Revista "MUNDO e MISSÃO"

História

É preciso ter paciência

Esta história é uma entre as muitas que uma senhora muito simpática e falante
conta diariamente a todos que se aproximam de sua lojinha no centro de Natitingou, no norte do Benin. Ela se chama Lawa e ainda tem muitos casos guardados...

m casal tinha três filhos que, quando ficaram adultos, decidiram seguir cada um seu caminho. O primeiro resolveu ser agricultor como quase todos os moradores de sua aldeia; o segundo quis ser barbeiro e só o terceiro não quis ser nada. Todas as manhãs, quando a família saía para trabalhar, ele ficava em casa, deitado em sua rede, dormindo até ter vontade de dormir de novo.

Os dias eram parecidos: o agricultor semeava, cuidava da roça, espantava os insetos, colhia, vendia. O barbeiro percorria as aldeias, cortando as barbas de todos os homens: ao final de um mês, podia recomeçar a busca de clientes. Só o filho mais moço não tinha com o que se preocupar, aliás, ele só engordava e a cada dia ficava mais forte. Parecia um touro! Mas o pai nada dizia e só comentava que todos têm algo para fazer, cada um tem sua serventia e, um dia, certamente, o preguiçoso faria a sua parte. Era só ter paciência...

Certa vez, o filho barbeiro havia saído para procurar clientes, quando encontrou o diabo. Este quis saber o que ele fazia e lhe propôs de cortar-lhe o cabelo. O diligente barbeiro aceitou sem hesitar, embora o cabelo do diabo fosse sujo e enorme: mais de quinze metros... Assim que acabou de cortar, soprou um vento muito forte e o diabo gritou de frio. Mas o pior foi que o vento levou seus cabelos para longe, espalhando por todos os cantos.

Tomado de uma grande fúria, o diabo ameaçou o barbeiro: caso não lhe restituísse os cabelos, ficaria paralisado ali para sempre, como uma estátua. Aflito, o homem pediu que tivesse paciência porque os cabelos logo cresceriam, mas em vão: o diabo queria seus cabelos de volta. Então, o barbeiro saiu correndo atrás dos fios, antes que se espalhassem ainda mais, e o diabo foi atrás dele. E, correndo como um louco, o barbeiro chegou até a aldeia e entrou na casa do irmão agricultor que estava separando sementes. O diabo entrou também.

A história do diabo foi contada a toda a família e o agricultor disse que tinha uma forma de recuperar todos os cabelos. Só havia uma condição: que o diabo limpasse as pegadas de seu campo para não prejudicar a colheita. O diabo aceitou e logo começou a varrer as pegadas, mas tão logo apagava umas, já fazia outras. E assim foi se afastando cada vez mais, até desaparecer lá longe.

A vida voltou ao normal e o preguiçoso não se mexia. Até que um dia, quando todos haviam saído para trabalhar no campo, apareceu um bandido muito violento que roubava de aldeia em aldeia, assustando com sua ferocidade. Deitado em sua rede, o preguiçoso ouvia o ladrão se aproximar e pensou que já era hora de fazer algo por sua família.

Quando o temível homem entrou e ameaçou acabar com ele, o terceiro filho deu-lhe um soco tão forte que o matou. Pegou, então, tudo aquilo que o bandido tinha roubado e chamou os moradores da aldeia para que recuperassem seus pertences. Todos vieram, mas sobrou ainda muita coisa. Quando os pais e os irmãos voltaram, ele lhes contou tudo e mostrou aquelas riquezas. Na verdade, ele nunca fizera nada por ninguém, mas com a venda daqueles objetos, todos os irmãos poderiam se casar. Como o pai dissera: era uma questão de ter paciência...

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