Revista "MUNDO e MISSÃO"
Globalização
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O Congresso foi promovido pelas Nações Unidas, pelo Unicef e coordenado pela Ecpat, um organismo que surgiu em Bangcoc, Tailândia para contrapor-se ao turismo sexual na Ásia, e pelo governo japonês. Após o primeiro congresso realizado no verão de 1999, na Suécia, a consciência mundial mudou para melhor. Cresceu no mundo inteiro a mobilização das pessoas e das autoridades nacionais e internacionais; muitos governos já introduziram normas contra a prostituição infantil e o tráfico de menores para exploração sexual. Foram agravadas as penalidades para os cidadãos que cometem esse tipo de crime e não adianta nem ir buscar refúgio no exterior, visto que as leis internacionais perseguirão os infratores além das fronteiras. Já estão sendo estudadas convenções internacionais para defender melhor a dignidade dos menores e das mulheres. A Internet e a prostituição A Internet revelou-se muito útil para descobrir, denunciar e prender aliciadores de crianças e mulheres. Existem pessoas que se transformaram em verdadeiros caçadores de pedófilos. Mas acontece também o contrário. Hoje, a rede permite um rápido acesso a qualquer site desse tipo, facilitando o comércio e movimentando muito dinheiro. Fala-se de 37 mil sites que podem ser acessados na rede.O Unicef denuncia que, a cada ano, pelo menos um milhão de menores (três mil ao dia) são introduzido no mercado do sexo, mas alguns pesquisadores acreditam que o número deva ser quatro vezes maior porque ainda não existem dados estatísticos totalmente confiáveis. O corpo à venda Pelas histórias das crianças presentes no Congresso de Yokohama, aparecem outras visões que revelam, às vezes, uma leviandade irresponsável por parte dos menores e a conivência, por parte das famílias que, direta ou indiretamente, compactuam com o fato de seus filhos se prostituírem. Em Nova York, o número de meninos que se prostituem é maior que o de meninas; no Japão e na Coréia do Sul, entre outros países, há estudantes de todos os graus que se prostituem voluntariamente para ganhar um dinheiro extra e gastar livremente com droga, objetos da moda ou algo que não conseguiriam dos pais, como moto, aparelho de som, etc. A exploração de menores é cruel e trágica no Terceiro Mundo: meninos e meninas, adolescentes e jovens das classes mais miseráveis, são obrigados a se prostituírem por causa da pobreza e indigência. Nesses casos, atrás dessas vítimas, estão os pais que sobrevivem com a venda ocasional ou definitiva a traficantes que agem em organizações criminosas. Muitas vezes, essas vítimas são exportadas, clandestinamente, para países ricos e obrigadas a trabalhar nas calçadas, como verdadeiros escravos de poderosas gangues. Do outro lado da moeda, existe a demanda dos clientes que procuram esses menores: são pedófilos, turistas, estrangeiros, ou viajantes a negócio que aproveitam para procurar aventuras particulares com menores. As conclusões do congresso Ao término do congresso, os participantes deixaram uma série de recomendações para a proteção das crianças. Após terem reconhecido que, de fato, houve avanços no respeito aos direitos de crianças e adolescentes, através de um maior interesse dos governos e da sociedade, insistem ainda sobre a eficácia de medidas para coibir, de forma veemente, a prostituição infantil. Além de medidas policiais e judiciais mais severas contra os infratores, pediram a criação de centros de serviço, nos países tristemente famosos pelo turismo sexual infantil, para recuperar as vítimas.
Reconheceram que é fundamental combater a exploração sexual em suas causas e, portanto, a luta deve ser também contra a pobreza, a desigualdade, a exploração em todos os níveis, a violência, os conflitos armados, a desagregação familiar, a pornografia. Como ação positiva, foi sublinhada a importância da educação escolar, sobretudo das meninas, a reintegração social das crianças vitimadas, a garantia às famílias de um trabalho e de renda adequada para evitar que elas encaminhem as crianças e as jovens à prostituição, e a importância da defesa dos direitos infantis com meios adequados, como casas-abrigo, disque-denúncia gratuito, etc. Reafirmou-se a importância da família e, portanto, a necessidade de fortalecê-la por meios de campanhas de conscientização e do controle da exploração sexual já dentro das comunidades locais. Outro ponto frisado nas recomendações do Congresso é o combate à pornografia infantil na Internet e o uso adequado desse poderoso instrumento para proteger a criança. A voz das crianças e dos adolescentes As crianças e os adolescentes presentes no Congresso de Yokohama sentiram na própria carne os efeitos dessa exploração e também prepararam uma carta, traçando um caminho que gostariam que fosse percorrido pela sociedade, a fim de realizar um programa eficaz de combate a esse tipo de crime sexual. Eis algumas propostas:
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