Revista "MUNDO e MISSÃO"
Evangelização Geral
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Primeiros PASSOS Paulo Pereira Lima Institutos missionários que atuam no Brasil resolvem somar forças ao redor de um mesmo projeto Eles e elas estão por aí, no meio do povo, em diversos Estados brasileiros. É fácil encontrá-los junto a crianças, adolescentes e jovens carentes. Também com índios, sem-terra, presos, sofredores de rua, portadores do vírus da Aids. A principal característica que os une, porém, está no Evangelho. Levam ao pé da letra o que Jesus disse aos apóstolos, homens e mulheres: "Ide pelo mundo e anunciai a Boa Nova a todas as criaturas". Cada um do seu jeito de servir e viver a missão na Igreja. Para eles, as palavras do Mestre não viraram letra morta. Muito pelo contrário. Muitos deram a própria vida em nome do Cristo e do povo a quem serviam. Eles e elas são os missionários e missionárias... Combonianos, salesianos, escalabrinianos, xaverianos, da Consolata e do Pontifício Instituto das Missões (PIME), alguns das dezenas de congregações e institutos missionários que atuam no Brasil. Trabalho em mutirão - É graças a esses institutos que o leitor tem em mãos a revista MISSÃO 2001: no mundo sem fronteiras, fruto de um trabalho em mutirão. Unir as diferenças para abraçar o projeto de uma mesma publicação não é coisa de hoje. Experiência parecida vêm fazendo os missionários da Consolata juntamente com salesianos, xaverianos e escalabrinianos desde maio de 93, quando se juntaram para dar vida a MISSÕES. A revista é mensal e voltada à formação de agentes de pastoral que atuam em atividades de animação missionária. Mas, afinal, qual a missão desses grupos religiosos, quem são, como surgiram e onde atuam? É gente como o missionário gaúcho José Tolfo. Dá gosto de ouvi-lo falar da República Democrática do Congo, onde vive desde 1991. Missionário da Consolata, se dependesse só dele, passaria o resto da vida neste país do sudeste da África. Foi ali que aprendeu uma língua muito diferente do português, conheceu novos costumes e saboreou comidas diversas. Com muita dedicação e ajuda dos colegas da comunidade religiosa e do povo do lugar, o missionário começou a se adaptar à nova cultura. Ficou entusiasmado com o jeito de viver do povo zairense. "Muita dança, muita conversa e muita vontade de ajudar os outros." Padre Tolfo trabalha atualmente numa paróquia em Kinshasa, a capital do país. Este ano, Tolfo e sua turma andam fazendo festa. O motivo: o centenário de fundação do Instituto Missões Consolata. Lugar e data: Turim, norte da Itália, em 29 de janeiro de 1901. Fundador: o bem-aventurado José Allamano, sacerdote do clero diocesano e reitor do Santuário de Nossa Senhora da Consolata (daí a razão do nome missionários da Consolata). A finalidade específica do grupo é a missão voltada para outros povos, a missão "ad gentes". Hoje, a família da Consolata abriga mais pouco mais de dois mil missionários e missionárias que pertencem a mais de vinte nacionalidades. Trabalham na Europa (Itália, Portugal, Espanha, Inglaterra e Suíça); na África (Quênia, Tanzânia, Moçambique, Somália, Libéria, República Democrática do Congo, Etiópia, África do Sul, Guiné-Bissau, Costa do Marfim e Uganda); no continente americano (Brasil, Argentina, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Estados Unidos e Canadá) e na Ásia (Coréia). Atualmente, os missionários no Brasil somam 103, entre bispos, sacerdotes, irmãos e estudantes de teologia. Vivem em comunidades e atuam na cidade e no campo, junto a paróquias, comunidades indígenas e outras minorias vítimas de discriminação, como os portadores do HIV. Além disso, desenvolvem atividades de incentivo às vocações e de difusão dos ideais missionários. Padre Tolfo é um dos cinqüenta brasileiros. Além de atuarem no Brasil, estão espalhados por outros países da América Latina, África, Ásia e Europa. Expedição missionária - Dois meses antes de os missionários da Consolata celebrarem seu centenário, os salesianos colocavam em ação a chamada Expedição Missionária do Jubileu 2000. Ou melhor: um grande mutirão missionário proposto pelo superior geral da congregação, padre Juan Vecchi. A iniciativa mobilizou 120 pessoas de todas as inspetorias salesianas do mundo. São sacerdotes, irmãos leigos e