Revista "MUNDO e MISSÃO"
Fome
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16 milhões com sede Hélio Pedroso Além das guerras étnicas, a África corre outro grande risco: a disputa pela água para assegurar o suficiente para o povo e seus animais. Uma catástrofe que pode agravar ainda mais os sofrimentos do povo africano São milhares de quilômetros - numa extensão que vai
da região dos Grande Lagos ao Mar Vermelho - que compõem
a faixa da seca. Essa seca foi provocada pela escassez e pelo atraso das
grandes chuvas características da região central da África,
mas também pelas inúmeras guerras que fizeram milhares de
pessoas abandonar os campo, fugindo dos exércitos beligerantes.
Nessa faixa de terra, existem cerca de 16 milhões de pessoas (a
estimativa é difícil, por causa dos conflitos que já
duram dezenas de anos), entre homens, mulheres e crianças, ameaçados
pela fome porque não houve colheitas e os rebanhos começam
a definhar. Os países na faixa de risco Burundi é um país com sete anos de guerra civil, em busca
de uma paz difícil (ver nº 46 de Mundo e Missão). Além
dessa guerra, nos arredores da capital Bujumbura, embora os números
não sejam confirmados pelo governo tutsi, há mais de 400
mil pessoas vivendo nos campos de refugiados e que, dificilmente, recebem
comida diária suficiente para sobreviver. O futuro trágico Dentro de alguns anos, um entre dois africanos terá a sua porção de água necessária para sobreviver reduzida pela metade ou até menos. Hoje, calcula-se que uma pessoa necessita de mil metros cúbicos de água, ao ano, para sobreviver, todavia, as previsões afirmam que vários países do mundo deverão sobreviver com muito menos. Há controvérsias, mas tudo indica que mais de 12 países africanos terão que enfrentar o problema da falta de água para suas populações, talvez até através de conflitos, em particular, onde existem as grandes reservas de água, como as regiões dos grandes lagos e dos grandes rios. Exemplo disso é o rio Nilo, sobre o qual a Etiópia reclama justos direitos de reservas, visto que em seu território nasce o Nilo Azul, responsável pelo fornecimento de 85% das águas de todo o rio. Essas reivindicações contrariam os interesses do Sudão e do Egito, pelos quais passa o rio, que não estão dispostos a ceder. Outro conflito está se criando entre Angola, Namíbia e Botsuana que dependem do rio Cuito para a agricultura. Sendo pobres, e precisando centenas de toneladas de água ao longo do ano, esses países não se podem dar ao luxo de importar grãos e muito menos água. Jean Fabre é o vice-diretor do escritório do Progra-ma
pelo Desenvolvimento das Nações Unidas e alerta que serão
inevitáveis as guerras para a conquista da água, caso não
se procure, desde agora, uma resolução para o problema.
Ele denuncia que as áreas de maior riscos são os rios Nilo,
o Jordão entre Síria e Israel, e os rios entre Bangladesh,
Índia e Nepal. Pessoas assistidas pelo PAM (ONU) e outros organismos internacionais, sofrendo as CONSEQÜÊNCIAS DA FALTA DE ÁGUA · Etiópia 10.000.000 TOTAL 16.523.000 Fonte: PAM (dados do dia 15 julho 2000) |
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