Revista "MUNDO e MISSÃO"
Fome
da Redação - mundomissao@terra.com.br A riqueza de poucos
tem seus alicerces sobre a pobreza de muitos.
“Para salvar os famintos, bastariam 30 bilhões de dólares ao ano”, declarou Jacques Diouf, diretor da entidade. O dinheiro é necessário, mas, doado a um povo que não tem a mentalidade e a capacidade de produzir com técnicas novas, cria corrupção. Muitos países africanos têm mais de 50% de analfabetos, aplicam 2% da renda nacional na educação e 20% em armas, mas importam 30% dos alimentos que consomem. Aumentam os habitantes e a produção agrícola não aumenta na mesma proporção. Vilões? Segundo a FAO, os principais fatores que influenciamna atual carência alimentar são: - aumento da demanda, oscilações no preço do petróleo, especulação e condições climáticas desfavoráveis. Questiona-se sobre a responsabilidade dos biocombustíveis, cujas matérias-primas (cana, milho e outras) “roubam” o espaço de culturas destinadas ao consumo humano. Portanto, a “culpa” pelo descalabro é das grandes nações, sempre mais egoístas, ou das multinacionais, cada vez mais ávidas de lucro fácil, ou do sistema capitalista, ainda não totalmente domesticado. A velha companheira A atual crise não é a primeira e nem será a última. Há, pelo menos, 3.800 anos o Egito dos faraós foi dizimado pelas “sete vacas magras” e “sete espigas murchas”, conforme um relato bíblico (Cf Gn 41, 1-8). Outras crises (alimentares, éticas ou de outros valores sociais,...), geradas por um encadeamento de fatores, acompanharam a trajetória humana. A superação de cada qual só foi possível com a adoção de remédios amargos: - penitências, morte das oligarquias, contenção de recursos, campanhas de conscientização, vacinação em massa, “revolução verde”, ... Entretanto, as crises são cíclicas. Afastam-se, como ondas, para retornar em seguida. Apenas diques reforçados conterão suas investidas. E agora, o que fazer com esta? É um álibi fácil acusar de egoísmo as grandes nações ocidentais, as multinacionais, o sistema capitalista, se bem que, na maioria de suas cúpulas, assentam-se “cristãos”. E os que não estão no alto, são também “cristãos” tanto quanto eles? Pe. Piero Gheddo, do PIME, é incisivo: - “A fome no mundo chama à consciência cada um de nós, o nosso estilo de vida egoísta e consumista”. Certamente, o missionário tem em mente o grito de João Paulo II: - “Contra a fome, mude de vida!”. Alertas anteriores vieram dos grandes profetas bíblicos. O precursor do Cristo bradava: - “Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira...?” (Mt 3, 7) A mesma expressão, utilizada mais tarde por Jesus, ajudaria a levá-lo ao calvário. Aliás, ele provocava os religiosos de seu tempo: - “...por dentro estais cheios de rapina e de perversidades!” (Lc 11, 39). No século IV, João Crisóstomo, a voz da consciência bizantina, apontava o dedo aos “cristãos” ricos: - “O ouro que repousa em vossos altares pertence aos pobres” (Sermão 22). Coração: - a fonte de tudo “O que sai da boca procede do coração e é isto que torna o homem impuro”, diz Jesus (Mt 15, 18). Mas não é preciso recorrer ao evangelho para descobrir o valor do amor, gerado no coração. Steve Jobs, fundador das multinacionais da informática Apple e Pixar, declarou: - “Às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me permitiu seguir adiante foi o meu amor pelo que fazia. Você tem que descobrir o que você ama. Isso é verdadeiro tanto para o seu trabalho quanto para com as pessoas que você ama” (discurso de formatura da Universidade de Stanford). O verdadeiro desenvolvimento A mais autêntica revolução humana a fazer é estender este amor, expressado por Steven Jobs, a todas as pessoas da terra. É a revolução do coração. Através dela, é possível surgir um “modelo de desenvolvimento” alternativo, segundo as palavras do Pe. Gheddo: “O desenvolvimento é: a) convencer-se que ele não é o contínuo crescimento econômico e a busca de um bem-estar mais opulento, mas é dar a todas as pessoas o necessário à vida; b) não é suficiente ter dinheiro e máquinas; é preciso pessoas, porque o desenvolvimento é problema de educação, de formação das consciências, de evolução das culturas, de partilha. O nosso modelo atual é materialista, voltado a ter sempre mais, a melhorar o nosso nível de vida e de consumo. Impossível, com este ideal, sermos irmãos dos pobres”. A voz da Igreja católica Na encíclica Redemptoris Missio lemos: - “O desenvolvimento do homem vem de Deus, do modelo de Jesus homem-Deus e deve levar a Deus. Eis porque entre anúncio evangélico e promoção humana existe uma estreita conexão”. Na raiz do subdesenvolvimento há mentalidades, culturas e religiões fundamentadas sobre visões inadequadas do homem e da mulher. Os missionários dizem: - “Aqui só o Evangelho pode mudar estas situações desumanas de miséria e de ignorância”. A bem-aventurada madre Teresa de Calcutá dizia: - “A maior desgraça da Índia é a de não conhecer Jesus Cristo”. Ainda a Redemptoris Missio: - “O Evangelho é a primeira contribuição que a Igreja pode dar ao desenvolvimento dos povos”. O Evangelho promove o desenvolvimento, esta a realidade dos fatos, confrontando com os povos subdesenvolvidos: - os cristãos, em paridade de condições, desenvolvem-se antes dos outros.
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