Revista "MUNDO e MISSÃO"

História - mês

Guym
XX e os juncos

as terras da nação dos índios tremembés, havia um curumim de nome Guym. Chamaram-no assim porque era muito rápido. Nunca estava parado. Um dia, Guym, caminhando pela mata e deparou-se com um rio. Sentando-se na alva areia das margens, olhou para o lado de lá e avistou uma árvore: era um pé de jacarandá que subia majestoso por cima das demais árvores, portentoso no tronco e invejável na copa.

Guym olhou-o e disse a si mesmo:

– Vou ser um jacarandá! Nas margens do rio, estendiam-se, copiosa e fragilmente, muitos juncos que se erguiam poucos palmos acima da terra. Ao caminhar pelas margens Guym notou que, a cada passo que dava, os juncos, os juncos, ainda novos, iam de encontro ao chão, parecendo quebrados.

Olhou-os e disse consigo:

– Juncos, juncos por que não sois como o meu jacarandá, forte e robusto? Naquela noite, um forte temporal abateu a região onde o pequeno Tremembé vivia. Os ventos corriam como espíritos selvagens, trovões sacudiam os céus e os relâmpagos iluminavam com furor toda a terra. Guym estava assustado e, para criar coragem, pensou no pé de jacarandá. Ser forte! Ser forte! Mas o medo continuava sempre no seu coração.

Seus pensamentos correram e voaram para os juncos:

– Pobres juncos! – dizia para si. E ficou muito triste, pois se achava mais parecido com os juncos do que com o enorme jacarandá. No dia seguinte, Guym foi ao rio e o sentimento de inferioridade o acompanhava. Ao chegar às margens, seu olhar percorreu a terra.

Por fim, ficou confuso:

– Onde está? Perguntou sobre a ausência do jacarandá. A princípio pensou que a grande árvore estivesse em outro lugar, mas os juncos estavam todos ali, deitados sobre a alva areia do rio, no mesmo sentido que sopraram os ventos. Alguns já se punham de pé, logo que viram o sol. Guym percebeu que o vento havia levado o jacarandá para dentro do rio e que os juncos, mesmo parecendo fracos, eram muito mais fortes que seu enorme jacarandá.

Ele aprendeu, naquela manhã, que a verdadeira força não está na robustez do corpo, mas no espírito, que o deixaria seguro, durante e depois da tempestade. Aprendeu com os juncos o que jamais aprenderia com o jacarandá. Assim, voltou à taba, feliz, pois se parecia com os juncos.

Colaboração do leitor Paulo Roberto de Souza, de Pernambuco

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