| EXORTAR para progredir (1Ts 4,1-2)
Sergio Bradanini
Na primeira parte da carta (1Ts 1-3), Paulo lembra tudo aquilo que aconteceu
em sua missão apostólica ao fundar a comunidade cristã,
na segunda parte (1Ts 4-5), apresenta vários elementos de catequese
que deveriam fazer progredir a vida cristã da comunidade. A situação
em que ela se encontra não é das melhores, pois, de um lado,
surgem exigências éticas radicais em relação
ao ambiente pagão e, do outro lado, existem fortes tensões
internas que ameaçam a coesão e o crescimento na fé.
Paulo intervém, não para corrigir eventuais desvios, mas
para fortalecer o caminho já em andamento (4,1).
Quanto à metodologia missionária, não há nada
de novo porque encontramos as mesmas referências a esquemas catequéticos
decorrentes da tradição bíblica, como acontecia em
todas as comunidades primitivas, a partir da Igreja-mãe de Jerusalém.
No entanto, o nosso texto apresenta uma novidade: ela é constituída
por um "ideal de vida cristã" que exige transformações
radicais, principalmente no campo do comportamento ético e moral,
da parte de pessoas provenientes de um ambiente pagão, fortemente
marcado por uma mentalidade muito permissiva. Paulo oferece algumas instruções
para o crescimento da comunidade, destacando duas questões significativas
que são o ponto de referência de toda vida cristã:
a ressurreição dos mortos (4,13-18) e a vinda do Senhor
(5,1-11).
Esses dois elementos adquirem toda a sua profundidade, a partir das exigências
éticas da vida familiar (4,3-8) e da vida comunitária (4,9-12;
5,12-22). Na introdução da segunda parte da carta (4,1-2)
o termo "exortar" revela uma das funções essenciais
de toda atividade missionária. Para Paulo, não se trata
de uma simples imposição de regras e preceitos morais, mas
de uma dimensão que tem sua própria raiz "no Senhor
Jesus" e interpela fortemente os ouvintes. Nesse sentido, "exortar"
significa proclamar de forma autêntica o Evangelho, transmitindo
não uma doutrina, mas uma experiência concreta com todas
as exigências éticas decorrentes da adesão de fé.
De fato, "caminhar para agradar a Deus" (4,1) significa assumir
um comportamento moral e espiritual que deve ser concretizado numa comunhão
de vida sob todas as formas e com todos (relação familiar,
comunitária e com Deus). Destarte, fica bem clara a dimensão
missionária do apóstolo: ele não só funda
comunidades cristãs, mas as acompanha em seu crescimento; não
só aponta o caminho, mas tem a coragem de percorrer com elas o
mesmo caminho exigente da vida cristã! Até a etimologia
do termo grego 'exortar', ajuda a entender melhor esta dimensão
missionária essencial. Com efeito, "parakaléo"
(exortar) significa "chamar ao lado de", para ajudar e socorrer
alguém (isso lembra a figura do "Paráclito" nos
escritos de são João).
Paulo, realiza a sua missão, "ficando ao lado" da comunidade,
alimentando-a com suas instruções, para que ela cresça
e chegue à maturidade da fé. Como os antigos profetas, ele
não fica satisfeito com uma exposição fria da Palavra
de Deus, mas quer alcançar o coração das pessoas,
de modo que elas possam viver constantemente na presença divina.
Continuando a tradição profética, o apóstolo
não pode anunciar o Evangelho, sem exortar, isto é, sem
percorrer, junto com a comunidade, o caminho da fidelidade profunda e
corajosa a Deus e aos outros, sobretudo quando a vida e a história
manifestam seu lado dramático. João Batista "com muitas
exortações evangelizava o povo" (Lc 3,18); o mesmo
faz Jesus, radicalizando ainda mais o convite: "convertei-vos e crede
no Evangelho" (Mc 1,15). A convicção de Paulo é
tão clara que aos coríntios dirá: "É
como se Deus exortasse através de nós" (2 Cor 5,20).
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