Revista "MUNDO e MISSÃO"
Globalização
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O Fórum de Davos, excepcionalmente realizado
em Nova York, para prestar solidariedade à cidade ainda marcada
pelas feridas do dia 11 de setembro do ano passado, foi o encontro das
elites econômicas, sociais, intelectuais, científicas, O Fórum Social Mundial de Porto Alegre, permeado de alguns protestos, reuniu as lideranças dos movimentos sociais (e também dos índios, negros e outros excluídos) internacionais, das Ongs, do voluntariado, dos que põem as mãos na massa para que o mundo melhore. Os dois encontros, distantes milhares de quilômetros no espaço, começam a se juntar nas propostas para fortalecer um mundo civil transnacional |
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Quando em novembro de 1999, em Seattle, nos Estados Unidos, milhares de manifestantes ganharam as ruas para protestar contra a globalização em curso, e mais precisamente contra a reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC), a maior parte da imprensa classificou-os de quatro gatos embora representassem Organizações Não-Governamentais, movimentos sociais e sindicatos de várias partes do planeta. Os endinheirados do Fórum Econômico Mundial foram mais além em sua avaliação. Disseram que esse tipo de protesto não teria fôlego. Passados poucos anos, porém, os fatos estão mostrando o contrário. Não só o chamado Povo de Seattle mudou de nome, como também cresceu. De 2001 para cá, ele vem tendo encontros marcados no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre (RS). E mais: procura afinar o discurso e, sobretudo, aliar protestos e propostas alternativas ao atual estado do mundo. O fato é que a segunda edição do Fórum Social Mundial foi além das expectativas dos organizadores. Primeiro, em números. O evento reuniu mais de 51 mil participantes, entre delegados e ouvintes, representando quase 5 mil organizações da sociedade civil de 131 países.
Muita coisa boa aconteceu nesse gigantesco laboratório de idéias e experiências: houve 27 conferências, abordando temas diversos, desde o comércio mundial, a dívida externa e a produção de medicamentos à relação entre Brasil e África, os povos indígenas e os direitos humanos. O verdadeiro tesouro do Fórum, porém, estava escondido em outras salas da Pontifícia Universidade Católica e nos ginásios espalhados pela cidade que abrigaram a maioria dos 900 seminários de estudo e oficinas abarcando da globalização ao analfabetismo, do controle dos capitais aos produtos transgênicos, do sindicalismo ao racismo, da luta feminista à defesa do meio ambiente. Até um tribunal internacional da dívida externa aconteceu, condenando, simbolicamente, organismos financeiros internacionais, como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, pela sangria de dinheiro imposta aos países empobrecidos do Terceiro Mundo. Foram elaboradas centenas de documentos e propostas que, depois de sistematizados, serão colocados à disposição no site oficial do Fórum Social na internet (a rede mundial de computadores): www.forumsocialmundial.org.br. Não se tratou, portanto, de um evento deliberativo, tipo congresso de organização ou partido, que estivesse obrigado a tirar uma só declaração ou resolução final. Mesmo sendo o segundo fórum dessa natureza, boa parte da grande imprensa ficou confusa com isso, sem compreender direito a posição do Comitê de Organização, apresentada desde o lançamento da idéia do evento: Não haverá uma declaração, mas poderá haver várias, de todos os que livre e autonomamente desejarem aprovar entre si posições comuns. E foi o que aconteceu: centenas de movimentos sociais aprovaram conjuntamente uma declaração e uma combativa agenda de lutas. O mesmo fizeram os negros, os indígenas, as mulheres, os jovens... Numa primeira avaliação, uma unanimidade: o mérito da iniciativa, da enorme mobilização e repercussão cabe às oito organizações da sociedade civil brasileira que formam o Comitê de Organização do Fórum Social Mundial e aos parceiros nacionais e internacionais que lhes deram apoio. São elas, ABONG (Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais), ATTAC (Ação pela Tributação das Transações financeiras em Apoio aos Cidadãos), CBJP (Comissão Brasileira Justiça e Paz, da CNBB), CIVES (Associação Brasileira de Empresários pela Cidadania), CUT (Central Única dos Trabalhadores), IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e RSJDH (Rede Social de Justiça e Direitos Humanos). Estados feudais O Fórum cresceu também em participação de intelectuais de fama internacional e Prêmios Nobel da Paz. A ativista indiana Vandana Shiva, o sociólogo português Boaventura Sousa dos Santos, o lingüísta americano Noam Chomsky, a canadense Naomi Klein, o argentino Adolfo Perez Esquível e a guatemalteca Rigoberta Menchú foram algumas dessas personalidades que contribuíram no debate. Vandana Shiva, por exemplo, participou da conferência sobre sustentabilidade ambiental que lotou a sala 1 do Centro de Eventos da PUC, no dia 2. Para a ecologista da Fundação de Pesquisa para Ciência, Tecnologia e Ecologia da Índia, a guerra contra o terrorismo declarada, após o atentado de 11 de setembro, pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e o primeiro-ministro da Inglaterra, Tony Blair, é, na verdade, uma guerra contra os excluídos pelo sistema neoliberal, que são 80% da população mundial.
Este é um mundo falido. Na Índia, protestamos contra a globalização de uma forma organizada de resistência pela não cooperação, virando as costas contra o poder. Segundo diagnosticou Vandana, a globalização transformou as nações em Estados feudais. A privatização da água é um caso exemplar. O sistema de mercado também impossibilita que os pobres tenham acesso aos alimentos. Precisamos proteger a biodiversidade das nossas sementes, não aceitando as patentes e o controle das corporações. Defendemos a globalização da compaixão, e não do roubo e da ganância. Debates e propostas Debates à parte, para o teólogo da libertação, frei Betto, o ponto mais importante do evento foram as proposições que surgiram. Ao contrário do primeiro, esse não foi um fórum anti-Davos. O acento ficou no tom propositivo. O que ocorreu em Nova York não nos interessou. Da outra vez, não, havia uma sintonia muito forte do que se passava em Davos. Houve até teleconferência. Esse ano não quisemos abrir espaço para eles aqui e, ao mesmo tempo, quisemos abrir perspectivas de esperança para a busca desse novo perfil de sociedade globalizada, com a globalização da solidariedade, explica. E foi isso o que o sociólogo português Boaventura também demonstrou na conferência sobre democracia participativa. Ele sugeriu quinze propostas para uma melhor democracia. O objetivo do Fórum não é só discutir, mas também propor, disse. Entre as idéias apresentadas está a defesa da demodiversidade, ou seja, uma luta por democracias diferenciadas em cada localidade, respeitando as diferenças, mas tendo como base a igualdade. Boaventura defendeu o direito à diferença quando a igualdade te oprime, e o direito à igualdade se a diferença te oprime.
O jornalista francês Bernard Cassen um dos idealizadores do Fórum, juntamente com os brasileiros Francisco Whitaker e Oded Grajew considera que, este ano, houve um fórum muito mais mundial, pois aumentou a participação de delegados africanos, asiáticos e latino-americanos. Também em nível de preparação, houve um salto de qualidade, avalia. Mas ainda há muita estrada a ser feita para que o evento espelhe realmente a diversidade dos povos, acredita João Pedro Stédile, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Na verdade, o fórum ainda não é mundial. Está muito ocidental e cristão, observa. Temos a representação de muitos países, mas a maioria deles envia apenas alguns delegados. Ele acha que uma solução já está sendo traçada pelo comitê organizador. A partir deste ano, acontecerão fóruns regionais e continentais. Diversidade Nessa mesma tecla do respeito à diversidade bateram os índios presentes ao fórum. Durante a conferência sobre os povos indígenas, a quíchua Blanca Chancoso, da Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), foi ovacionada, quando ressaltou que um outro mundo só será possível se respeitar a diversidade dos povos indígenas.
