Revista "MUNDO e MISSÃO"

História

O galo
de Santo Domingo
de la Calzada

Quem toma o caminho de Santiago de Compostela com espírito peregrino,
certamente, passa pela cidade de Santo Domingo de la Calzada.
Na pequena igreja local, canta um galo que ali vive em lembrança de uma história muito antiga.

por Patrizia Bergamaschi

orriam ainda os tempos que chamamos de medievais, em que as estradas do mundo cruzavam as rotas dos peregrinos em busca de sentidos para a existência que ia incerta.
Corriam os tempos e um jovem, de piedosa e honesta família, resolveu se fazer peregrino. Tomou a rota que conduzia à cidade quase santa de Compostela e, com uma pequena trouxa, partiu. Seus pais, comovidos com o exemplo do filho, resolveram ir também, mas necessitavam de alguns dias para os preparativos. Combinaram então que iriam se encontrar em Santo Domingo de la Calzada e dali partiriam juntos.

E foi-se o peregrino a peregrinar.Ia de espírito recolhido e coração livre. Privava seu corpo de conforto, enchia sua alma de alegria. E assim chegou a Santo Domingo de la Calzada e, com simplicidade, pediu abrigo na casa do alcalde (prefeito), que não hesitou em acolhê-lo, pois vira nele um moço não apenas formoso e educado, mas também honesto e piedoso. Ali aguardou o peregrino que seus pais chegassem.

Passava os dias tranqüilo, conservando o espírito que o animava a caminhar. Mas, traiçoeira é a beleza e desperta desejos. Foi assim que a serva da casa, encantada com o peregrino, a ele se ofereceu. Sem espanto ou desrespeito, o jovem recusou e não tocou mais no assunto. Mas, traiçoeiro é o despeito e desperta vinganças.

Foi assim que a serva da casa, desprezada pelo peregrino, colocou em sua trouxa valiosas taças de prata que roubara do palácio, acusando-o de ladrão. Não teve o moço como se defender e o alcalde, traído em sua confiança, condenou-o à prisão e depois à morte. Corriam os dias de prisão e os pais do jovem chegaram à procura do filho.

Foram ao palácio e todos negavam tê-lo visto; foram até o alcalde, que almoçava, e este negou conhecê-lo, arrematando: "Se estou mentindo, que a ave que estou comendo cante!". E o galo cantou. E seu canto despertou a mentira do alcalde e da serva. E, desde então, canta na igreja de Santo Domingo de la Calzada, um formoso galo, a lembrar a virtude daquele jovem peregrino.

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