Revista "MUNDO e MISSÃO"
História
por Joshuah de Bragança Soares
Estas e outras diferenças separavam os latinos dos bizantinos nos territórios de jurisdição do patriarca. Naquela mesma ocasião, o patriarca determinou que os armênios, recém-integrados ao Império bizantino, adotassem os usos próprios da Igreja de Constantinopla. Como os armênios respondessem que seguiam os costumes de Roma, o Patriarca exigiu que todos, no seu patriarcado, se adaptassem ao ritual bizantino e mandou fechar as igrejas que desobedecessem. A delegação papal em Constantinopla
Certamente, uma série de coincidências históricas negativas contribuiu para a mais grave e longa ruptura entre os cristãos: o centro unificador do Ocidente, o Papado, permaneceu sem papa durante um ano inteiro; o Império Germânico, do qual os papas dependiam, também ficou sem chefe. Ainda em 1054, na tentativa de solucionar as pendências com o Patriarca, o papa Leão IX enviou a Constantinopla uma delegação, formada pelo Cardeal Humberto da Silva Cândida, Frederico de Lorena (chanceler da Igreja Romana e futuro papa Estêvão IX) e Pedro de Amalfi. Não poderia ser mais controvertida esta delegação. Os três prelados tinham feito parte da força expedicionária que Leão IX tinha comandado pessoalmente em Civitate, no sul da Itália, contra os normandos. O exército pontifício tinha sido derrotado, o próprio papa fora mantido prisioneiro dos normandos e restituído a Roma mediante compromissos. Os legados tinham ressentimento contra os bizantinos porque, em meio aos perigos que passaram em Civitate, sentiram-se traídos por eles, por não terem prestado socorro. Além disto, ao chegarem em Constantinopla, demonstrando ter poderes superiores aos do Patriarca,não foram por ele recebidos. Então, no sábado, 16 de julho de 1054, depuseram no altar da Catedral da Divina Sabedoria, uma carta de excomunhão do Patriarca e dos seus seguidores. Ao saírem, sacudiram as sandálias e Humberto teria dito: “Que Deus veja e julgue”. Voltaram a Roma com muitos presentes doados pelo Imperador Constantino IX que, por nada do mundo, queria conflito com o Papa, visto que a sua vida pública e matrimonial poderia dar motivo até para a própria condenação. Depois que a missão pontifícia partiu de Constantinopla, Constantino IX recolheu-se no seu suntuoso mosteiro de Manganes, onde veio a falecer após seis meses. A busca da unidade
A vida pública e religiosa das igrejas continuou como se nenhum episódio transcendental tivesse ocorrido. No entanto, o pecado coletivo da desunião causou males irreparáveis às nações cristãs, século após século. A desunião esfacelou o Ocidente em uma rede de seitas auto-multiplicativas, ao mesmo tempo em que atrofiou irreversivelmente os membros de um “corpo místico”. O grande desafio dos cristãos no Terceiro Milênio é a busca da unidade plena, canônica, das Igrejas. Este foi o significado das celebrações litúrgicas em Roma, em Jerusalém, em Moscou, nas igrejas cristãs de todo o mundo, desde o Natal do ano 2000. A unidade, como a própria Igreja, sendo cristã, é divina e, sendo divina, une e congrega. O que isola e afasta não é de Deus. Site; www.alltradutores.com.br Causas Histórico-Culturais da divisão Costanzo Donegana A divisão entre as Igrejas do Oriente e do Ocidente não aconteceu somente – e, talvez, nem principalmente – por motivos religiosos. Aspectos culturais, históricos e até geográficos, exerceram forte influência. A diferente trajetória do poder imperial influiu nas duas igrejas. Em Roma, a queda do poder imperial abriu espaço ao crescimento da autoridade papal, enquanto em Constantinopla o Patriarca submetia-se ao alastrante poder do imperador. Em Roma, falava-se o latim; em Constantinopla, o grego. Isso agravou o relacionamento e a compreensão entre as igrejas. O Ocidente assistiu, durante a Idade Média, ao plasmar-se de uma nova cultura, formada pela síntese entre a herança greco/latina e o novo aporte dos povos germânicos. O Oriente ficou mais estático, ligado ao passado. É verdade que povos eslavos criaram um novo amálgama nas terras que ocuparam; porém, esse processo estava distante de Constantinopla. Enfim, não se pode esquecer a ocupação da península balcânica por parte de “bárbaros” (croatas, húngaros), que criou um muro divisor entre Roma e Constantinopla. A presença destes povos dificultou a passagem entre as duas igrejas e, portanto, a mútua comunicação. |
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