Revista "MUNDO e MISSÃO"

Igreja no Brasil

por Márcio Martins


Migrantes - catadores de pepelão - dormem em frente a Pastoral

Manaus e seu Distrito Industrial (Zona Franca) não suportaram o fluxo migratório em busca de oportunidades e milhares de desempregados lotam a periferia da cidade sonhando com a inclusão social

anaus, cujo nome é alusão aos índios Manaos, que habitavam a região, é o portão de entrada para a maior floresta tropical do mundo. Possui extraordinário estoque de recursos naturais, representado por 20% da reserva de água do planeta, uma biodiversidade de inestimável valor e grandes jazidas de minérios, gás e petróleo. Heranças ancestrais, adaptadas à realidade como a dança, a música, o teatro e a culinária, entre outros aspectos culturais formados pela mistura indígena, européia e nordestina, estão presentes no cotidiano manauara. Contudo, não foram as riquezas naturais e culturais que atraíram milhares de brasileiros, e até estrangeiros, a sonhar com uma nova realidade.

Mas foi um Distrito Industrial: a Zona Franca de Manaus – maior pólo industrial e comercial de eletro-eletrônicos da América do Sul – com mais de 600 empresas, pressupondo emprego para todos. A criação da Zona Franca de Manaus, em 1967, propiciou o crescimento econômico regional, iniciado durante o ciclo da borracha, época em que a população havia aumentado significativamente. A Zona Franca abrigou novas indústrias, comercializando produtos importados de outros países. Porém, com sua instalação, Manaus foi invadida pela migração das populações interioranas/ribeirinhas, como mão de obra barata para as indústrias, gerando um crescimento desordenado da cidade e aumentando consideravelmente o número de bairros periféricos e favelas.

A proximidade com a fronteira da Colômbia, Peru e Bolívia também serviu como atrativo para a vinda de milhares de estrangeiros fronteiriços. Atualmente, estima-se que mais de 20 mil peruanos vivem em Manaus. A cidade não comportou o fluxo migratório que provocou inúmeros problemas sociais: falta de saneamento básico, saúde, educação, moradia, transporte e alta taxa de desemprego. O declínio da Zona Franca de Manaus, decorrente das sucessivas crises econômicas nos anos 80 e 90, fizeram com que os empregos se reduzissem em mais de 50%, dos 100 mil existentes no início da década de 80. Dados do IBGE, em 2004, apontam uma população de 1.592.555 habitantes, em Manaus.

Atualmente, estima-se que o número de pessoas empregadas no chamado Distrito Industrial seja menos de 45 mil. É evidente que o grande contingente de desempregados encontrou no mercado informal a saída para a busca de alguma renda. Hoje, a falta de emprego é o maior empecilho para a melhoria da qualidade de vida de milhares de pessoas. Em relação aos migrantes, a falta de oportunidades, associada à falta de qualificação técnica, faz com que milhares deles se vejam desesperançados quanto ao futuro. Diante desse quadro, Manaus assiste, estarrecida, ao fenômeno da mobilidade humana: migrantes com rostos sofridos caminham constantemente em busca de moradia, educação e qualificação profissional, resultando em uma multidão de excluídos, que poderiam estar contribuindo para a melhoria das condições de vida de suas famílias e garantindo outra realidade, mais venturosa.

Duas missionárias socorrem um exército de necessitados

Diversas atividades despertam a Igreja e a sociedade para o desafio do acolhimento fraterno e do engajamento do migrante num novo contexto de cidadania. Com o intuito de amenizar a dor de tantos sofredores, também a Arquidiocese de Manaus, através de suas pastorais, tem focado sua atenção em atividades sociais O seu Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM) é uma pastoral voltada para o atendimento dessas pessoas que estão à margem da sociedade. Através de pesquisas, estudos e reflexões, o SPM procura compreender as causas e as conseqüências dos fluxos migratórios nas cidades de origem e de destino.


Os "igarapés", nome dado às palafitas construídas pelos pobres sobre o rio, ao lado da avenida principal da cidade, destacam o constraste entre a riqueza e pobreza na capital amazonense

Mensalmente, o SPM ajuda cerca de 200 pessoas, com suporte assistencial que inclui vale-transporte, passagens, alimentação e roupas, além de oferecer atendimento psicológico gratuito com psicólogos voluntários. Intrinsecamente ligada às atividades do SPM, está a Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo-Scalabrinianas, que têm por carisma específico a compaixão pelos migrantes, nas mais variadas situações e necessidades. Há alguns anos que as missionárias Scalabrinianas prestam seu serviço evangélico/missionário em Manaus, preferencialmente aos mais pobres e necessitados, com trabalho direto de apoio e promoção do migrante.

A Congregação é essencialmente missionária e não possui obras rentáveis (colégios, hospitais, prédios). Seus reduzidos recursos provêm de pequenos salários, advindos das paróquias ou dioceses onde as irmãs prestam serviço missionário e pastoral. Como tais paróquias se localizam na periferia de Manaus, em regiões extremamente carentes, os recursos disponíveis para remunerar as Irmãs são muito limitados e representam apenas o suficiente para suprir as necessidades básicas das comunidades. Em Manaus, a Congregação conta apenas com duas irmãs e duas jovens aspirantes. Essas quatro religiosas atuam especificamente na Pastoral do Migrante.

O trabalho consome todo seu tempo, conseqüentemente, nenhuma delas exerce outro trabalho profissional remunerado. As irmãs são responsáveis pelo encaminhamento e acompanhamento dos processos de documentação dos estrangeiros ilegais, visitam e ajudam as famílias migrantes, presentes nos arredores do centro de Manaus, e assessoram os professores do Curso Alternativo de Idiomas (Inglês e Espanhol), atendendo em torno de 80 alunos carentes.

Atualmente, as religiosas priorizam a questão da evangelização na periferia de Manaus e no interior, através do resgate da cultura cristã da célula familiar e a formação de catequistas para atuação dinâmica e efetiva na execução das seguintes atividades: orientar famílias desagregadas em função do abandono e irresponsabilidade dos pais; promover a ação ecumênica e incentivar a vivência da fé e dos valores que visam o bem-comum e a paz; fazer valer os direitos de cidadania e a orientação de vida, em vista do analfabetismo e da falta de estrutura vigente; além de promover cursos semi-profissionalizantes. Contudo, muito ainda há que ser realizado para que estes migrantes possam encontrar em Manaus um pouco daquilo que buscavam na sua terra de origem.

Em um pedido avalizado pelo Arcebispo de Manaus, dom Luiz Soares Vieira, as irmãs dessa Congregação missionária pediram um auxílio financeiro à obra de caridade internacional Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), a fim de continuar seu trabalho junto aos migrantes, que tanto sofrem em decorrência de sua exclusão social. É nosso dever contribuir para que as irmãs auxiliem os migrantes a ingressarem no universo competitivo e inovador, exigido pela moderna sociedade industrial. Se você quiser ajudá-las, telefone gratuitamente para 0800-7709927.

Contato
Entre em contato conosco:
Rua Carlos Vítor Cocozza n.º 149 - Vila Mariana
São Paulo - Capital - SP -
04017-090
Tel.: 0800-7709927
www.aisbrasil.org.br

Visite as outras páginas

[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO] [MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E. - Missio] [Noticias] [Seminários] [Animação] [Biblioteca] [Links]

Voltar