Revista "MUNDO e MISSÃO"
Evangelização Geral
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A MISSÃO Antonio M. Pernia O Sínodo dos bispos mostra que a Igreja é missionária, mas poderia ser mais
Qual foi a temperatura missionária no Sínodo dos bispos concluído há pouco? Pode ser útil partir desta pergunta para reler a recente assembléia que reuniu, em Roma, por um mês, mais de 200 bispos de todo o mundo junto com o papa. Pode ser interessante, além de útil, sendo que a principal preocupação do Sínodo isto é, o papel dos bispos na Igreja estava mais diretamente voltada para a vida interna da Igreja do que para sua missão no mundo. Efetivamente, boa parte das discussões no Sínodo concentrou-se sobre o anúncio ad intra, por exemplo, a espiritualidade e a formação contínua dos bispos, a organização da cúria diocesana, as estruturas de comunhão na Igreja, a colegialidade e a subsidiariedade no governo da Igreja. Felizmente, porém, o tema do sínodo (O Bispo servidor do Evangelho de Jesus Cristo para a esperança do mundo) levou em consideração também o papel da Igreja e dos bispos no mundo de hoje. Como membro de uma congregação missionária ad gentes, porém, minha impressão é que se falou pouco demais sobre a missão. Só algumas intervenções abordaram explicitamente o tema da missão; em outras, entrou indiretamente ou como um assunto entre os demais. Das 67 proposições finais elaboradas pelo Sínodo, só duas são dedicadas explicitamente à missão. Mesmo a mensagem final só contém acenos à missão. Momento missionário Se, porém, analisarmos a experiência do próprio Sínodo,
penso que se possa dizer que foi um momento missionário. Uma das
características do Sínodo, que os participantes apreciaram
muito, foi a experiência da universalidade da Igreja. No Sínodo,
era como se estivesse presente toda a Igreja. Todos os Assim, a inteira Igreja missionária foi representada no Sínodo, sejam as Igrejas antigas, que enviam para a missão, como as Igrejas jovens, que recebem a missão. A variedade das situações das Igrejas locais refletiu-se nas intervenções na sala. Ouviram-se reflexões sobre o que significa ser bispo numa megalópole, como a Cidade do México, ou em Jacarta, onde a Igreja é uma pequena minoria. Muitos bispos da África falaram da necessidade de diálogo com os muçulmanos e do desafio das seitas. Outros expressaram a urgente necessidade de assistir as vítimas da Aids. Os bispos da América Latina frisaram a urgência de ser voz dos sem voz; os europeus, de ser sinal de esperança numa sociedade secularizada. Os bispos dos países pertencentes à ex-União Soviética descreveram a situação de gerações inteiras de jovens que não tiveram nenhuma educação religiosa. Alguns bispos da Ásia abordaram o tema dos desafios do pluralismo religioso, da diversidade cultural e da pobreza de massa. Solidariedade
Um aspecto da missão, hoje, é que não se fala mais de lugares missionários e sim de situações missionárias. Como os bispos vêem as mudanças em ato na missão? Em geral, continuam ainda com o antigo e tradicional conceito de missão, isto é, que a missão é lá, na África, Ásia e América Latina. Foi raro ouvir um comentário sobre as situações missionárias dentro da própria diocese. Mas o problema dos migrantes e refugiados na Europa introduziu uma nova compreensão da missão, como situações que precisam de uma resposta missionária em qualquer lugar. Inculturação e diálogo
Mas a que ponto nos encontramos neste caminho? Quanto a Igreja hoje é extrovertida e quanto, ao contrário, é tentada a se encolher numa pastoral de conservação? Devo confessar que um dos meus temores, na medida em que se desenvolviam as discussões no Sínodo, era que a imagem da Igreja por ele delineada seria introspectiva demais e não suficientemente projetada para fora. Mas, no final, o Sínodo conseguiu trocar a marcha, olhando mais para o mundo, discutindo problemas como inculturação, diálogo inter-religioso, relacionamentos ecumênicos, pobreza dos bispos, seu ministério como apóstolos da esperança e construtores de paz. Porém, esta imagem diferente de missão não foi apresentada de maneira suficientemente clara e prevaleceu a preocupação unilateral com a própria Igreja local e com os países que ainda devem ser re-evangelizados.
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