faço também referência ao pensamento Sufi (misticismo islâmico) e a textos corânicos que favorecem o diálogo inter-religioso.

No ano passado, no final de uma lição, um jovem muçulmano, por livre iniciativa, escreveu a Regra de Ouro:

“Tudo aquilo, portanto, que quereis que os outros vos façam, fazei-o vós a eles, porque isto é a Lei e os Profetas” (Mt 7,12) e afixou a mensagem pelos corredores da escola.

Cada vez que entro em uma sala de aula, recordo o lembrete de Deus a Moisés:


Nas imagens, Ir. Janete (terceira da esquerda para a direita), com seus alunos na Jordânia

“... o lugar em que estás é uma terra santa” (Ex 3,5). É uma terra santa porque é o lugar onde o mistério se faz presente, e tantas vezes, de maneira surpreendente. É nesta realidade que faço a experiência do diálogo inter-religioso, o qual prefiro chamar Diálogo de Vida. A escola é um dos meios favoráveis para que isto aconteça, e aqui é um lugar privilegiado de encontro, de partilha e de escuta. O Capítulo Geral das Combonianas, realizado no ano passado, incentivou-nos a sermos “ponte” entre os povos, isto é, pessoas que unem grupos humanos de diferentes culturas, línguas e religiões.

É fundamental anunciar que o mundo é como uma casa grande, o suficiente para abrigar a todas as pessoas e que, nesta casa, as diferenças não são ameaças, mas dons preciosos que enriquecem a todos e todas. Ser “ponte” requer muita paciência, humildade e fé. Paciência, porque freqüentemente temos que ajustar o nosso passo ao dos outros, para que ninguém caminhe sozinho.

Humildade, porque a missão hoje, mais do que nunca, é deixar-se transformar através do aprendizado da língua local, do estudo da cultura e da religião do povo que nos hospeda. A fé nos dá a garantia de que é Deus quem conduz a nossa história pessoal e a dos povos aos quais servimos. Deus conta, geralmente, com instrumentos frágeis e, através desses, faz maravilhas. A Jordânia é um país de maioria muçulmana. Na cidade de Al-Kerak (antiga Moab, no livro de Rute), onde moro, os cristãos são um punhado, pertencente às Igrejas Ortodoxa, Melquita e Católica. As Combonianas empenhadas nas pastorais paroquiais visam, antes de tudo, motivar a comunidade a se despertar para o chamado da missão universal da Igreja, sabendo que “a fé se reforça partilhando”, como pede a Redemptoris Missio. Cristãos e muçulmanos gozam de uma longa história de paz e harmonia neste país.

Em ocasiões como o Natal e a Páscoa é usual ouvir, pelas estradas, a típica saudação árabe:

“Mabruk allá aidukum” (parabéns pela vossa festa), à qual respondemos: “Allá iubarik fikum” (que Deus abençoe todos vocês). Esta é a missão que o Senhor sonhou para mim. A vida inteira é pouca para agradecê-lo por este precioso dom.

NOSSA PRESENÇA HOJE

província do Oriente Médio é formada por sete comunidades, com 58 irmãs, de 13 nacionalidades, que trabalham em três países: Israel, Jordânia e Emirados Árabes Unidos. A casa provincial fica em Amã, capital da Jordânia. O trabalho das irmãs é diversificado e abrangente. Elas atuam em hospitais, escolas e paróquias, na sua maioria formadas por migrantes, vindos especialmente da Ásia. Em duas escolas de Ensino Fundamental e Ensino Médio estudam em torno de 3.600 alunos, oriundos dos cinco continentes, sendo de 45 nacionalidades e pertencentes a 8 religiões distintas. Além de primar pela qualidade da educação acadêmica, outro objetivo básico dessas escolas é educar os estudantes, um leque de heterogêneas culturas e religiões, a uma convivência respeitosa, no mundo contemporâneo, forte e sabidamente marcado por intolerâncias e guerras. Para atingir tal objetivo, o currículo privilegia o conhecimento dos valores de cada religião e de cada cultura, através do estudo Bíblico, do Alcorão e das qualidades cívicas. Nos dois hospitais da Jordânia, em que as irmãs iniciaram sua presença no Oriente Médio, a maior assistência é dada aos refugiados do Iraque e da Palestina. O hospital da região central, em Al Karak, enfatiza também o atendimento aos beduínos. A presença das Combonianas, como religiosas e participantes da minoria cristã, que é de 2,6% da população total, ajuda a criar uma atmosfera de confiança e abertura ao diferente. Os valores do Reino de Deus, presentes em todas as culturas, são a ponte de união e respeito entre todos.

Missionárias Combonianas no Oriente Médio

A presença das Missionárias Combonianas no Oriente Médio começou no hospital italiano de Amã, em 1939, construído pela Associação Nacional de Socorro aos Missionários Italianos (ANSMI), tendo sido o primeiro grande hospital da Jordânia. Algum tempo depois, a presença das irmãs se estendeu para a região mais ao sul da capital, em Al Karak, mas foi interrompida devido à Segunda Guerra Mundial, que já estava em andamento. O retorno se deu em 1946.

O MAR MORTO, situado entre a Jordânia e Israel é um grande lago excessivamente salgado, o que impede a vida no seu interior. Situa-se a 365 m abaixo do nível do mar. A salinidade de suas águas impede, também, que corpos afundem, o que atrai muitos turistas à região. Sem saída, o mar Morto é abastecido pelo rio Jordão, que corta Israel e Jordânia. Ele pode deixar de existir até 2050, se nada for feito para impedir isso, pois as águas do Jordão estão sendo progressivamente desviadas para projetos de irrigação agrícola. Além disso, sua evaporação é muito alta, pois se encontra em região quente, rodeada de montanhas.

Missionárias Combonianas
Rua Campos Moura n.º 266 – Artur Alvim
CEP 03568-010 – São Paulo / SP
Tel.: (11) 6742-9511 – www.combonianos.org.br

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