Revista "MUNDO e MISSÃO"
Igreja
| Brasil Missionário depois de Puebla
Dom Franco Masserdotti No número de março-abril, dom Roger Aubry, bispo da Bolívia, lembrou a intuição de Puebla sobre a missão da América Latina, na célebre expressão: "É certo que nós próprios precisamos de missionários, mas devemos dar de nossa pobreza (n.368). Se a Igreja fosse uma empresa humana, seria loucura pedir que a América Latina enviasse missionários para o mundo. Estaríamos às portas da falência! Dar de nossa pobreza Uma empresa é dirigida por razões ditadas pelos cálculos
humanos. Na Igreja, é o Espírito Santo que dirige os pensamentos
e as ações. Ele é imprevisível; não
dá razões de tudo que faz, nem sempre revela as grandes
metas da ação de Deus no mundo. Ele nos ensinou muito sobre
a sua maneira de agir; mas sempre ficam grandes surpresas. Missão de pobre para pobre Pouco tempo atrás, entrevistamos cerca de quarenta missionários
e missionárias. Diante da pergunta: "O que levam como missionários
e missionárias brasileiros?", muitos destacam o fato de carregar
no coração, como bagagem missionária, a experiência
de uma Igreja que nasce do povo, que valoriza os leigos, que quer ligar
a fé com a vida. "Sobretudo - diz um entrevistado, resumindo
o pensamento de muitos - a opção preferencial pelos pobres
nos faz solidários com os povos que, como nós, sofrem as
conseqüências de uma colonização exploradora,
unindo-nos na luta pela justiça". Missão de diálogo e não de conquista A missão na América Latina e no Brasil não é
uma missão de conquista. Ela não oferece a força
de sua cultura ou de seu poder, mas a riqueza de sua experiência
religiosa e evangélica. A partir da Igreja local Outra característica da missão na América Latina
e no Brasil é o fato de que ela se origina na Igrela local com
todos seus ministérios. o pôr-se em estado de missão; Exemplo disso são os projetos missionários Igrejas-Irmãs
entre dioceses ou regionais no Brasil e os projetos de solidariedade de
dioceses ou Regionais com Igrejas de outros países da América
Latina ou da África. É preciso acolher A impressão que se tem, conversando com missionários e
missionárias brasileiros "além fronteiras", é
que eles não têm a preocupação de "levar
algo" e sim de "dar e receber", dentro do espírito
evangélico e tipicamente latino-americano da partilha e da reciprocidade.
Cientes de que o Espírito espalhou as sementes do Verbo em todas
as culturas, essas "abelhas" de Jesus procuram as flores da
vida em todos os povos e no contato recebem o pólen para trabalhá-lo
junto com os outros. |
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