voluntários que, seguindo os ensinamentos de Dom João Bosco, o fundador, atuam sobretudo na educação da juventude. Trabalham no Brasil 892 salesianos do total de 17.331 espalhados pelo mundo. Em número de membros, é a terceira maior congregação, precedida dos jesuítas e franciscanos. O Brasil enviou quatro missionários: padre Orozimbo de Paula, de Campo Grande (MS), foi para Papua Nova Guiné. O seminarista Ronaldo Passos, de Manaus (AM), partiu para Angola, junto com o irmão Vandelino Tessaro Sobrinho, de Porto Alegre (RS). Nesse país africano, os salesianos paulistas desenvolvem um trabalho missionário desde 1981. Robson Barros da Costa, que pertence à Inspetoria Nossa Senhora Auxiliadora, de São Paulo, foi o primeiro salesiano brasileiro a ir para o Sri Lanka, país do sudoeste da Ásia. Quando foi informado de que iria para o Sri Lanka, Robson teve um surto de alegria. E também de curiosidade. A primeira coisa que fez foi acessar a internet para saber onde ficava seu futuro lar. Com um pé na Ásia - O continente asiático parece constituir um grande desafio para a Igreja. O cristianismo ainda não estabeleceu morada nesse espaço imenso onde, hoje, apenas 2% da população é cristã. A Ásia das civilizações milenárias ocupou sempre o centro das atenções dos grandes missionários, desde os apóstolos Paulo e Tomás, até o missionário jesuíta Francisco Xavier. Talvez por isso, o bispo Guido Maria Conforti tenha fixado o continente como primeiro campo de missão para a congregação que fundou, retomando o sonho do missionário e santo jesuíta. Daí seus seguidores serem conhecidos como xaverianos. Em 1899, quatro anos após ter lançado a pedra fundamental do instituto, Conforti enviou um primeiro grupo de missionários à China. Da cidade italiana de Parma, onde tudo começou, para o mundo. Hoje, os xaverianos estão presentes em 17 países da Europa (Itália, Grã-Bretanha, Espanha); Ásia (Japão, Indonésia, Bangladesh, Taiwan, Filipinas); África (Serra Leoa, República Democrática do Congo, Burundi, Camarões, Chade) e América (México, Colômbia). No Brasil, como aconteceu com os demais institutos missionários, chegaram em 1953, em res-posta a um apelo do papa Pio XII, que pedia às congregações missionárias pessoal para a América Latina. Os quatro primeiros foram trabalhar no Estado do Paraná. Outros vieram nos anos seguintes. Atualmente, são mais de 130. Em Abaetetuba do Tocantins, no Estado do Pará, o trabalho começou com índios e ribeirinhos e a formação de comunidades eclesiais de base. Hoje, os filhos de Conforti continuam nos mesmos campos pastorais e atuam no Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Pará. Passados mais de cem anos, 800 religiosos fazem parte da congregação, dos quais 20 brasileiros. Junto com os migrantes - Em novembro de 97, Guido Conforti foi beatificado pelo papa João Paulo II. Um ano depois, foi também elevada aos altares outra pessoa que não nasceu para si mesma: o bispo italiano João Batista Scalabrini. Em Piacenza, na Itália, na segunda metade do século 19, fundou duas congregações, uma masculina e a outra feminina, para prestar um serviço missionário junto aos migrantes. Para ambas congregações, Scalabrini escolheu como padroeiro o bispo São Carlos Borromeu. Por isso, os escalabrinianos, como ficaram sendo conhecidos seus seguidores, são chamados também de carlistas, particularmente no Brasil. No passado, essas congregações atendiam apenas aos imigrantes italianos. A partir de meados do século 19, a Itália passou a sofrer um fenômeno de grande importância: a emigração cada vez mais numerosa de seus habitantes. Num primeiro momento, os emigrantes eram sobretudo do Norte. Em seguida, o fenômeno começou a ampliar-se, até se tornar um dos dramas mais graves da história social daquele país. Hoje, os escalabrinianos ocupam-se dos migrantes de todas as partes do mundo. Trabalham nos setores de pastoral migratória, serviço social e de promoção e profissionalização do migrante, além de atuar em entidades e organismos nacionais e internacionais de apoio ao migrante. Atualmente, a congregação masculina escalabriniana é a que mais envia missionários brasileiros para o exterior. Mundo e missão - Além dos missionários da Consolata, xaverianos, salesianos e carlistas, outros dois grupos missionários resolveram apostar