Revista "MUNDO e MISSÃO"
História - mês
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por Patrizia Bergamaschi
Naquele bairro, a vida não era muito tranqüila: havia sempre um confronto e todos queriam ter razão. Não pensavam mais no futuro, porque o presente era tenso e ameaçador; não ligavam mais para as praças e os parques, porque não valia a pena preservar e sonhar; não escutavam mais a música do mundo, porque só tinham ouvidos para tiros, explosões, choros e gritos. Naquele bairro, todos eram prisioneiros e aterrorizados, vítimas perpétuas de seus insanos ódios, de suas fortes convicções, de seus próprios interesses. Naquele bairro, só eram livres as crianças, porque os adultos, presos a outras responsabilidades mais importantes, não tinham mais tempo para elas. Naquele bairro, havia um bosque que se chamava solidão, não por causa da cantiga, mas porque fora abandonado até pelas aves sempre cheias de esperança. Mas, nele havia uma cabana, daquelas que as crianças constroem para brincar. E ali, meninos e meninas dos quatro cantos, de todos os grupos do bairro reuniam-se, às escondidas, para inventar planos de felicidade e de paz. E, juntos, cantavam, dividiam frutas das árvores esquecidas, mas não estéreis, lembravam-se das boas festas da escola que era de todos eles. Guardavam segredo daqueles encontros, porque tinham medo dos adultos e do futuro que eles estavam construindo. Naquele bairro, tudo ia bem para as crianças do bosque, até o dia em que vieram os tratores e derrubaram as árvores para construir uma praça e colocar um monumento pela paz universal.
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