Revista "MUNDO e MISSÃO"
Evangelização - Diálogo interreligioso
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Muçulmanos e ortodoxos recebem o papa no CAZAQUISTÃO Agência Fides Em sua última viagem, o papa João Paulo II visitou o Cazaquistão e a Armênia (de 22 a 27 de setembro). O primeiro é um país que, há poucos anos, fazia parte da URSS e que, numa população de 15 milhões de habitantes, compreende 8 milhões de muçulmanos, 6 de ortodoxos e somente meio milhão de católicos, juntos com outras minorias religiosas. No Cazaquistão, convivem mais de 100 etnias e diferentes confissões religiosas, com muçulmanos e cristãos praticamente em igual número. Nesses dez anos de independência, não aconteceu nenhum conflito, nem étnico nem religioso. O islamismo chegou ao Cazaquistão levado por mercadores persas e, em seguida, pelos exércitos árabes. Os muçulmanos do Cazaquistão sempre foram abertos e tolerantes para com as pessoas de outras religiões. Até a expressão infiel, que para os islâmicos sempre indicou aquelas pessoas que não aceitam o Alcorão, nesse país indica somente os maus muçulmanos. As pessoas de outra religião são chamadas respectivamente de cristãos, budistas, judeus etc. Nos últimos anos, o país está sendo invadido por uma multidão de pregadores fundamentalistas, vindos do Afeganistão, do Paquistão, do Irã e da Arábia Saudita. Apresentamos, a seguir, algumas declarações de Wungar Haj Omirberg, porta-voz da grande mesquita de Almaty, a maior do país e do grão mufti, o chefe religioso islâmico do país.
REPÚBLICA do CAZAQUISTÃO
Sob a URSS, a consciência de Deus era zero. Até os melhores (cientistas, acadêmicos, sábios) não o conheciam. Agora, depois de 70 anos daquele regime, o país abriu-se a todas as religiões. Nós precisávamos de espiritualidade. Agora a situação é diferente. É como se uma luz tivesse sido acesa num quarto escuro e o povo, como tantas borboletas, vai em direção a ela. O papa foi convidado pelo presidente e nós somos um povo hospitaleiro. Como muçulmanos, damos muita importância a esta visita e pensamos que receberemos muito. Todos os que trabalham pela concórdia e pela paz no mundo são bem-vindos. Todas as religiões têm uma base comum: Deus, a fé, a paz... Aqui no Cazaquistão e na mesquita, ficamos muito sentidos pelo que aconteceu nos Estados Unidos. O meu coração está com o povo americano nesta grande dor. Mas é necessário precisar também que se foi um muçulmano a realizar o atentado, isso não quer dizer que o islã todo seja culpado. Uma mãe, quando o filho faz o mal, corrige-o, pode até bater nele, mas dá-lhe uma educação igual à dos outros filhos. Assim acontece no islã: há filhos que ouvem, mas não seguem. Conheço bem os extremismos presentes aqui na Ásia, o fundamentalismo, o terrorismo: o Ocidente não deve culpar o islã por isso. A visita de João Paulo II é a primeira de um chefe do Vaticano. O papa é conhecido como uma boa pessoa, gentil. Ele é pai de muitas pessoas e povos. No Cazaquistão nos sentimos afortunados em poder hospedá-lo. Essa visita vai nos ajudar a reconhecer que somos todos filhos de um Deus único. Se servimos a Deus, ficamos unidos entre nós. Afinal, o único fim da vida é servir a Deus e construir a paz na terra. Somos todos como pequenas sementes numa única maçã. |
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