Revista "MUNDO e MISSÃO"
Igreja no Brasil
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CEBS e diálogo inter-religioso Faustino Teixeira As dimensões cultural, ecumênica e inter-religiosa ganham cada vez mais espaço nas CEBs O Intereclesial de Ilhéus As comunidades eclesiais de base do Brasil viveram um momento importante
de sua caminhada com a realização do X Encontro Intereclesial
de CEBs, realizado entre os dias 11 e 15 de julho de 2000. O tema do Encontro
foi CEBs: Povo de Deus. 2000 anos de caminhada e contou com a participação
de 3.063 pessoas, das quais 1.269 mulheres e 1.128 homens. O número
de bispos católicos presentes foi também expressivo: 70,
sem contar outros 4 bispos evangélicos. Representando outras sete
Igrejas cristãs, participaram 72 mulheres e homens. Vieram ainda
diversos convidados do Brasil e de outros países. Igrejas e religiões Os Encontros Intereclesiais de CEBs foram marcados, desde o início,
pela sensibilidade ecumênica e sempre contaram com a presença
de assessores evangélicos. No II Intereclesial de Vitória
(1976), vieram Jether Ramalho e a representação dos irmãozinhos
de Taizé. A lógica das comunidades foi sempre pontuada por
essa abertura e acolhida, e a presença dos evangélicos contribuiu
para revitalizar a experiência espiritual e profética das
comunidades e a sua percepção da singularidade de uma experiência
de "diversidade reconciliada". Esta presença inicial,
em nível de assessoria, foi-se ampliando com o tempo para uma participação
maior, mas já expressava uma experiência concreta de comunhão
de católicos e evangélicos nas bases, em favor de uma sociedade
diferente. Teimosia dialogal A temática ecumênica e inter-religiosa voltou a ecoar forte no X Intereclesial de Ilhéus. No campo do ecumenismo, a significativa presença da delegação evangélica expressava uma caminhada partilhada em comum, há muitos anos. As diversas menções feitas nos grupos e plenários ao Centro de Estudos Bíblicos (CEBI) reiteravam este trabalho ecumênico comum em torno da Palavra de Deus. Mas, igualmente, outras tantas iniciativas de comunhão foram assinaladas no Encontro. Na carta escrita pelos evangélicos e apresentada no último dia, esta caminhada comum foi mencionada como uma riqueza. Foram anos de construção de uma maior intimidade entre as Igrejas cristãs, de aprendizado deste novo jeito de ser Igreja, que é também da Igreja una. Os evangélicos sublinham que nesta caminhada comum puderam perceber a tríplice dimensão do ecumenismo: enquanto exercício de acolhida da diferença, enquanto construção de novas relações entre as pessoas e, finalmente, o trabalho comum de assumir ações em favor da vida. A experiência ecumênica é mais fácil com as Igrejas do protestantismo histórico. Com os pentecostais, as dificuldades são maiores. O Intereclesial de Ilhéus aconteceu num momento de nova configuração do campo religioso brasileiro, marcada pela afirmação mais beligerante de grupos pentecostais e neo-pentecostais, mais resistentes a quaisquer propostas dialogais. Mas o interessante é que, apesar dos empecilhos, a teimosia dialogal das CEBs permaneceu viva tanto no horizonte dos testemunhos como no compromisso assumido pelos regionais. |
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