| Quem são os CARMELITAS
No século 12, na Europa, surgiu um movimento de leigos que buscavam
viver um cristianismo mais autêntico: muitos deles iam em peregrinação
à Terra Santa e alguns se estabeleceram no Monte Carmelo, citado
na Bíblia como monte Horeb, local para onde se retirou o profeta
Elias, homem de fé, para rezar. Por causa disso, passaram a ser
chamados de carmelitas ou carmelitanos.
Entre os anos 1206 e 1214, o papa Inocêncio IV aprovou o modo de
vida deles, incluindo no estatuto-regra os três votos ou conselhos
evangélicos de pobreza, castidade e obediência, criando assim
uma ordem religiosa. Por causa da devoção que tinham a Nossa
Senhora, ficaram popularmente conhecidos como a Ordem dos Irmãos
da bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo ou Ordem do Carmo. No
século 16, houve uma renovação liderada por Santa
Teresa d'Ávila e São João da Cruz, famosos místicos
da ordem, dando origem aos carmelitas descalços.
O espírito carmelita é vivido ainda por leigos nas Ordens
Terceiras, Confrarias e Fraternidades do Escapulário, Juventude
Carmelitana Missionária, Infância Missionária Carmelitana
e nas diversas congregações agregadas à Ordem do
Carmo. Ao longo da história, os carmelitas deram à Igreja
muitos santos, beatos e mártires, entre os quais, citamos apenas
os mais populares: santa Teresinha do Menino Jesus, padroeira das missões,
são João da Cruz, santa Teresa D'Ávila, santa Edith
Stein e os beatos Tito Brandsma e Hilário, mártires nos
campos nazistas, são Simão Stock, o santo do escapulário,
beato lzidoro Bakanja, mártir africano, santa Madalena de Pazzi
e outros.
Na terra de Santa Cruz: 500 anos de evangelização
A história da evangelização na terra de Santa Cruz,
nestes 500 anos, foi profundamente marcada pela presença dos franciscanos,
carmelitas, jesuítas, mercedários, capuchinhos e beneditinos.
Segundo o papa João Paulo II, na encíclica Redemptoris Missio:
"O Reino de Deus destina-se a todos os homens, pois todos foram chamados
a pertencer-lhe. Para destacar este aspecto, Jesus aproximou-se sobretudo
daqueles que eram marginalizados pela sociedade, dando-lhes preferência,
ao anunciar a Boa Nova".
Esta foi a motivação dos primeiros missionários,
porém, a evangelização do Brasil, sob diversos aspectos,
estava ligada à colonização. Esta relação
vinha desde o século 16, quando foi estabelecido entre o papado
e as monarquias de Portugal e Espanha o padroado, que perdurou até
o século 19. Embora haja opiniões divergentes sobre o tema,
prevaleceu, de fato, a convicção de que, em primeiro lugar,
era necessário legitimar e subjugar os indígenas com a força,
para evangelizá-los depois de pacificados. No meio de tudo isso,
porém, houve exemplos de heroísmo e santidade de muitos
missionários que procuraram pregar o Evangelho com meios pacíficos
e curar as feridas que outros cristãos provocavam nos povos indígenas
e africanos.
Os carmelitas chegaram ao Brasil em 1580 e se estabeleceram na cidade
de Olinda (PE) e, em seguida, iniciaram as diversas frentes missionárias.
Nessa caminhada da missão-colonização nem tudo foram
luzes. Os colonizadores e missionários agiam por motivações
diferentes. Aqueles vieram buscar riquezas e construir uma colônia
pa-ra o rei de Portugal; os missionários vieram para anunciar o
Evangelho. A evangelização, embora fosse a mesma em seu
núcleo, foi marcada pelo carisma específico de cada ordem
que muito influenciou as práticas religiosas populares.
As primeiras missões foram pautadas pelas orientações
do papa Paulo III que, em 1537, emitiu importantes orientações
para os missionários no encontro com os povos recém-descobertos.
O pontífice pedia que "os índios e outros povos devem
ser atraídos à fé em Cristo por meio da pregação
da palavra de Jesus e com o testemunho de uma vida exemplar". Portanto,
o sucesso missionário não dependia tanto da ação
do governo, mas do maior número de batizados, casamentos e convertidos
para a Igreja.
Era também objeto das missões orientar os povos: assim,
a primeira escola de Belém do Pará foi fundada pelos carmelitas;
em 1720, frei José Madalena inaugurou a aplicação
da vacina, salvando milhares de índios atacados pela varíola
que irrompera nos estados do Pará e do Maranhão. Foram eles
que ensinaram aos índios a fabricação da cerâmica
e adotaram telhas de barro para cobrir suas construções
e igrejas.
A conjugação cruz e espada na evangelização
trouxe sérias conseqüências para os índios, negros
e colonos. A população indígena foi reduzida, destribalizada
pelo sistema que a via como mão-de-obra fácil e barata no
sistema de divisão do trabalho introduzido pelos europeus. Pode-se
lembrar que entre 1724 e 1776, num período de 52 anos, eclodiram
pelo menos dez grandes epidemias de varíola, na região amazônica.
Essas doenças não atacavam os brancos, mas só os
índios destribalizados. Mais de 15 mil indígenas morreram.
Nem tudo, porém, foi negativo porque houve a formação
de uma consciência religiosa e da tradição católica
no Brasil.
Atualmente com ação no Brasil e na América Latina,
os carmelitas desenvolvem um trabalho também voltado para as pequenas
comunidades através da leitura popular da Bíblia, buscando
uma sociedade mais ética, mais justa e com dignidade para todos.
Este comprometimento, que marcou desde sempre a atividade missionária
carmelita, continua ainda hoje nas missões que a Ordem realiza,
especialmente nos lugares mais pobres desse imenso Brasil.
Texto do Boletim Interno
dos Carmelitas
Informações sobre os carmelitas:
Frei Petrônio
Rua Martiniano de Carvalho n.º 114
01321- 000 - São Paulo - SP
O escapulário de Nossa Senhora do Carmo
Nos últimos tempos, virou praticamente "moda" usar o
escapulário. Todavia, muita gente o usa como um amuleto protetor
contra "coisas ruins". Até em feira eso
térica é possível comprá-lo e a um preço
muito bom. Mas, qual seu verdadeiro significado?
Em primeiro lugar, é preciso definir que o verdadeiro escapulário
é feito com dois pedaços de pano marrom, unidos entre si
por um cordão. Um dos pedaços traz a estampa de Nossa Senhora
do Carmo e o outro, a imagem do Coração de Jesus ou o escudo
da Ordem do Carmo. Para os religiosos carmelitas, o escapulário
é símbolo de consagração na Ordem; para o
povo, de devoção e afeto pela Virgem do Carmo; para a Igreja,
conforme dizia Paulo VI, "entre as formas de devoção
Mariana, está o uso piedoso do escapulário do Carmo, pela
sua simplicidade e adaptação a qualquer mentalidade".
A origem do escapulário remonta ao ano de 1251, momento de grandes
dificuldades e de crise para a Ordem do Carmo, em que se cogitava até
sobre seu fim. Na intenção dessa, frei Simão Stok
(hoje santo) rezou fervorosa e confiantemente, recomendando-a à
Nossa Senhora. Segundo a tradição, a Virgem apareceu ao
frei e, entregando-lhe o escapulário, disse: "Meu dileto filho,
eis o escapulário que será distintivo da minha Ordem. Aceita-o
como um penhor de benção que alcancei para ti e para todos
os membros da Ordem do Carmo. Aquele que morrer piedosamente, usando este
escapulário, participará da eterna salvação".
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