Revista "MUNDO e MISSÃO"

História

CHINA celebra meio século de história

No dia 1º de outubro, a república Popular Chinesa celebrou 50 anos de existência, com imponentes manifestações, fogos de artifício nunca vistos, coreografias e paradas militares em que 500 mil pessoas se moviam em perfeita sincronia. Para as autoridades do Partido único, que há 50 anos detêm o poder incontestável nesse imenso país de 1 bilhão e 270 milhões de pessoas, foi um triunfo. Todavia, muitos comentários enfatizaram o clima de frieza e de distanciamento do povo.

Aos moradores de Pequim foi pedido que ficassem em casa e vissem a festa pela televisão. A imensa praça Tiananmen estava fechada ao público há meses, fato que coincidiu exatamente com os dez anos dos trágicos acontecimentos de junho de 1989. Um estudante de 18 anos foi condenado a um ano de prisão, na cidade de jinzhou, perto de Pequim, por ter danificado um manifesto que criticava o Partido e afirmava que os jovens mortos na praça Tiananmen eram heróis.

A preparação à solene celebração apelou para o sofrimento nacionalista, o que também explica, em grande parte as novas tensões em relação a Taiwan, além de luta para o "retorno à mãe pátria" da antiga colônia de Macau. Mas há problemas crescentes em muitos setores pobres. A política econômica do primeiro ministro Zhu Ronji, que pretende privatizar ou fechar as industrias estatais que dão prejuízo, tem inevitáveis repercussões sociais por causa dos milhares de desempregados. Acrescente-se a isso a linha dura mantida pelo governo em relação aos ativistas políticos, detidos e punidos com sentenças que vão até 13 anos de prisão, simplesmente porque pediram a autorização para construir um "novo partido democrático". Nesse contexto, a palavra de ordem era "estabilidade a qualquer custo".

Desde o inicio de 1999, a policia tinha ordens de assegurar que nada comprometesse a imagem de perfeita estabilidade do país e o programa foi intensificado durante o verão, "limpando" as cidades de todos os possíveis contestadores. É significativo o caso de um movimento chamado falun Gong, do qual toda a imprensa estrangeira falou. Trata-se de uma escola de ginástica tradicional baseada em artes marciais, com vagos elementos taoístas e budistas, iniciando em 1992e rapidamente divulgada em todo o país: fala-se de 80-100 milhões de adeptos. Numa manha de abril, cerca de 10 mil pessoas se encontraram em volta dos edifícios do governo.

A policia, pega de surpresa, começou a investigar, ainda que a manifestação tivesse acontecido no mais perfeita ordem e logo veio a proibição. O movimento parecia um desafio à ideologia e à estrutura oficial. No dia 22 de julho eu estava em Pequim com um amigo italiano, quando o Falun Gong foi posto de escanteio. O telejornal da noite, extraordinariamente, foi todo dedicado à denuncia dessa "perigosa supertição", mostrando varias entrevistas e declarações que continuaram noite adentro. Em poucos dias, a notícia invadiu os jornais e fizeram uma grande publicidade sobre a sistemática campanha de condenação e repressão que se prolongou, por semanas, com interrogatórios e prisões.

Algumas declarações de Li Hongzhi, o fundador, que há algum partiu para os Estados Unidos, fazem pensar que por trás do Falun Gong não existe mesmo uma "doutrina" coerente. Mas a pesada reação do governo contra essa "seita" corre o risco de ter resultados negativos, inclusive sobre as cinco religiões oficialmente reconhecidas. Amigos que trabalham no setor de pesquisa sobre as grandes religiões na academia de Ciências Sociais de Pequim me falaram de sua dificuldade em explicar à mídia chinesa que a campanha de repressão não é contra as religiões. O perigo além da ignorância, é que o governo comunista, para se opor a nova "ameaça à estabilidade de Estado", lançou uma onda de propagando ideológica. A ala conservadora do Partido achou por bem promover o ateísmo, como interpretação "cientifica" da realidade, combatendo assim todos os "teísmo". Nos últimos tempos, coincidentemente, foi lançada em Pequin uma nova revista ilustrada de ciência - "Ciência Moderna e Ateísmo".

O complexo panorama da sociedade chinesa apresenta, entretanto, pontos positivos, como o crescente interesse que demonstram os inúmeros intelectuais pelos problemas religiosos e pelo cristianismo em particular. Varias publicações de novos centros de pesquisa religiosa, que surgem ligados a muitas universidades, evidenciam aspectos positivos da religião, evitando criticar abertamente a linha do governo. Até a propaganda oficial não fala mais das religiões como "ópio do povo", mas se trata sempre de uma linha plena de contradições, por causa do controle absoluto que as autoridades mantêm em todas as manifestações religiosas.

A Anistia Internacional e outros organismos que se ocupam dos direitos humanos, freqüentemente, denunciam maus tratos, prisões arbitrárias e condenações de monges budistas favoráveis ao Dalai Lama e também de católicos e protestantes, que praticaram sua fé fora dos locais aprovados pelas autoridades. A resposta do governo é sempre a mesma: "Na China, ninguém é preso ou detido por suas crenças religiosas, mas porque são culpados de atividades criminosas". Todavia, continua crescendo o números de cristãos.

MAO ZADONG: pai patrão da China revolucionária

Mao Zedong ( ou Mao tse Tung), conhecido também como o grande Timoneiro, foi fundador e líder da República Popular Chinesa. Dele é preciso reconhecer a capacidade de transforar guerrilheiros comunistas ( ) num exercito vencedor (1949) e de reconstruir, graças também à revolução agrícola, um país ainda feudal, dominado por bandoleiros, que vivia, desde o inicio do século, na instabilidade política e, praticamente, em guerra civil.

Seu governo, porém, foi dos mais violentos regimes ditatoriais desse século e, seguindo exemplo de Stalin, impôs o culto de sua pessoa. Amargou desastrosos fracassos no campo social e ideológico, como a revolução das "cem flores", "o grande salto para frente" e a trágica "revolução cultural", com balanço de mortos e condenados a trabalhos forçados. No começo da revolução comunista, também perseguiu e criou a Igreja católica patrió-tica, liga ao governo central de Pequim.

Somente após sua morte, a China teve coragem de fazer algumas reformas e de buscar uma aparente democratização. Atualmente, salvo alguns grandes cartazes que lembram sua figura durante os festejos, a memória de Mao está bastante em baixa no conceito da China moderna e já correm boatos de uma provável retirada de seu mausoléu da praça Tiananmem, na capital do país.

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