Revista "MUNDO e MISSÃO"
Igreja no Brasil
por Ernesto Arosio
O objetivo do encontro foi de avaliar a ação da Igreja no Brasil nas missões além-fronteiras, a missão universal. No Brasil, a Igreja católica ainda não assumiu uma viva ação missionária para além de suas fronteiras, salvo louváveis exceções, como a missão no Timor Leste, apoiada pela CNBB; a experiência em Moçambique, iniciada pela Região Sul e outras iniciativas de institutos missionários ou manifestações individuais. São expressões cuja limitação, talvez, se justifique pela preocupação com questões internas, tais como: os avanços dos evangélicos, a evangelização da Amazônia, o escasso número de sacerdotes, a pobreza social, além de outras tantas preocupações menores. Surge, porém, entre o episcopado e os movimentos da linha missionária da CNBB, o desejo de estarem mais presentes na missão universal, pois a Igreja é, por sua natureza, “católica”, universal. Quanto mais viver o espírito missionário, maior vitalidade e vivacidade ela irá adquirir e sua missão aqui no Brasil será enriquecida. A Missão, já se insistiu muito sobre isto, não irá empobrecer nenhum setor de evangelização. Compartilhar a própria pobreza, as angústias, e suprir necessidades sociais de outros grupos humanos, será gratificante e enriquecedor para todos. Missão não é apenas dar: é receber. “É dando que se recebe” nos recorda Francisco de Assis. E a colheita será farta. A Missão é um genuíno e sincero ato de fé. É entusiasmar as crianças da Infância Missionária a se abrirem à infância do mundo todo, dilatando os próprios horizontes, através da partilha de mensagens e amizade; é desenvolver uma consciência universal e solidária e maior entusiasmo para a fé. Isso pode acontecer também com os jovens e, certamente, as comunidades paroquiais são seu espaço ideal. Quando a comunidade criar situações concretas de solidariedade com outras igrejas de outras fronteiras, perceberá o próprio crescimento. Finalidades do encontro Os objetivos do encontro eram os seguintes: encontrar meios e pistas para o resgate do que já havia sido feito em anos anteriores sobre a Missão; e conscientizar bispos, padres e fiéis para a dimensão missionária, oferecendo a ajuda e a experiência dos institutos especificamente missionários. Redescobrir o entusiasmo que a Igreja, e todos os seus organismos estruturais, já demonstraram para a animação missionária, certamente irá beneficiar a Igreja local. De fato, na recente história eclesial, muito esforço missionário foi despendido. Mas não se pode viver do passado. É preciso dar outras respostas aos novos e crescentes desafios e necessidades que a Igreja enfrenta no mundo. Ela precisa do ânimo renovado de todos nós. O encontro sugeriu a recuperação do passado e, a partir dele, a criação de novos materiais de divulgação e de estudo, a cargo da equipe de teólogos, missionários e missiólogos que já se reúne mensalmente. Surgiram alguns desafios: – a formação missionária em
todos os níveis eclesiais, para os futuros padres e irmãs; Não faltaram sugestões. Uma delas, é a “re-visão” da Infância Missionária, a fim de suscitar, nas novas gerações, a verdadeira dimensão missionária e a necessidade de solidariedade com todos os que sofrem. Outras sugestões, viáveis, poderiam ser prontamente realizadas. Um novo despertar do entusiasmo missionário na Igreja Se padres e bispos não estiverem devidamente conscientizados sobre a missão salvadora universal da Igreja, menos ainda estará o povo que freqüenta paróquias e comunidades. Ele responde aos apelos da hierarquia, entusiasta ou friamente, conforme os recebe. Quando os apelos são entusiasmados, então responde generosamente. Todo projeto missionário, portanto, deve conscientizar o povo de Deus de que a Igreja é missionária. Ela faz, labuta, sofre e realiza obras, aqui e em outros continentes, ombro a ombro com diferentes povos e culturas.
É fundamental que o leigo também se sinta unido nessa consciência universal e participante ativo da marcha para a maior solidariedade entre os povos, na busca da paz e do diálogo entre religiões e culturas. Somente assim é que se porá um fim à insanidade dessas guerras que a todos amedrontam. Para atingir o coração das comunidades existem folhetos litúrgicos, revistas, programas de rádio e canais de televisão. Não é preciso inventar outros meios, mas tais veículos deveriam, sempre que possível, tratar da missão universal de maneira firme, ampla, exata e pormenorizada. Existe consultoria dos institutos missionários. Eles têm material genuinamente missionário a ser repassado aos meios de comunicação comprometidos. É urgente a organização de uma Campanha da Fraternidade sobre a missão universal ad gentes, acompanhada por gestos concretos em resposta às graves dificuldades de países do Terceiro Mundo, às quais a Igreja não pode se omitir. A miséria alheia, quando próxima, causa atritos e mal-estar; porém, quando distante, não machuca, nem por isso é menos dolorosa. Além da solidariedade internacional, a CF daria um novo olhar e consciência missionária a milhões de católicos brasileiros. No mês de outubro, os folhetos litúrgicos deveriam ser mais abertos à mensagem missionária da Igreja e não relegá-la a uma inócua e insignificante lembrança que, quase sempre, nem desperta o mais fiel beato. A equipe dos missiólogos se dispõe a preparar a mensagem para tais folhetos. A revista Mundo e Missão ofereceu-se como meio de difusão deste trabalho missionário nacional e se colocou à disposição da CNBB, das Pontifícias Obras Missionárias, do Comina, da Infância Missionária e dos organismos missionários para o trabalho de difusão regular ou mensal, e para ser veículo de comunicação com as paróquias, movimentos, Comides e Comipas. Ela também colocará algumas páginas à disposição dos missionários e missionárias, para que divulguem programas, testemunhos, iniciativas de ajuda da Igreja do Brasil a outras Igrejas em situação de emergência e de necessidades, como, por exemplo, o “Projeto Timor Leste”, um projeto quase desconhecido, porque pouco difundido entre as paróquias. O ideal missionário ad gentes, ao contrário de diminuir o entusiasmo pelo trabalho nas comunidades, irá fomentá-lo mais ainda e, conseqüentemente, incentivará toda a ação pastoral da Igreja local. O novo espírito soprará sobre ela e a nova consciência universal católica estimulará a fé e a perseverança de todo o povo de Deus. A Igreja no Brasil finalmente adquiriu a maioridade e está apta a se interessar e a apoiar as Igrejas irmãs mais carentes, com a graça do Pai e as luzes do seu Espírito. |
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