Revista "MUNDO e MISSÃO"

Igreja no Brasil

por Fulvio Giannella


Um flagrante de celebração dos povos amazônicos

Encontro Nacional do Mutirão pela Amazônia, realizado em Brasília, de 9 a 11 de junho, e organizado pela Comissão Episcopal para a Amazônia, órgão ligado à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), foi uma ótima oportunidade para se conhecer melhor o trabalho missionário realizado pela Igreja numa das regiões mais ricas e desassistidas do Brasil. Ocupando uma área equivalente a 60% do território nacional, no qual vivem 21 milhões de pessoas – mais de 60% delas em centros urbanos –, o território amazônico concentra grande parte dos recursos naturais e da biodiversidade do planeta, o que o faz ser considerado hoje a segunda mais importante região geopolítica do globo.

Dentre os objetivos do encontro – que teve como tema “Amazônia:

- desafios e perspectivas para a missão” e lema “Cristo aponta para a Amazônia” – destacava-se a necessidade de animar o espírito missionário da Igreja na região e chamar a atenção da sociedade para os aspectos socioeconômicos, políticos e culturais que dizem respeito à realidade amazônica. Dentre os problemas apontados para promover a evangelização dos povos amazônicos destacaram-se as grandes diferenças econômicas intra-regionais, as enormes distâncias, que dificultam a integração das comunidades locais, e a diversidade cultural da população amazônica. “Na Amazônia temos diferentes etnias indígenas, ribeirinhos e migrantes de todas as partes do Brasil. Cada um desses grupos tem características e necessidades específicas, e a Igreja precisa levar isso em conta ao promover sua ação missionária”, lembra dom Moacyr Grechi, arcebispo de Porto Velho (RO).

Além dos impedimentos geográficos e das especificidades culturais, a Igreja conta com uma dificuldade adicional para desenvolver seu trabalho pastoral na região: a falta de padres. “Já visitei comunidades ribeirinhas que não viam um padre há mais de quatro anos” – afirma o jesuíta espanhol Fernando Lopez, membro do núcleo da Equipe Itinerante do Distrito da Amazônia, que tem sua base na fronteira de Tabatinga (Brasil), Letícia (Colômbia) e Santa Rosa (Peru). A exemplo do próprio Fernando, grande parte dos presbíteros, bispos, missionários e missionárias, que atuam na região, é estrangeira. Isso não impede, contudo, que promovam uma evangelização inculturada nas tradições culturais dos povos amazônicos.

Apesar dessa valiosa colaboração, a CNBB tem chamado a atenção para a necessidade de estimular um maior número de vocações locais, a fim de atender um dos pedidos mais freqüentes feitos pelos fiéis amazônidas:

- de poderem contar com o amparo e o conforto da presença permanente de um presbítero. Se, por um lado, a ausência de ministros ordenados é motivo de queixa de muitas comunidades amazônicas, por outro, essa lacuna permitiu o desenvolvimento de um catolicismo vivo e atuante, graças ao esforço de quase 50 mil agentes de pastoral. São leigos e leigas que assumem o papel de animação, organização e coordenação de suas igrejas particulares. “Faz parte da natureza da Igreja na Amazônia a presença dessas lideranças que trabalham voluntariamente a serviço de seus irmãos.

Mesmo sem poder ministrar a Eucaristia, eles partilham a Palavra de Deus com a sabedoria extraída da formação pastoral que recebem da Igreja e de sua experiência de vida”, afirma dom Gutemberg Freire Régis, bispo da Prelazia de Coari (AM). Sem deixar de valorizar a missionariedade leiga, dom Moacyr Grechi faz questão de ressaltar a dedicação absoluta das religiosas que atuam na região. “Certamente o rosto da Igreja na Amazônia tem muitos traços femininos. É a marca dessas mulheres, extremamente corajosas e dedicadas, que sustenta a nossa missão evangelizadora”, salienta o arcebispo de Porto Velho.

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