Revista "MUNDO e MISSÃO"

Fome

por Hélio Pedroso

"Milhares de adultos e crianças
inocentes morrem de fome e de
inanição; quantos irmãos e irmãs
nossos estão revivendo na própria
carne o drama do calvário! Podemos
ficar indiferentes diante deste deses-
perado grito de dor que se eleva de
tantas partes do planeta?"

João Paulo II, no discurso da Via Sacra,
no Coliseu, em 18 de abril 2003


Retrato da dor e do sofrimento de uma criança na Guiné Bissau

Voluntária cuida de criança subnutrida no
dispensário da cidade de Chandpukur, Bangladesh.

O mapa da fome delineado pelo Wfp - Programa Alimentar Mundial, o órgão da ONU contra a fome e subnutrição, mostra somente três áreas livres deste problema: Estados Unidos, Europa, com exceção da Albânia, e a ex-URSS, excluindo os países caucasianos. O resto do mundo é um imenso mosaico de sofrimento, sendo que alguns países precisam de imediata e massiva ajuda externa das organizações mundiais e da boa vontade de outras nações, para diminuir ou amenizar a fome que dizima seu povo. São mais de 800 milhões de famintos e, a cada dia, estima-se que, no mundo, morrem 24 mil pessoas por fome ou causas provenientes dela.

A África é ainda o continente em que a emergência é maior: 40 milhões de pessoas estão à beira da morte por subnutrição. São números impensáveis de uma catástrofe, às vezes, gerada pela seca, mas também pelas guerras e guerrilhas internas que causam devastações irrecuperáveis, deslocamentos de populações e abandono de lavouras; do descaso dos governos locais, mais interessados em ganhar sobre a desgraça. À calamidade da fome, associa-se também a epidemia da Aids.

Entre os países africanos mais atingidos, estão a Eritréia e a Etiópia, já empobrecidos por uma longa guerra e um precário tratado de paz. Além disso, tiveram a pior colheita da última década. A Eritréia, no ano passado, teve uma colheita que cobriu pouco mais de 15% das necessidades alimentares de seu povo: um terço da população de um milhão de pessoas já está em risco de morte por inanição, fome e seca. Na Etiópia, catorze milhões necessitam de uma assistência alimentar que já se tornou o dobro do ano passado. Até os rebanhos de gado, caprino e ovino, fontes de subsistência do povo rural, foram gravemente dizimados pela seca.

Não bastassem a morte e os furtos de animais e comida, as brigas para se apoderar dos poucos poços que ainda fornecem água barrenta e a incapacidade do governo de assegurar um mínimo de ordem pública no país agravam, ainda mais, a situação de penúria e desespero das populações em contínua migração, em busca de uma difícil sobrevivência. Outros países em risco são: Lesoto e Malaui, onde 3,2 milhões de pessoas necessitam de ajuda urgente, pois se esgotaram as reservas de grãos e de animais de pequeno porte que ainda ajudavam as famílias.

O Zimbábue, grande exportador de alimentos até poucos anos atrás, mas agora, pela seca e pelo mau governo do atual ditador Mugabe, que expropriou as fazendas dos antigos colonos brancos, encontra-se em déficit de 1,5 milhão de toneladas. O resultado é que 6,7 milhões de pessoas, precisando de ajuda alimentar, abandonaram as fazendas, antes fonte de riqueza e agora improdutivas, abarrotando as ruas das grandes cidades como famintos.

Também foram duramente castigados pela seca dos anos passados a Zâmbia e alguns países da África Ocidental, como Mauritânia, Senegal, Gâmbia, Cabo Verde e Mali. Nestes, há regiões em que os moradores estão vivendo no limite da inanição: perda de peso corporal, desidratação, perda da visão, diarréia e, por fim, quase como libertadora, a morte.

 

HAITI E BOLÍVIA
entre os países mais pobres

a América Latina, não são tanto as secas ou fenômenos metereológicos que provocam danos ao povo, mas a instabilidade social e econômica. Na Colômbia, quarenta anos de crise, guerrilha, violência e criminalidade criaram um milhão e meio de prófugos (número que coloca o país em terceiro lugar, depois do Sudão e de Angola) e afundaram 57% dos colombianos na pobreza. A Bolívia também vive com enormes dificuldades: 2/3 da população vive em condições de miséria e somente 12% das famílias conseguem consumir o mínimo das calorias diárias necessárias para uma vida saudável.

No Equador, a subnutrição persegue 45% das crianças abaixo dos 5 anos. No Peru, quase metade da população vive em extrema pobreza; 49% das crianças abaixo dos cinco anos sofrem de insuficiência alimentar e 37% delas já sentem as conseqüências físicas da prolongada subnutrição.

Na América Central, o Haiti é o país mais pobre, com 80% da população em situação de quase miséria. Cuba também vive numa situação crítica, mas o governo não permite a publicação de dados confiáveis sobre a real situação de pobreza do povo. Na Guatemala, 57% vivem na pobreza, entre os quais 27% na extrema pobreza (menos de um dólar ao dia).

BANGLADESH E AFEGANISTÃO
são os que mais sofrem na Ásia

o continente asiático, são vários os países com elevada subnutrição, desde aqueles situados em regiões montanhosas, como Nepal, Butão, Tibete e algumas regiões da China, até a Armênia e o Arzebaijão, entre outros que, devido aos recentes conflitos, têm inúmeros prófugos internos e externos. Os países que ocupam os últimos lugares do ranking mundial da pobreza e desenvolvimento são Bangladesh e Afeganistão.

Pelo Programa Alimentar Mundial, Bangladesh encabeça a lista dos países com as maiores taxas de subnutrição e é o último em desenvolvimento: numa população de 143 milhões, 35% estariam abaixo do nível da pobreza, sofrem de grave subnutrição com todas as doenças decorrentes.

Em particular, as maiores vítimas dessa subalimentação são as mulheres e as crianças: 52% delas teriam uma massa corpórea abaixo do valor mínimo; 50% sofrem por falta de vitaminas e sais minerais como o ferro e, 30% dos recém-nascidos estão perigosamente abaixo do peso mínimo para sobreviver.

A população do Afeganistão também se encontra na zona perigosa de sobrevivência. Desde 1999, o país está sendo castigado por uma das piores secas dos últimos 30 anos, à qual se juntam os longos anos de guerra civil e a recente invasão norte-americana. Apesar do compromisso das organizações humanitárias internacionais, há uma dificuldade de acesso à ajuda alimentar, sendo que mais de 5,9 milhões de afegãos dependem da ajuda internacional para sobreviver.

Entre esses famintos, 3,2 milhões foram vítimas de cataclismas naturais e de conflitos; 1,2 milhão de prófugos voltaram à pátria, após a queda dos talebãs, mas existem outros 400 mil no país e 350 mil estariam abaixo do limite da pobreza.

Visite as outras páginas

[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO] [MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E. - Missio] [Noticias] [Seminários] [Animação] [Biblioteca] [Links]

Voltar