Revista "MUNDO e MISSÃO"

Igreja no Brasil


Irmã Maris Bolzan

á sinais de crescimento da missionariedade na Igreja brasileira, ainda bastante voltada sobre seus problemas e os do País (que, evidentemente, são muitos e são graves). Um deles é o Projeto Missionário Eclesial Timor – Solidariedade entre Igrejas: Brasil – Timor Leste, assumido pela CNBB e a CRB, para expressar sua solidariedade ao povo daquele país, que pagou alto preço pela sua libertação.

Depois da visita de uma delegação da CNBB-CRB, para conhecer a situação, no início de março de 2000, as duas entidades eclesiais decidiram iniciar o Projeto, cuja coordenação, articulação, acompanhamento e avaliação delegaram ao Conselho Missionário Nacional (COMINA).

Em junho do mesmo ano, duas religiosas da Congregação da Divina Providência (RS), uma religiosa da Congregação das Irmãs da Imaculada Conceição (SP) e uma leiga do Ceará, viajaram para o Timor Leste. Em 2002, dom Erwin Krautler, responsável pela Dimensão Missionária da CNBB, e Irmã Maris Bolzan, Presidente da CRB, acompanhados por Irmã Neiva Sampaio, assessora da linha 2 (missionária) da CNBB, visitaram as comunidades religiosas brasileiras responsáveis pelo Projeto.


Ir. Maris, brasileira com meninas em Laclubar

Em um apelo, à conclusão da visita, no qual pediam maior colaboração aos Superiores religiosos, declararam:

“Lembramos que a nossa missão no Timor Leste é uma iniciativa conjunta da CNBB e CRB. Não se trata de uma Congregação, Ordem ou Instituto ‘abrir uma casa’ no Timor Leste. O que idealizamos é a criação de comunidades intercongregacionais, em diversas frentes, especialmente entre as populações mais carentes e menos atendidas, sempre em comunhão com a Igreja local e seus pastores”.

Irmã Maris no Timor

Do dia 27 de março a 12 de abril deste ano, Irmã Maris Bolzan, Presidente da CRB, foi novamente visitar a missão no Timor Leste. Foi acompanhada por uma religiosa do Instituto Josefino, que se integrava naquele momento ao Projeto Missionário. Atualmente, encontram-se naquele país cinco religiosas brasileiras, de quatro Institutos religiosos, e uma consagrada do Instituto Secular MILMAC, distribuídas em duas comunidades: Laléia e Laclubar.

Os objetivos da viagem de Irmã Maris foram:

– dar um acompanhamento mais personalizado, seja individual como comunitário, à Equipe Missionária que atua no Timor;

– resgatar o Projeto a partir de suas origens. Escutar, animar, avaliar, discernir e redimensionar as atividades;

– chegar a um consenso quanto às frentes de missão assumidas;

– planejar férias e próximas substituições de missionárias, visando a continuidade da Missão;

– rever a questão econômico-financeira;

– apresentar ao bispo de Baucau, Dom Basílio Nascimento, a reestruturação do Projeto Missionário;

– realizar contatos, consultar e articular o Programa /Aids no Timor Leste. O trabalho da equipe missionária é muito variado e compreende três áreas distintas:

– de formação (humana-espiritual-pastoral e científica de futuros sacerdotes e religiosas, de professores e outras lideranças; a educação formal em escola secundária);

– da saúde (resgate da medicina tradicional; Pastoral da Criança; controle de DST/Aids);

– de pastoral (Palavra de Deus junto ao Povo; levar crianças e adolescentes – mas também jovens e adultos – a fazer a experiência do Amor de Deus).

A visita da Irmã Maris produziu muitos frutos e confirmou a Equipe Missionária no seu compromisso pelo Reino em uma situação além-fronteiras. Suas palavras, na conclusão do relatório, são o melhor testemunho:

“A visita ao Timor foi de fato uma Páscoa. Fiquei encantada com o espírito eclesial e a audácia missionária de nossas irmãs, que participam do Projeto Timor – mulheres de fé. Podem repetir com Comboni: ‘O mais feliz dos meus dias será aquele em que eu puder dar a vida pelo povo’.”

Que mais poderei acrescentar, senão abrir espaço a uma palavra diretamente endereçada a essas nossas, minhas irmãs – Maria Beatriz, Maria Helena, Ana Jacira, Elenice, Eliane e Maria Nieta – na comunhão pela missão, que resistem às dificuldades e empecilhos à fidelidade ao compromisso assumido, nessa parcela do mundo privilegiado pelo coração amoroso de Deus? Aí vivem muitos de seus preferidos.

Como não fazer deles também nossos preferidos? Vocês são nossas mensageiras, enviadas em missão eclesial – em nosso nome, em nome do Instituto Religioso – para levar a “Boa Notícia” a quem espera por ela.

Deixo a cada uma de vocês as palavras de Isaías:
“Eu te chamo pelo nome, tu és minha. Se passares através das águas, estarei contigo e os rios não te submergirão. Se caminhares no meio do fogo, não serás queimada, pois Eu, o Senhor, sou teu Deus, o Santo de Israel, teu Salvador”.

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