todas as fichas no potencial de evangelização que pode representar uma revista, criando MUNDO E MISSÃO, SEM FRONTEIRAS e ALÔ MUNDO. A primeira pertence aos missionários do Pontifício Instituto das Missões (PIME). O Instituto também produz audiovisuais e publica o jornal MISSÃO JOVEM, mais voltado para catequistas e o público juvenil em geral. Ambas as publicações propõem-se a ajudar os brasileiros, jovens e adultos, a viverem profundamente o espírito missionário no próprio país e abertos às questões dos outros povos. A entidade foi fundada entre 1849 e 1850, em Milão, na Itália, por obra do bispo Ângelo Ramazzotti e de um grupo de sacerdotes que viviam sonhando em partir para as missões no exterior. Desde o começo, o Instituto caracterizou-se pela sua finalidade de evangelização, em particular dos povos e grupos ainda não-cristãos. Depois de uma difícil tentativa de trabalho nas ilhas do Pacífico, no norte da atual Austrália, os missionários do Pime foram abrindo vários campos de apostolado na Ásia, que se tornou, assim, o continente que mais caracteriza a opção e o estilo missionário do grupo. Em 1926, o papa Pio XI fundiu o Instituto com outro análogo, criado em Roma, em 1870 (o Pontifício Seminário dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo para as Missões Exteriores). O primeiro grupo de missionários chegou ao Brasil, em novembro de 1946. Dez anos depois, eram já 150, espalhados pelos Estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Amazonas e Amapá. Assumiram trabalhos pastorais em paróquias, junto a comunidades rurais e indígenas. Atualmente, com cerca de 650 membros, sendo uma dúzia de brasileiros, o Instituto sente a necessidade de desenvolver mais a chamada animação missionária no Brasil, ou seja, formar novos missionários e ajudar a Igreja a não perder de vista a sua dimensão missionária. Nesse sentido, um projeto inovador vem sendo desenvolvido há um ano e meio, na capital paulista: o Pime-Missio. "Trata-se de um centro de formação criado especialmente para formar os evangelizadores para a dimensão missionária", explica padre Giorgio Paleari, seu diretor. Os cursos são semestrais e vêm abordando temas relacionados à missão além-fronteiras. Sem fronteiras - Se os missionários do Pime escolheram inicialmente a Ásia, como ponto de partida para sua grande aventura, os missionários combonianos lançaram-se em direção à África. São eles os editores da revista ALÔ MUNDO, voltada para o público infanto-juvenil, e SEM FRONTEIRAS, a mais antiga revista missionária em circulação no Brasil. Criada em maio de 1972, SEM FRONTEIRAS completa, portanto, 30 anos em 2002. Uma grande data que os combonianos pretendem comemorar do seu jeito: "ajudando a Igreja e a sociedade em geral a avançarem no pluralismo ideológico, religioso e cultural, que se apresenta hoje como o grande desafio missionário", diz o diretor João Munari. Na avaliação do sacerdote e sociólogo, SEM FRONTEIRAS representa uma importante contribuição do seu grupo religioso. "Se quisermos falar da história da congregação no país, basta mostrar a revista." História essa que começou em Limone, na Itália, com o fundador Daniel Comboni, também declarado bem-aventurado juntamente com Guido Maria Conforti e João Batista Scalabrini. Na metade do século 19, Comboni tinha uma idéia na cabeça e uma chama ardente no coração: tirar a África do esquecimento seja dentro da Igreja que na sociedade. No começo do século 21, o continente africano continua no esquecimento, ocupando pouco espaço na grande mídia do resto do mundo. Mas os filhos de Comboni não deixaram a sua obra perecer. São 1.800 membros - padres e irmãos - espalhados pelos quatro cantos do mundo. No Brasil, somam 130, de vários países, inclusive do continente africano. Acompanham de perto a luta do povo negro, indígena e sem-terra, e trabalham com comunidades eclesiais, pastorais sociais e meios de comunicação (revistas e audiovisuais). Sobre a iniciativa de juntar todas essas congregações missionárias ao redor de um mesmo projeto editorial, como MISSÃO 2001, Munari conclui: "É uma primeira tentativa de juntar esforços e construir parcerias. Todos estamos com vontade de caminhar nessa linha, sem sacrificar, é claro, a riqueza de cada um". |
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