Revista "MUNDO e MISSÃO"

Igreja no Brasil

COMINA:
Caminhos para missão

O conselho Missionário Nacional (COMINA) é um organismo ligado à Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e formado por representantes se instituições atuantes na animação e ação missionária do País, com sede jurídica em Brasília - DF.
A finalidade do organismo é refletir, acompanhar, avaliar e estimular a animação missionária. Seu conselho diretivo é formado por membros eleitos numa assembléia que se realiza a cad quatro anos.

O nome do conselho diretivo é "equipe executiva do Comina", à qual cabe realizar tarefas e programas em nome de todas as forças missionárias. No mês de dezembro de 1999 (de 09 a 12), realizou-se a última assembléia antes da passagem do milênio e, como previsto, teve um caráter avaliativo e programático, com momentos ricos de celebrações e de entusiasmo, como é costume quando se encontram as forças missionárias. Mas a pergunta que estava na boca de todos era: para onde vai a missão nesta passagem do milênio?

O caráter profético da missão

A missão tem sempre um caráter profético. Nasce da contemplação de Deus que tem um projeto de vida para toda a humanidade (Reino) e se abastece da indignação diante da não vida, miséria e exclusão. Qual o caminho que a Igreja "peregrina missionária e pascal" deve percorrer neste contexto? A universalidade da missão é critica profética à globalização porque, antes de tudo, não uniformiza, mas constrói a unidade na diferença (inculturação). É uma universalidade não imposta, mas dialogada e propositiva (anuncio e diálogo). O sonho do qual a missão se abastece é o mesmo sonho de Jesus, na fraqueza e na cruz, assume em tudo a condição humana, exceto o pecado, e - através do serviço e da Kenosis - torna-se redentor (serviço).

A dimensão universal e o "ad gentes"

Nos próximos, entre as varias acepções do significado da missão, o Comina quer privilegiar o âmbito mais especifico e próprio da dimensão universal, do "ad gentes" e do "além-fronteiras". Os termos não são intercambiáveis. Indicam, porém, que a missão tem seu caráter específico ao aproximar-se de grupos humanos e culturais que não têm uma explícita relação com Jesus Cristo e com a fé cristã.

Os missionários e as missionárias brasileiras "além-fronteiras" são quase dois mil. Em vista disso, surgiu no Comina a consciência de todos eles, que representam a ponta de lança de uma consciência missionária mais especifica e que podem contribuir para um crescimento maior do espírito missionário em nossas Igrejas, num caminho de abertura, inculturação, diálogo e serviço. Por causa disso, o Comina, consciente de que é necessário afunilar com mais clareza a dimensão missionária especifica, sugeriu a implantação de um Instituto ou Organismo Missionário Nacional que vise, antes de tudo, ao fortalecimento do caráter além-fronteira da missão.

O protagonismo dos leigos na missão

A realidade dos leigos missionários catalisou, em vários momentos, a atenção dos participantes do Comina. Se, de um lado, ainda estamos no começo de uma organização nacional dos leigos, do outro, percebe-se que a missão nos próximos anos exigirá um maior protagonismo dos mesmos. No passando, a questão missionária foi mais uma prerrogativa das congregações e institutos missionários; ,mais tarde, as Igrejas locais sentiram-se mais envolvidas, mas nunca se perdeu o caráter hegemônico do clero e dos religiosos. A missão do terceiro milênio é uma missão mais co-responsável, em que leigos/as desempenharão um papel preponderante.

O caminho missionário da Igreja no Brasil sedimentou-se, ns últimos anos, através de algumas mediações organizativas: Comissões Missionárias Diocesanas (Comidis) e Comissões Missionárias Paroquiais (Comipas).

Essa organização não quer ser um paralelismo diante do caminho da ação evangelizadora. Em princípio, sendo a Igreja missionária, toda sua ação é marcada por seu caráter missionário específico. Na prática, há necessidade de instâncias que estimulem e fomentem constantemente o caráter missionário da Igreja. Os Comires e outras instâncias pretendem ser canais de animação de iniciativas e ardor missionário.

Segundo o Comina é preciso formar e consolidar essas formas organizativas de animação, antes de tudo, dando um estatuto mais preciso a esses canais, de maneira que sabiam com clareza qual o papel e a metodologia. Em segundo lugar, essas mediações devem se abastecer de uma teologia mais especifica sobre a dimensão missionária, com um processo formativo e operacional gradual que, afinado com os eixos norteadores da missão, ajude numa especifica dimensão missionária. A assembléia do Comina falou, também, da necessidade de um maior e mais racional apoio econômico para a consolidação dos Comires, Comidis, Comipas.

1. O aprofundamento de uma teologia da missão contextualiza

Há certamente bons manuais sobre a teologia missionária. O que falta, no entanto, é um trabalho sistemático para refletir os enfoques básicos da missão à luz de uma especialidade latino-americana e brasileira. A pergunta que muitos missionários/ as brasileiros se fazem diz respeito a uma maneira própria de comunicar e testemunhar a missão em outros continentes.
Diante disso, em vários momentos, a assembléia do Comina sugeriu a presença de uma assessoria teológica permanente que acompanhasse e desenvolve-se melhor os principais aspectos de uma teologia missionária.

Este, no entanto, não é somente um trabalho de especialistas, mas pretende dar conteúdos e aprimorar as reflexões e as práticas missionárias nas várias instâncias dos organismos missionários. O sujeito da ação missionária é a Igreja e suas comunidades cristãs. Todas devem levar adiante um profetismo evangelizador, uma abertura para além das fronteiras, uma atenção especial à vocação dos leigos, etc. A pergunta que as forças missionárias devem se fazer é "até que ponto estão trazendo algo de determinante e particularmente significativo para a ação evangelizadora da Igreja".

2. A missão e os meios de comunicação social

Á luz do caminho profético e universal da missão, os meios de comunicação podem contribuir para aprofundar e criar uma mentalidade missionária. Atualmente, as revistas missionárias no Brasil estão em rápida afirmação e crescimento. A qualidade do material é um dado de fato. As forças missionárias do país deveriam investir mais na sua difusão e, praticamente, assumir a causa da imprensa missionária.

No que se refere às rádios e à televisão, vale a pena reconhecer seu valor como veículos de uma formação universalista e missionária. A missão que queremos trilhar, nos próximos anos, deve garantir o profetismo dos leigos, o reforço das instâncias mediadoras da ação missionária, a eclesialidade da missão e a elaboração de uma teologia missionária a partir do contexto latino-americano.

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