Ela avalia que o movimento indígena conseguiu crescer nos últimos anos e angariar vitórias em diversos países. No Equador, por exemplo, alguns direitos fazem parte da Constituição, como o reconhecimento das nações indígenas e de suas línguas, ao lado do espanhol. O problema é que, muitas vezes, essas leis não saem do papel. Não queremos concessões de última hora nem esmolas, mas ser tratados como indivíduos e como nações. À diferença dos companheiros do Equador, os brasileiros estão lutando há mais de dez anos pela aprovação do Estatuto dos Povos Indígenas. Está parado no Congresso porque os políticos dizem que vai contra a unidade nacional, protestou o Truká Aurivan dos Santos. Outra liderança indígena que partilhou suas preocupações foi a Nobel da Paz de 1992, Rigoberta Menchú. Na sua avaliação, o Fórum Social é um lugar privilegiado para discutir temas que foram excluídos do Fórum Econômico (que este ano não se realizou em Davos, na Suíça, mas em Nova York, nos Estados Unidos). Um desses assuntos é justamente a situação de miséria em que se encontram muitos povos indígenas. Nossas crianças estão morrendo de fome, nossas lideranças estão sendo assassinadas e silenciadas em todos os países. Rigoberta criticou o governo brasileiro por não querer aprovar o Estatuto dos Povos Indígenas. O governo vê isso como uma ameaça à unidade nacional. Além disso, ela denuncia a existência de um relatório da CIA (o serviço de inteligência estadunidense), cujo conteúdo revela que para os próximos dez anos os povos indígenas vão ser um problema de segurança nacional. Para a Nobel da Paz, isso tudo não passa de uma grande mentira, porque formamos, sim, uma parte dos povos que trazem a diversidade e riqueza para nossos países. Reparação Além do direito à diversidade, os delegados africanos e afro-brasileiros também reforçaram o debate sobre o racismo. Marginalizados na programação oficial do Primeiro Fórum Social Mundial, eles tiveram espaço de destaque já mesmo no primeiro dia do evento deste ano, com a conferência especial Brasil-África.
A iniciativa reuniu centenas de pessoas, em sua maioria representantes de entidades negras brasileiras, e contou com a participação da vice-governadora do Rio, Benedita da Silva, da ex-ministra da Cultura do Mali, Aminata Traoré, do economista ruandês, Jacques dAdesky, e do coordenador do Fórum Social Africano, Taoufik Ben Abdallah. Durante o debate, a ex-ministra fez questão de tocar num assunto que provocou discórdia na Conferência mundial sobre racismo, na África do Sul, no ano passado: a reparação. Por que alguns povos, como os hebreus, têm direito à reparação, e outros, não? Os africanos contribuíram para a riqueza do planeta, é preciso retribuir à África o que lhe roubaram.
Nesse sentido, o fórum de Porto Alegre ajudou a refletir sobre o destino da África. Um destino que se baseie na dignidade, porque não vamos mais aceitar uma globalização de quinta categoria. Os africanos e afro-brasileiros já decidiram que o tema da reparação será um dos principais a ser discutidos durante o próximo Fórum Social Mundial, que se realizará de novo em Porto Alegre. Segundo o presidente da ABONG, Sérgio Haddad, o Rio Grande do Sul ainda é o lugar mais adequado para a próxima edição do evento. Haddad informou que III Fórum começará mais cedo, com diversos encontros a partir de outubro deste ano, em diferentes países, culminando com o encontro em 2003. A partir de 2004, a proposta é a alternância de locais, com a realização na Índia e, sucessivamente, em algum país africano. O Fórum, portando, continuará existindo e procurando responder a outros desafios que se prospectam, como o de trabalhar em mutirão, apesar das diferenças ideológicas e religiosas. Afinal são quase 5 mil entidades diferentes, congregando muitas bandeiras de movimentos sociais, ONGs, sindicatos, partidos, Igrejas e religiões. Vale aqui a máxima do papa João XXIII: O importante é o que nos une, não o que nos divide.
