Revista "MUNDO e MISSÃO"

História - mês

A lenda dos índios
mebengocre-caiapós

o princípio de tudo, antigamente, os mebengocres tinham sua morada no céu (aktube). Moravam em cima de uma estrela mais alta que a nuvem. Um dia, antes de o Sol aparecer e clarear os olhos humanos, um velho encontrou um buraco de tatu. Tatu do céu faz buraco igual ao tatu da terra: buraco redondo e profundo, buraco que ia se estreitando. O velho, muito curioso, pôs o dedo no buraco e o buraco começou a aumentar. Aumentou tanto que furou o teto do céu. E aí, o tatu despencou pelo buraco do céu e caiu na terra.

E o velho caiu atrás. Na terra, o velho se levantou, olhou, conheceu tudo, mas não sabia como voltar para o céu. Nisso, bateu um vento forte, um vento amigo e levou o velho de volta para o céu. Chegando lá, os parentes, espantados, já estavam pensando que o Curupira tinha levado o velho para o lugar que não existe. As tias já estavam cantando o choro dos mortos. Mas o velho voltou. Voltou e todo mundo ficou contente. Tanto era o contentamento geral, que, naquele dia, até choveu no céu.

E o velho que gostava de contar histórias, acabou contando mentira. Contou que a terra era muito boa, que tinha muita comida, muito peixe e muito pequi, que os humanos eram sempre muito carinhosos e todos muito pacíficos. Aí, os parentes também quiseram conhecer a terra. Para conhecer a terra, fizeram uma corda de buriti e desceram pelo buraco do céu. Desceram todos, menos alguns que tiveram medo porque era muito alto. Mas a maioria desceu e ficou olhando e olhando.

E viram que, de fato, a terra era bonita, que havia o rio Araguaia cheio de botos e de garças. E, distraídos como estavam, ninguém viu que um menino cortou a corda que tinha ficado amarrada no céu. Corda cortada e nosso povo não pôde mais subir para onde estava antes. No tempo dos goiás e dos caiapós, a terra era muito bonita: o grande gavião ensinava aos mais velhos a sabedoria da vida e aos mais jovens como se tornar guerreiro.

Ensinou os xamãs a conversarem com os animais e a receberem o espírito do caititu, da anta e até da onça e do macaco. Só com o espírito dos animais se pode saber como caçar sem matar o que não deve ser morto.

Colaboração do leitor de Mundo e Missão
Luiz Carlos T. Lopes – Jussara, Goiás

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