Revista "MUNDO e MISSÃO"
Igreja no Brasil
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O termo profetismo continua sendo repetido nas Assembléias do COMINA (Conselho Missionário Nacional). Desta vez, no mês de dezembro de 2001, o termo foi introduzido num estudo sobre a realidade indígena do Brasil. Coube a dom Franco Masserdotti, presidente do CIMI (Conselho Indigenista Missionário) apresentar o tema: A fraternidade e os povos indígenas, cujo lema, na perspectiva da Campanha da Fraternidade de 2002, é Para uma terra sem males. Arealidade dos povos indígenas no Brasil coloca-nos no âmago da questão missionária. Antes de tudo, foram e são minorias esmagadas: primeiro, por uma colonização violenta, e, agora, pelo sistema globalizado e pelo neoliberalismo. De um ponto de vista social e cultural, os povos indígenas continuam tendo pouca relevância. Um participante falou que a morte, o aniquilamento e a destruição dos povos indígenas continuam sendo uma tônica da história de hoje. O que questiona mais diretamente, no entanto, é o caminho da evangelização, em seus métodos e em sua prática. Se, de um lado, a atuação de tantos missionários demonstra a dedicação e ardor pela causa, de outro, revela uma profunda ligação com o poder colonial. Houve missionários que tomaram a defesa dos índios (como Bartolomeu de Las Casas), outros que denunciaram as injustiças (como frei Antônio de Montesinos) e muitos outros, que embora ingenuamente, serviram de suporte à destruição dos povos indígenas. Nos últimos trinta anos, a ponta de lança da Igreja missionária tem sido o CIMI (Conselho Indigenista Missionário) que, numa atenta visão crítica e movendo-se dentro de uma renovada teologia da missão, atua no meio das populações indígenas. O caminho da missão, como até agora foi percorrido, levanta questões sobre a realidade da evangelização. O anúncio explícito do Evangelho não pode ser desvinculado da realidade da vida, da inculturação, da libertação e do diálogo. Foi a partir dessas premissas que o COMINA, junto com o CIMI, decidiu articular melhor as forças missionárias e, estimulado pela Campanha da Fraternidade do 2002, sugeriu que em todas as Assembléias dos COMIREs houvesse, como momento de estudo, a situação dos povos indígenas no Brasil. Além disso, programou-se um seminário sobre a questão da evangelização na ótica do anúncio e, por fim, a realização de um evento para concluir a CF e fazer memória dos 30 anos do CIMI e do COMINA. Também as revistas missionárias, a partir da experiência positiva já realizada, decidiram preparar a Campanha Missionária do mês de outubro de 2002 com o tema: Os povos indígenas no mundo.
A dimensão profética e a opção pelos pobres Há grandes riscos, hoje, de que a dimensão missionária assuma as características de um ardor desencarnado e ingênuo. Além do termo missão perder sua conotação específica, pode carregar um sentido de superficialidade. Fala-se de missão evangelizadora, de missão popular, de trabalho missionário, de missão em todos os sentidos. Cada um tem sua missão, como cada pastoral tem uma missão. O termo é tão diluído que precisa, de novo, ser focalizado. Deve ser entendido dentro de alguns eixos norteadores, entre os quais se destaca a universalidade (ad gentes e além-fronteiras) e a opção pelos pobres. Se for verdade que o que abastece a missão é o projeto de Jesus, é também certo que o que a inspira é o caminho do Mestre. Dom Franco lembrou que o nosso Deus é o Deus da vida, é amor-comunidade e se fez pessoa humana, a partir da exclusão. A opção evangélica pelos pobres deve sustentar profundamente o caminho da missão. Profetismo e opção pelos pobres são inseparáveis. Jesus pode vislumbrar a visão do Reino, como amor misericordioso do Pai, a partir de sua inserção efetiva no meio dos excluídos. Ele mesmo se fez excluído. Jesus nem tinha lugar para apoiar sua cabeça. Quem não tem um lugar para amparar-se é alguém que fez da rua e do caminho sua morada, cruzando fronteiras e margens, residindo além das razões civilizadas, preferindo a não-vida para desencadear a vida em abundância. O sonho do Reino que fervia e queimava na vida de Jesus podia acontecer somente em sua proximidade histórica e humana com os oprimidos. É por causa disso que não se pode separar a vida real de Jesus, como concretamente a viveu na proximidade com os deserdados, com o sonho de ver eliminada qualquer discriminação e exclusão por causa do amor infinito de Deus que acolhe a todos. O tema de estudo do COMINA sobre os povos indígenas fez com que a Igreja missionária no Brasil reafirmasse seu compromisso com o profetismo e com os pobres. E, por isso, as celebrações resgataram o louvor e o empenho de tantos missionários e missionárias que sacrificaram e estão sacrificando a vida, em solidariedade completa com os povos indígenas.
A revisão do regulamento Se o primeiro tema básico do COMINA foi o estudo dos povos indígenas, o segundo verteu sobre a re-atualização do Regulamento. Após vários anos, percebeu-se a necessidade de rever e adaptar aos novos tempos a dimensão missionária do Organismo. Antes de tudo, foi importante entender que o dinamismo missionário não pode ser codificado uma vez por todas, que nunca pode perder seu caráter de provisoriedade. Missão é sopro do Espírito que não pode ser encapsulado. Depois, em seu novo contexto, a missão deve dar conta da renovada teologia e do sentido da parceria. Sobretudo, após o Vaticano II, a dimensão missionária é percebida como uma sinfonia coral de todo o povo de Deus e não somente uma atividade de alguns especialistas. Quais as novidades introduzidas? Com mais clareza foi entendida a natureza e a finalidade do COMINA, como organismo da CNBB. Não se trata de uma entidade anexa ou ligada à Conferência dos Bispos, mas é a expressão direta da missionariedade da Igreja. É formado pelos representantes das instituições que atuam na animação, formação e serviço missionário no Brasil. No momento em que a dimensão missionária está sempre mais definindo o seu rosto e um novo fervilhar missionário se alastra em nosso país (basta pensar nos vários projetos da missão além-fronteiras), novas forças emergentes foram incluídas na composição do COMINA. Além do CIMI, o CNIS (Conselho Nacional dos Institutos Seculares), a PBE (Pastoral dos Brasileiros no Exterior), o CNP (Comissão Nacional dos Presbíteros), as Missões Populares, as Associações de Missiólogos e das Instituições Acadêmicas Missiológicas foram convidados a ser parte, a pleno direito, do Conselho Missionário Nacional. Também a Secretaria Executiva ficou enriquecida com a presença permanente do Presidente do CIMI ou de um seu representante. Dando destaque ao enraizamento do caminho dos COMIREs (Conselhos Missionários Regionais), formulou-se a necessidade de que, ao menos, um dos membros eleitos surja dos quadros de coordenadores dos mesmos. Evidentemente, este novo quadro exigirá uma racionalização maior das atividades e das atuações dos membros da Secretaria Executiva. O que fica claro é que o caminho da dimensão missionária da Igreja no Brasil está cada dia mais encontrando seu espaço e sua organização. Após trinta anos da existência do COMINA, damos graças a Deus pelo passos dados e reafirmamos nosso compromisso com a causa missionária. |
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