Revista "MUNDO e MISSÃO"
Igreja no Brasil
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Brasil e Timor Leste "Missão é sempre partir, mas não devorar quilômetros. É, sobretudo, abrir-se aos outros como irmãos, descobri-los e encontrá-los. E se para encontrá-los e amá-los é preciso atravessar os mares e voar lá nos céus, então missão é partir até os confins do mundo". (Hélder Câmara) da CNBB Após acompanhar o genocídio sofrido pelo povo do Timor Leste, o alto preço que o povo tinha que pagar por sua libertação, como Igreja e como vida religiosa no Brasil, lançamo-nos o desafio e a pergunta: como sermos solidários com esse povo? A CNBB mobilizou-se para desencadear ações concretas, junto com outras organizações, particularmente com a Conferência dos Religiosos do Brasil. Vários passos foram dados, entre eles, o envio de uma delegação do Brasil ao Timor Leste, em março de 2000. Esta tinha como objetivo fazer uma visita de solidariedade ao povo sofrido do Timor, escutar as Igrejas locais, os seus planos e prioridades para os missionários e missionárias brasileiras. Entre as prioridades realçamos as seguintes:
Respondendo ao apelo, a CNBB e a CRB propuseram-se a assumir um projeto de colaboração missionária com duas dioceses, através de seus respectivos bispos. Após um tempo de preparação e convivência, foram enviadas as primeiras missionárias, no dia 2 de junho de 2000: duas religiosas da Congregação da Divina Providência/RS, uma religiosa da Congregação das Irmãs da Imaculada Conceição/SP e uma leiga do Ceará. A responsabilidade do Projeto cabe à CNBB e à CRB que, através do COMINA, acompanha a preparação, as decisões e a posterior avaliação, com os missionários e missionárias enviados. Entre os vários critérios, os missionários e as missionárias a serem enviados devem estar imbuídos de uma espiritualidade missionária, pois são chamados para uma sublime, mas difícil tarefa. É importante que tenham capacidade de trabalhar em equipe e não de forma isolada; que gozem de saúde física e mental; que tenham disposição para uma vida simples, gratuita e despojada; capacidade e condições para aprender línguas e adaptar-se a outras culturas. As irmãs que estão lá identificaram o serviço que podem prestar à Igreja, sobretudo nas questões referentes ao ensino, à participação da mulher, à organização das comunidades, à saúde alternativa, a pastoral da criança. Atualmente, estão presentes as irmãs Maria Beatriz Mobr, ir. Teresinha Kunen e a leiga Maria Ilnar Pimentel.
Elas escreveram recentemente: "Aqui estamos nascendo novamente. A história sofrida tornou este povo muito diferente e especial. Nosso esforço para acolher as pessoas como elas são, é um exercício diário, mas continuamos entre eles... É preciso voltar no tempo, acolher o estranho e o desconhecido, conviver com as diferenças e com as distâncias entre os mundos deles e o nosso. Nisso vemos concretamente o sentido da encarnação de Jesus: agora é a nossa vez. É para eles que viemos, e com eles queremos estar. Este povo aprendeu mesmo a sofrer; agora é preciso aprender a saborear a vida". PROJETO MISSIONÁRIO "As Igrejas Particulares da América são chamadas a estender este ímpeto evangelizador para além de seu continente..." (E4.74)
Respondendo ao apelo do povo do Timor Leste, em dramática situação,
a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Conferência
dos Religiosos do Brasil (CRB) se propuseram assumir um Projeto de colaboração
Missionária com as duas dioceses da parte leste da ilha: RESPONSABILIDADE DO PROJETO A responsabilidade do Projeto no Brasil cabe à Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e à Conferencia dos Religiosos do Brasil (CRB) que delegam ao Conselho Missionário Nacional (COMINA) a coordenação o acompanhamento do respectivo Projeto, tomando e encaminhando as decisões necessárias para seu andamento. PARTICIPANTES DO PROJETO Participam do Projeto, de acordo com as prioridades apresentadas pelas dioceses do Timor Leste: presbíteros, religiosas/os, leigos/as, com o objetivo de trabalhar diretamente na pastoral ou na formação. Devem estar imbuídos de espírito missionário e chamados a trabalhar em equipe e não de forma isolada. Este compromisso, após 4 anos, será submetido a uma avaliação, podendo ser renovado, por decisão de comum acordo das partes envolvidas. Nas outras partes do projeto são apresentadas normas concretas
para o envio e a preparação dos missionários/as que
gostariam de trabalhar em Timor Leste. Os que se interessarem para participar
desta experiência missionária podem interpelar diretamente
o responsável da dimensão missionária da CNBB em
Brasília Apelo para o Timor Leste Aos Superiores(as) Maiores das Ordens, Congregações e Institutos de Vida Apostólica do Brasil Brasília, 24 de maio de 2002 Queridas irmãs, caríssimos irmãos: Como responsável da Dimensão Missionária da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, estive em outubro passado no Timor Leste, aquele minúsculo país no extremo Oriente que, aos poucos, está se levantando das cinzas e dos escombros de uma guerra. Ir. Neiva Sampaio, assessora da Linha II e encarregada dos contatos entre a CNBB e a frente missionária no Timor Leste, acompanhou-me nesta viagem. Visitamos as comunidades religiosas brasileiras que lá iniciaram, com muita dedicação, um trabalho em favor daquele povo sofrido. Admiro imensamente o esforço e a generosidade destas religiosas que atenderam, de coração, o chamado de Deus para além-fronteiras.
Fomos ver, "in loco", o trabalho das irmãs e fizemos muitas reuniões para discutir o futuro desta missão. Encontrei-me com os dois bispos de Timor Leste. O bispo de Bacau, dom Basílio do Nascimento, continua fazendo apelos à Igreja no Brasil, esperando contar com mais religiosas(os) especialmente no campo da formação de agentes, desde os seminaristas maiores e menores até leigas e leigos, que pedem uma preparação mais adequada para integrar-se nas diversas pastorais em favor do povo pobre e sofrido. O bispo pensa também em comunidades religiosas "itinerantes". Lembramos que a nossa missão no Timor Leste é uma iniciativa conjunta da CNBB e CRB..... Não se trata de uma Congregação, Ordem ou Instituto, "abrir uma casa" no Timor Leste. O que idealizamos é a criação de comunidades intercongregacionais, em diversas frentes, especialmente entre as populações mais carentes e menos atendidas, sempre em comunhão com a Igreja local e seus pastores. Pedimos, encarecidamente, que esta solicitação missionária seja considerada e estudada em nível de seu Instituto Religioso. O Espírito Santo ilumine, oriente e ajude a "dar de sua própria pobreza". Cordialmente, em Cristo Jesus. Ir. Maris Bófzari, SDS |
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