Embora o assunto seja o Fórum Econômico Mundial que este ano foi realizado em Nova York, e não em Davos, na Suíça, como há trinta e dois anos vem ocorrendo anualmente, convém chamar a atenção para um fato capaz de produzir uma inflexão no comportamento da sociedade americana em relação ao capitalismo, e que, portanto, acabará influenciando, no futuro, a temática do próprio Fórum. Trata-se da falência da Enron, companhia energética americana, uma das maiores contribuintes de campanhas eleitorais dos partidos políticos norte americanos, especialmente o republicano. O professor americano Paul Krugman, economista da Universidade de Princenton, chegou a afirmar que a falência da Enron é mais importante, no sentido de ter a capacidade de provocar uma mudança profunda na atitude dos americanos, do que os ataques terroristas de 11 de setembro. Resumidamente, com a falência econômica e financeira da Enron, faliu a confiança no sistema capitalista. Faliu a confiança no sistema centrado no mecanismo de mercado operado pelas Bolsas de Valores de Wall Street e do mundo em geral. Faliu a confiança de milhares de pequenos e médios investidores no sistema de aplicação em ações, especialmente como complemento da aposentadoria. Milhares perderam, com a Enron, economias de anos a fio. A falência da Enron revelou a corrupção das instituições capitalistas norte-americanas, com reflexos negativos sobre todo o mundo capitalista. É Rudiger Dornbusch, professor do Massachussetts Institute of Techonology, quem diz: Quando comitês do Congresso americano reduzem a fiscalização regulamentar de empresários que são seus amigos, quando empresas de contabilidade abrem mão de sua independência, seduzidas por megacontratos, quando os conselhos de direção de grandes empresas não conseguem dizer não porque os honorários de seus membros são enormes, em proporção ao seu esforço, e quando executivos atuam em defesa de seus interesses próprios, está montado o palco para o capitalismo perder sua boa reputação. Antônio Luiz Costa, da revista Carta Capital, diz que a Enron fez da milenar arte da propina uma ciência exata. Noticia a existência nos computadores da empresa de um programa apelidado Matrix, cuja finalidade era calcular o custo (ou o ganho) para a empresa de qualquer mudança nas leis e nos regulamentos do setor que afetasse seus interesses. Ao rodar o programa, os executivos da Enron sabiam exatamente quanto valia a pena pagar para derrubar um projeto de lei ou revogar uma regulamentação incômoda. Era só contatar parlamentares e ministros e mobilizar sua equipe de lobistas 150 funcionários trabalhando em período integral sobre assuntos federais e estaduais. O impacto da falência da Enron já produziu uma revolução no financiamento das campanhas eleitorais. Acaba de ser aprovado pela Câmara dos EUA, o projeto que proíbe as empresas de contribuir para os partidos políticos. Somente as pessoas físicas poderão contribuir, até um determinado teto. O projeto já se encontra em tramitação no Senado americano. Outras mudanças estão sendo examinadas em relação às normas contábeis, novos poderes para o órgão que controla as Bolsas de Valores, novas regras para os fundos empresariais de pensão, etc. O Fórum Econômico Mundial, evento sem paralelo no mundo, reúne a nata do capitalismo mundial. Nele se encontram os homens mais ricos do mundo, os representantes de todas as grandes empresas transacionais, os executivos mais influentes, os consultores mais respeitados, os professores universitários mais prestigiados, bem como os políticos mais articulados com as finanças e os negócios dos grandes e poderosos do planeta. Ali se reúnem os que fazem e dirigem a economia mundial. Reúnem-se para apurar a própria sensibilidade, aproximar afinidades, refletir sobre problemas que possam ameaçar a posição de força e de poder do conjunto do mundo dos negócios, apurar a visão para melhor garantir a realização de seus interesses e ajustar o discurso ideológico, enquanto um sistema de idéias dirigidas à ação de seus participantes. Surge, entretanto, nos dois últimos anos, paralelamente, um outro evento, pelo menos na cronologia da sua realização. Trata-se do Fórum Social Mundial de Porto Alegre, realizado simultaneamente ao de Davos, em janeiro de 2001. E agora, em fins de janeiro e início de fevereiro de 2002, realizado novamente em Porto Alegre, ao mesmo tempo que o de Nova York, para onde se transferiu a reunião tradicionalmente realizada em Davos. A organização do Fórum Econômico Mundial diz ter transferido a sua reunião anual para Nova York, mais precisamente para a ilha de Manhatan, para desagravar a cidade, em gesto de solidariedade, especialmente para com as vítimas dos ataques terroristas que derrubaram as duas torres gêmeas que formavam o World Trade Center. Uma outra interpretação para a mudança da cidade sede da reunião do Fórum Econômico Mundial, de Davos para Nova York, no entanto, é que esta cidade ficou mais vigiada e segura depois dos ataques terroristas perpetrados contra ela. E essa vigilância e segurança poderiam favorecer a desmobilização das manifestações de protesto que vêm ocorrendo por ocasião das reuniões dos organismos financeiros e comerciais internacionais, o FMI, o BIRD e a OMC. Recorda-se que desde Seatle, em novembro de 1999, emerge uma sociedade civil mundial decorrente, dentre outras causas, da era da Internet. Sociedade civil mundial que sabe se fazer presente nas ruas de qualquer lugar do mundo para protestar, notadamente, contra a pobreza, a exclusão social e a agressão ao meio ambiente, efeitos mais visíveis e perversos da globalização econômica sem justiça social. Está emergindo uma sociedade civil mundial, que se ativa, se comunica pela Internet e se articula em torno de milhares de Organizações Não Governamentais de âmbito transnacional. Gradativamente está se articulando e institucionalizando, tendo como ponto de convergência o Fórum Social Mundial de Porto Alegre. Em razão disso, a própria pauta do Fórum Econômico Mundial foi influenciada. De fato, ao lado dos temas ligados à economia, foram incluídos temas sociais. Do ponto de vista econômico, segundo o jornalista Clóvis Rossi, ficou claro que uma forte maioria dos presentes (empresários, economistas e membros do governo) acha que a desaceleração econômica, a primeira sincronizada no mundo moderno, já acabou. A única dúvida é quanto à forma de recuperação. Do ponto de vista social, segundo o mesmo jornalista, há anos os ricos se comprometeram a dedicar 0,7% de seus recursos econômicos ao que o jargão diplomático chama de ODA (Overseas Development Assistance. Na prática, doação.) Hoje, a marca é de magérrimo 0,22%. De sorte que, mesmo tendo falado sobre a pobreza e a exclusão social, do lado dos ricos, ainda muito pouco se tem feito. Na verdade, de um ponto de vista geral, o Fórum Econômico de Nova York deste ano teve de conviver com a crise da Argentina, cujos graves problemas institucionais decorreram do modelo neoliberal e do câmbio fixo, agora substituído pelo câmbio flutuante. País que seguiu fielmente o modelo neoliberal e sempre foi festejado nas reuniões do Fórum de Davos, nos anos anteriores, a Argentina lançou, sobre o Fórum de Nova York, a sombra do fracasso do modelo neoliberal, retirando dos seus participantes, digamos, para dizer o mínimo, qualquer espírito de comemoração. Para encerrar, como disse o arcebispo George Carey de Canterbury (Reino Unido), citado por Rossi, há uma grande indagação pendendo sobre o capitalismo hoje. É formada por uma só palavra: Enron. Acrescentemos ainda algumas palavras: as lições da crise socioeconômica vivida pela Argentina e o desenvolvimento da sociedade civil global podem nos ajudar a repensar o mundo contemporâneo e a atingir a democracia global, com honestidade e justiça social. |
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